Como expandir sua vida social

Então, entenda como preparar sua empresa para atuar no mercado e para as mudanças que estão por vir, identificando tendências e oportunidades, a fim de criar vantagens competitivas em relação aos seu concorrentes. 3. Incremente sua presença digital. As redes sociais são parte do dia a dia dos brasileiros. *Senso comum é o saber que preenche nossa vida diária e que se possui sem o haver procurado ou estudado, sem a aplicação de um método e sem se haver refletido sobre algo.Conhecimento teológico ou religioso apoia-se na fé e tem sua origem nas revelações do sobrenatural.Conhecimento filosófico como um saber que se propõe a oferecer um ... Psicologia & Sociedade; 20 (2): 155-164, 2008 155 PSICOLOGIA COMO UMA CIÊNCIA SOCIAL1 Nikolas Rose University of London, London, United Kingdom RESUMO: A psicologia ocupou um papel importante na sociedade durante o século XX, ajudando a construir o Em vez de se sentir preso\a ou ficar na sua zona de conforto você pode expandir a sua vida de muitas maneiras. Ao construir sua própria liberdade social interna, isto é, você pode se conectar a mais pessoas de varias maneiras, divertidas e interessantes além de criar novas e excitantes oportunidades românticas, na sua carreira ou com amigos. Como Trazer a Paixão de Volta à Sua Vida Sexual! Os resultados do estudo sugerem que os casais que estão mais satisfeitos geralmente parecem ter algumas coisas em comum: eles tentam coisas novas, tomam tempo para definir o humor para o sexo, e comunicar abertamente sobre o que eles precisam e desejam, entre outros. Title: Como expandir sua inteligência, Author: RD Design e Comunicação, Name: Como expandir sua inteligência, Length: 78 pages, Page: 7, Published: 2015-04-15 ... Designers Marketers Social ... E da sua vida como um todo? Há pessoas que definem seu sucesso analisando apenas o aspecto financeiro e profissional, mas isso é muito pouco. Para alcançar o sucesso verdadeiro é preciso buscar a plenitude em todas as áreas da vida, como o intelectual, social, conjugal, familiar, espiritual, emocional, ter saúde e servir aos outros. Depois de fazer uma autoavaliação e expandir sua visão para fora da própria bolha, será hora de determinar qual será o objetivo da sua vida. Lembre-se, porém, de que não há nada errado em fazer mudanças no futuro — é importante ter um propósito e uma direção agora, mesmo que as coisas se alterem conforme você cresce e muda. Como Ter Uma Vida Perfeita Enquanto Adolescente. Sabe aquelas suas colegas de escola que parecem ter uma vida perfeita? São populares e cheias de estilo e têm belos cabelos e aparências, uma vida social ativa, notas altas... Você sente uma... Ainda que a internet proporcione muitas possibilidades, nada como sair de casa para conhecer gente nova. Aceite os convites dos amigos e colegas de trabalho para o happy hour, o churrasco ou a baladinha no fim de semana. Se você acha que sua vida social anda meio morna, certifique-se de ser vista – e aguarde os efeitos maravilhosos disso.

Fantasmas do passado e Pontas soltas.

2020.06.07 22:42 WhoIsNini Fantasmas do passado e Pontas soltas.

Fala guys, essa história ainda acontece e isso já faz 8 anos.
Eu conheci uma garota em 2013. Eu tinha 11 e ela 10. Como ela era meio invisível no grupo social que eu convivia (e ainda convivo), nunca falei com ela de fato, só sabia quem era. Tempo vai, tempo vem..
Final de 2016, a gente começou a se falar e ficamos amigos. Como eu era bem novinho (14 anos) eu não tinha essa malícia de saber se alguém gostava de mim ou não. Mas ela dava muitos sinais que gostava bastante de mim, e ela parecia ser bem interessante pra mim também.
O ano de 2017 foi o ano que a gente mais conversou e se conhecemos melhor, também descobri que ela gostava de mim. Nós eramos bem entrosados, a forma de pensar, de falar, fazer piadas e tal.
2018 ela foi para a minha escola. Eu estava no 2° ano e ela no 1°. A gente se via bastante, marcávamos sempre de se encontrar, em algum intervalo de tempo. Ela falou que gostava de mim e eu falei que gostava dela, tudo ai ok.
Só que ela era bem frágil emocionalmente e tinha muito ciúmes de mim com meus amigos, principalmente com a garota que eu tinha um crush antes dela.
Eu também não era tão bom assim, tinha 15 anos, e como era meu primeiro amorzinho, tinha vezes que cometia uns erros grotescos. Imaturidade e tal.
E esses dois fatores levou um desgaste muito grande da nossa amizade.
2019 as coisas já não era mais as mesmas. Ela tava estranha e fria. Passava por ela na escola e se eu não parasse pra falar com ela, ela passaria direto.
Eu juro pra vocês que não aconteceu nada de específico, tipo uma traição ou algo muito ruim da minha parte, era somente os dois motivos que citei acima.
Ai ok, as coisas estavam estranhas, dei um tempo pra ela, ficamos sem nos falar por 2 semanas. Quando voltamos, ela falou que não gostava mais de mim e que não estava se sentindo bem psicologicamente pra continuar com a amizade, mas falou que eu não queria que eu mudasse com ela porque ainda gostava de mim como pessoa. Mas ela mudou comigo, não me chamava mais, tava fria e insensível.
2019 foi um lixo, eu tava muito mal com tudo que tava acontecendo e ainda tinha que ficar vendo ela pelos corredores da escola, sempre junto com suas amigas..
Como eu ainda gostava bastante dela, como amigo e como companheira, eu tentei reconciliar com ela diversas vezes, entender os motivos para ela estar daquele jeito ou que exatamente eu poderia ter feito. Mas ela nunca falou, e essas minhas tentativas só irritaram ela ainda mais.
A SITUAÇÃO ATUAL
Eu acho que todo sofrimento que eu passei em 2019 fez eu amadurecer bastante e expandir minha perspectiva de vida. Eu não me sinto mais preso a um sentimento à ela, mas eu também não guardo ressentimentos ou mágoas pela menosprezo e foras que ela me deu. Eu a perdoei e me perdoei.
Mas como ela faz parte do meu grupo social eu a vejo constantemente (2 vezes por semana). E isso não tem me feito nada bem. Quando eu a vejo é um mix de sentimentos: tristeza, raiva, saudades, felicidade e um monte de mais coisa.
Não descartaria outra pessoa que me interessasse se realmente aparecesse, mas também não quero procurar alguém só pra esquecer outro alguém. Quero que as coisas fluam no seu devido tempo.
Ainda sonho constantemente com essa pessoa, momentos felizes, coisas que gostaria de dizer e até mesmo ela com outra pessoa. Acordo e passo o dia com o mix de sentimenos que descrevi acima e muito na merda.
Me sobrou uma cartinha de amor e um desenho muito bonito que ela fez. Penso em devolver, já que não vou mais vê-la, quando eu me mudar para outro lugar. Mas isso ainda vai demorar bastante tempo para acontecer. Não apaguei nossas fotos com medo de me arrepender depois, guardei em um lugar bem escondido do pc para não ficar vendo.
Então é isso, essa quarentena serviu para eu ficar mais mal com essa história. Porque antes eu me ocupava com algumas coisas, mas agora..
Enfim, se você leu até o final parabéns você é um guerreiro(a), pode comentar se quiser.
13/7/2019 foi o ultimo dia que falei com ela.
Por favor só evite chavões que meus amigos falam do tipo: Você ainda não superou // Tem que superar // Você vai encontrar alguém // Você tem que conhecer mais pessoas // Tenta voltar a falar com ela e coisas do tipo.
submitted by WhoIsNini to desabafos [link] [comments]


2020.05.20 23:44 sairjean Brasil, Vida e Morte (Uma Crítica a Demétrio Magnoli)

Em 18/05, O Globo publicou um artigo do sociólogo Demétrio Magnoli, entitulado “Suécia, Vida e Morte”, com o subtítulo “ O colapso econômico cobra vidas ”, disponível em:
https://oglobo.globo.com/opiniao/suecia-vida-morte-24429777
Como o acesso é fechado a assinantes, e para melhor entendimento do que exporei aqui, reproduzo o texto integral do artigo abaixo. (Sou assinante, não “hackeei” o site.)
Os secretários estaduais de Saúde bateram a porta na cara do agora ex-ministro Nelson Teich. Diante de uma proposta de diretrizes sobre níveis de distanciamento social, responderam que, enquanto a curva da epidemia sobe, não é hora de discutir o assunto. Nossa polarização política reflete-se como guerra retórica entre dois extremismos. Num polo, Bolsonaro e seus lunáticos fantasiam-se de defensores da economia e dos empregos. No extremo oposto, configura-se um fundamentalismo epidemiológico que, vestido com a roupagem da ciência, exibe-se como o exército da vida. A Suécia oferece uma alternativa à dicotomia irracional.
O país escandinavo rejeitou a polaridade filosófica vida versus morte e sua tradução estratégica: saúde pública versus economia. Distinguindo-se de quase toda a Europa, navega por medidas brandas de isolamento social que não abrangem quarentenas extensivas. O fundamentalismo epidemiológico acusou-a de renegar a ciência, cotejou sua taxa de mortalidade por Covid (34 por 100 mil) com a de seus vizinhos (Noruega: 4,3; Finlândia: 5,1) e, num julgamento sumário, declarou-a culpada de desprezo pela vida.
O governo sueco não classificou a doença como “uma gripezinha”, recusando o negacionismo. Como o resto da Europa, definiu o objetivo de “achatar a curva”. Mas modulou a estratégia para o longo prazo, estimando que a vacina tardará. Aceitou, portanto, taxas maiores de óbitos imediatos, em troca da mesma mortalidade que os outros no horizonte da imunidade coletiva. No plano epidemiológico, um veredicto justo deve aguardar o momento redentor da vacinação em massa.
O parâmetro sueco não é suprimir o vírus pelo bloqueio social, mas evitar as mortes evitáveis — ou seja, preservar a capacidade hospitalar de atendimento de casos graves. Nesses dias, após “achatar a curva”, os governos europeus começam suas reaberturas, ainda em meio a milhares de contágios. Todos rendem-se ao mesmo parâmetro — e, claro, enfrentam a voz indignada dos anjos da vida.
Os anjos estão errados, por motivos pragmáticos e filosóficos. O colapso econômico cobra vidas. A depressão mundial lançará cerca de 130 milhões de pessoas na vala da fome. O desemprego crônico, com seu cortejo de alcoolismo e opioides, corta a expectativa de vida em mais de cinco anos. Por que a vida de um faminto ou de um desempregado vale menos que a de um infectado pelo vírus?
A Suécia levou em conta um valor que escapa ao domínio epidemiológico: as liberdades civis. Quarentenas prolongadas achatam direitos, tanto quanto a curva de contágios. A liberdade ou a segurança? No caso da Aids, que matou 32 milhões, jamais restringimos as atividades sexuais, impondo legalmente testagens aos parceiros para evitar a difusão do vírus. A filosofia moderna nasceu com a declaração do direito à revolta contra governos tirânicos. A escolha de viver em liberdade deflagra rebeliões, que causam conflitos e mortes.
No plano dos valores, quarentenas justificam-se pela interdição ética fundamental de deixar pacientes morrerem sem tratamento apropriado. Itália, Espanha e França recorreram ao lockdown precisamente diante desse abismo. A Alemanha, que não chegou perto dele, preferiu uma quarentena moderada — e começa a reabrir em nome dos “direitos constitucionais”.
O exemplo sueco não indica que os italianos erraram — e não serve para moldar as respostas brasileiras a uma curva exponencial. Por outro lado, é a bússola mais precisa para nortear o debate, em todos os lugares, sobre lockdowns, quarentenas e flexibilizações. A epidemiologia militante, iracunda e intolerante, não tem o direito de invocar uma aliança preferencial com a vida, rotulando como arautos da morte os que ousam contestar suas receitas.
Teich foi elevado por Bolsonaro ao ministério com a missão de fabricar mais desordem, sabotando nossas últimas oportunidades de coordenar o combate à epidemia. Mas ele sabotou o sabotador, ao oferecer um esboço de diretrizes comuns. Os secretários de Saúde fizeram baixa política ao recusar a mera discussão da proposta. Ganham aplausos indevidos de fanáticos do bem.
Em questões de vida ou morte, a virtude não está “no meio”, como em outras questões filosóficas (e pragmáticas), mas num dos extremos, o da vida. “Por que a vida de um faminto ou de um desempregado vale menos que a de um infectado pelo vírus?”, ele pergunta retoricamente. Não se trata de qual vida vale mais, mas de quem está em perigo mais imediato de perder a vida. As mortes por covid são para agora; as mortes por fome ou desespero em decorrência da depressão econômica são pra depois. Haverá tempo para se tomar medidas para evitar essas mortes, desde políticas públicas de auxílio aos desvalidos, como vários países já estão fazendo (até mesmo o Brasil, ainda que aos trancos e barrancos), até iniciativas de solidariedade espontâneas da própria sociedade (como também já vem ocorrendo no Brasil, envolvendo desde grandes empresários até os vizinhos nas comunidades carentes). E, nesse meio-tempo, temos a chance de expandir a rede de tratamento hospitalar (de novo, como até no Brasil se está fazendo, mesmo com todos os problemas que temos visto), e a Ciência de desenvolver novos tratamentos, remédios eficazes e, talvez, até mesmo uma vacina. É claro que nem os governos, nem as empresas, nem os cidadãos em geral poderão sustentar indefinidamente os que perderam suas fontes de renda em virtude da paralisação das atividades econômicas. Uma hora, os recursos de que podem lançar mão se esgotarão. Mas quanto mais pudermos adiar o retorno pleno às atividades, mais mortes totais evitaremos, seja por covid, seja de fome.
submitted by sairjean to coronabr [link] [comments]


2020.03.29 07:42 vityd O poço (Filme, Netflix). Minha visão.

Boa noite brasilienses coronários. Acabei de assistir o filme publicado na plataforma da Netflix de nome "O Poço", e quando fui procurar críticas e curiosidades, acabei me deparando com várias visões (inclusive do próprio diretor) que acredito possuírem precedentes errôneos ou serem demasiadamente superficiais.Devo alertar que haverão spoilers neste texto, mas que ao mesmo tempo o interessante do filme não é observar a conclusão da trama, mas alcançar qual a maneira que o filme argumenta sua tese. Sem mais nem menos, vou seguindo o texto.
Bom, eu comecei a ver o filme achando que era uma série (lol), mas com uns 30min percebi que era de fato um longa metragem. O que me chamou a atenção foi o trailer de abertura que trata de certa maneira filosófica o que se passa factualmente na história. Para tentar dar uma sinopse com mais assertividade que a oferecida na plataforma, o filme trata de um personagem que acorda dentro de uma espécie de prisão vertical, separada por andares, com dois detentos em cada andar. Rapidamente se descobre que a verticalidade do lugar deve-se a forma de distribuição de comida: colocada a partir do topo da instalação e descendo pelos níveis, com paradas de dois minutos em cada estação. A questão é que são tantos andares na instalação que devido a pouca quantidade de comida, não haverá alimentação necessária à todos.
É disto que se trata a premissa inicial do filme. Para aqueles que desejam ainda assistir o filme devo alertar que a seguinte virão opiniões contidas de spoiler e que, segundo a minha interpretação, o filme não deve ser analisado com um olhar econômico, mas metafísico. E para justificar esta visão minha argumentação se seguirá.
O protagonista, o qual se voluntariou a se instalar no "poço", decide que tentará um racionamento de comida na tentativa de manter a todos vivos. Todo o resto da história anterior a esta decisão é simples exposição do ambiente no qual as personagens estão inseridas. Não irei descrever esta etapa, pois aquele que chegou até aqui no texto tem por obrigação ter visto ou ver o filme para compreender o que vou argumentar.
Não entrarei no sentido implícito do destino final do protagonista, mas quero tratar do sentido geral da instalação cadeia e seu discurso social.
É possível ver nas matérias de críticas e notícias sobre o filme que há várias interpretações para o sentido geral e para o final do filme. Entretanto, acredito que a própria opinião dada pelo diretor do filme, no qual não se trata "nem de capitalismo, nem de socialismo", mas que ainda ensaia uma crítica a este último(o socialismo), é de certa forma infundada.
Afirmo isto pela simples premissa, o capitalismo e o socialismo são concepções econômico políticas baseadas em pelos menos duas categorias: economia política e sociedade de classes (sendo esta a consequência da primeira). Entretanto, no filme, não há uma estrutura de produção política nem sequer uma sociedade de classes fundamentada nesta produção. O que de fato existe é uma aleatoriedade que define, como o livro Leviatã diz, o homem como o lobo do próprio homem.
Só que, para não confundir os tratados sociológicos com a visão concebida no filme, é preciso dizer que o ser do filme não é seu próprio predador a fim de conquistar o poder sobre o outro, mas a fim de sobreviver. Este fato traça a linha divisória que impede que o filme seja concebido como uma crítica a estrutura política econômica que define a nossa lógica social.
Se de fato há classes, seriam os encarcerados, a "administração" e os empregados. Isto significa que não há diferenciação entre os encarcerados, já que um privilegiado hoje tem mais chances de ser uma vítima amanhã do que perpetuar seu status, de forma que, nenhum encarcerado possui poder algum sobre uma possível ascendência dentro do "poço".
Portanto, quando o próprio diretor afirma que no discurso do filme há uma crítica ao socialismo onde "o protagonista falha ao matar aqueles os quais tentou ajudar", ele peca por não entender o que define o socialismo e, ao mesmo tempo, por não entender a própria estrutura factual de seu filme.
Mas qual seria uma possível visão mais coerente do filme? Uma visão caridosa e que abdica do reino dos céus ou da realização da liberdade, semelhante a que encontramos dentro do budismo zen (por isto a afirmação de se tratar de um filme metafísico).
Qual a argumentação necessária para se afirmar isto? Bom, são duas. A primeira é de natureza dramática, focada no percurso do protagonista, e a segunda e natureza imagética.
O personagem passa claramente pelo mito de Buda, um privilegiado que para "salvar" e compreender a existência desce de seu principado para ajudar a todos sem esperar nada em troca. Não irei adiante neste tema pois qualquer pesquisa sobre o tema no Wikipédia reforça o comparativo entre as duas histórias.
Já a questão imagética é tratada pelas cores e ambiência do filme. Não há qualquer quadro de uma paisagem ampla e aberta. Tudo é tratado em cores derivadas do cinza chapado e em ambientes hostis e aprisionadores. Isto se coloca como quase uma materialidade onipresente do filme (salvos as filmagens da cozinha). Desta forma, é possível presumir que a ambiência trata do lugar dado para existência humana e sua correlação com o sofrimento ou a impossibilidade de realização plena, tornando o aprisionamento constante em qualquer situação.
Para expandir esta relação, evoca-se o colorido da comida que representa com bastante precisão o desejo "carnal" ou "natural". Este desejo é tratado na filosofia budista como algo natural, mas que é mais capaz de gerar sofrimento ao indivíduo e ao todo que a felicidade quando buscado como um fator que não pode ser abdicado. Fato que é demonstrado quando se observa que se todos tentassem realizar seus desejos ao mesmo tempo, uma disputa feroz logo se daria sobre a humanidade.
A solução do protagonista acaba por mostrar que este modelo de vida e desejo não liberta a ninguém e que é preciso transcender a estrutura dada (motivo pela qual a filosofia zen foi criada), assim ensaiando uma forma de combate ao sofrimento universal.
O ápice desta luta se dá no fim do filme onde a caridade se expressa não somente como a resposta para transcender o problema, mas como o próprio fundamento do combate ao sofrimento. A resolução do protagonista também confirma este certo viés, já que o que importa a este não é a realização de sua tarefa universal, mas sim suas ações.
No fim, nunca se sabe se o poço foi extinto, se as pessoas foram "salvas", mas sabe-se que o protagonista cumpriu seu dever e pode transcender a realidade do sofrimento a partir da caridade e da abnegação.
Para terminar este texto, preciso denotar que a própria visão de sujeitos iguais, mas mutáveis de acordo com a situação, expressa pelo diretor, é uma visão que faz bastante correlação com o sentimento de natureza humana pregado pelo budismo. Assim, esta é a minha visão do porquê o filme não se tratar de um ensaio político ou sociológica, mas sim moral e metafísico, no sentido ético da coisa.
Poderia estender ainda mais as minhas argumentações, mas este texto tem por objetivo apresentar uma outra visão capaz de abranger interpretações sobre o filme e sua importância e precedentes nos tempos em que vivemos.
Deem suas opiniões ;D
submitted by vityd to brasil [link] [comments]


2020.01.31 08:47 Emile-Principe Tecnologia, Ciência e industrialização

Com o fracasso dos projetos Liberais (da era Color a era F.H.C.), Social Democratas/ Social Liberais (de Lula a Dilma), assim como o fracasso das sucessivas tentativas do Nacional Deselvolvimentismo (de Getulioa J.K.) –sem falar das várias desastrosas acoes do Exército (com seu marco durante a ditadura militar) –o Brasil tem passado nos últimos anos (não exclusivamente, mas de forma mais retunda e concisa) sob o auto-questionamento sobre seu desenvolvimento histórico. Esse questionamento se delineia das mais diversas formas –algumas mais claras e conscientes do que outras -, tais como: Comopromover o desenvolvimento do Brasil? Como fazer o Brasil sair de sua situação de dependência? Como melhorar a qualidade de vida do Brasileiro? Como acabar com a criminalidade? Como dar fim a corrupção? Como promover uma nação forte? , Etc. O subsumir desses questionamentos, pode facilmente ser traduzido por uma tomada de consciência –ainda que em sua forma mais abstrata e afastada da realidade –do brasileiro comum sobre a questão nacional/ a consciência da necessidade de criar-se uma nação forte e poderosa como condição para vencer essas contradições/ a consciência de que tao somente uma nação forte e poderosa sera capaz de definitivamente dar fim a criminalidade, a corrupção e a todas as mazelas sociais criando caminho para uma sociedade próspera/ a consciência de que tao somente uma nação forte e poderosa sera capaz de conduzir a economia social para a sua prosperidade. A pergunta subsumida, então, se reedifica sob a questão: Como conduzir a nação brasileira a tornar-se uma nação forte e poderosa? A Historia e uma auxiliar maravilhosa para responder a esse tipo de questionamento, uma vez que nos ensina por exemplosconcretos (pela ciência da história), como outras nações o fizeram. E sempre valido tomar o exemplo de nações vizinhas que foram fundadas sob circunstancias muito similares as circunstância as que o Brasil foi fundado, e que, no entanto, diferente do Brasil, foram vitoriosas ao dirigir-se rumo a sua emancipação. Dentre todos os países do continente americano (no qual o Brasil se situa), o mais exitoso em seu processo de emancipação, e da criação de uma nação forte e poderosa, foi obviamente os Estados Unidos. O que ha ocorrido nos Estados Unidos, que não ha ocorrido no Brasil, de forma a marcar tao profunda diferença? Vejamos: alguns dirão que o fator preponderante para o desenvolvimento dos Estados Unidos como nação forte e poderosa foi o seu processo de independência de iniciado em 1775 e concluído em 1783. As recíprocas diferenças entre o processo de independência do Brasil e dos Estados Unidos seriam as grandes responsável pelos resultados finais, em que os Estados Unidos se tornou uma nação forte e poderosa, enquanto o Brasil teria mantido a sua condição de nação fraca e dependente. A despeito da guerra de independência dos Estado Unidos, e de suas recíprocas diferenças com o processo de independência do Brasil, o fato e que não se observa nenhum salto, nem quantitativo, nem qualitativo nas relações de produção dos Estados Unidos ate meados de 1870, quando os Estados Unidos como nação, finalmente vai começar a passar por um processo de industrialização que o lavara a se tornar uma das nações mais prósperas e ricas do mundo. O que ha ocorrido? Quais foram, então, as razoes dessa decolada econômica dos Estados Unidos, se não foi o processo de independência? Vejamos: não se trata aqui de dizer que o processo de independência dos Estados Unidos não foram um fator extremamente importante para o seu desenvolvimento. Mas trata-se de dizer que seu desenvolvimento real, se deu as custas de algo mais. O processo de independência dos Estados Unidos se deu porque a burguesia nacional dos Estados Unidos (uma burguesia constituída totalmente por donos de terras – fazendeiros), eram obrigados a exortar parte significativa de sua produção para a Inglaterra (colonizadora dos Estados Unidos), para que a Inglaterra pudesse usar essa produção agrícola para comercializar com as nações europeias e asiáticas. A burguesia nacional dos Estados Unidos de então, se deu conta de que, exortando todo o exortado para a Europa, eles perdiam parte significativa de sua capacidade produtiva, já que se eles não ficassem com a produção inteira, não poderiam comprar mais terras na América, expandir suas terras pela América, nem mesmo financiar sua mao de obra escrava para produzir mais. Era evidente para a burguesia ruralista estadunidense que o desenvolvimento das forcas produtivas nacionais dependia inteiramente de sua ruptura com a Inglaterra: somente assim os donos de terras teriam condições econômicas de -comprando mais escravos, negociando suas terras, e expandindo suas plantações –expandir a produção. Como se ve, a expansão da produção era uma necessidade histórica objetiva, capaz não apenas de desenvolver as forcas produtivas do pais, mas também capaz de fundar uma nação independente e autônoma. Ainda assim, por mais quase 100 anos, apos a independência dos E.U., a produção se via ainda controlada pela Europa, uma vez que, mesmo que os estadunidenses não tivessem que exertar sua produção para a Inglaterra, o desenvolvimento das capacidades produtivas do pais (ainda completamente rurais e agrícolas de exportação primaria – tais como soja, e milho), dependiam de um maquinário especializado produzido apenas na Europa. O Pais se via então na situação em que, ainda que formalmente independente, mantinha a sua dependência econômica que passava pelo fato de que, os Estados Unidos vendiam mercadorias agrícolas primarias como milho para a Europa, para comprar das indústrias europeias o seu maquinário extremamente desenvolvido pela sua indústria: o que basicamente significava, vender coisas baratas para comprar coisas caras. Mais do que isso: essa relação de dependência se dava também com relação ao modo (a forma) de como as trocas eram feitas: como a Europa dominava o mercado mundial de produção fabril (de fábricas), eles tinham o monopólio de para quem iriam vender, e a que preço, enquanto os Estados Unidos comercializavam um produto que também era comercializado em todos os 5 continentes, e por tanto não tinham nenhum controle sobre as taxas de cambio e valores de troca. A mesma porcão de milho que 1 ano atras fora vendido pelo equivalente a 1000 libras, 1 ano mais tarde, pela superprodução de milho no oriente, seria vendido pelo equivalente a 150 libras. Não suficiente, essa troca era absolutamente necessária para os Estados Unidos, uma vez que o maquinário usado para a colheita do mesmo milho, vinha todo da Europa já que os Estados Unidos não tinha uma indústria capaz de produzi-los. Como ja se ve claramente, assim como perante a guerra de independência, era uma necessidade histórica objetiva a independência dos Estados Unidos – para desenvolver as forcas produtivas do pais, e para criar soberania nacional – quase 100 anos mais tarde também era uma necessidade histórica objetiva – para desenvolver as forcas produtivas e para criar soberania nacional – que os Estados Unidos se industrializasse/ fosse capaz de produzir industrialmente aqueles produtos necessários para sua produção agrícola: do contrário, os Estados Unidos permaneceriam sendo semi-colonia das potencias europeias. E foi exatamente esse o motor essencial daquilo que conhecemos como Guerra Civil, ou Guerra de Secessao de 1861 a 1865. A guerra se deu porque Abraham Lincoln se deu conta de que, mantendo a relação do mercado internacional tal como essa estava estabelecida quando ele chegou ao poder, os Estados Unidos permaneceriam em uma situação de semi-colonia das nações Europeias. Era necessário criar impostos pesados sobre os produtos industriais europeus para que a pequenina indústria estadunidense – ainda em sua fase mais primaria – tivesse condições de concorrer dentro do mercado estadunidense com os produtos Europeus. Isso era obviamente desvantagem para a indústria agrícola, ja que, com impostos mais altos sobre os produtos europeus, os produtos chegariam mais caros as fazendas, diminuindo a capacidade de compra dos ruralistas, diminuindo consequentemente sua capacidade de produção. Isso era desvantagem para os ruralistas também porque, uma vez que os Estados Unidos aumentassem os impostos sobre os produtos europeus, as nações europeias aumentariam também os impostos sobre os produtos estadunidenses provocando assim a inflação dos produtos estadunidenses no mercado europeu, obrigando o comprador europeu a comprar de outros países com preços mais baratos (uma vez que o aumento do imposto não insidiam sobre seus produtos). Os produtos industriais da Europa (devido ao fato de que a Europa já havia passado por um processo de industrialização profundo), eram não somente de qualidade superior, mas também mais baratos, já que as forcas produtivas das potências europeias já haviam se desenvolvido razoavelmente. Isso tudo aparecia não como razoes contra Lincoln, mas como razoes a favor, uma vez que, se os produtos Europeus eram tao superiores aos estadunidenses, tanto em qualidade quanto em preço, a indústria dos Estados Unidos não tinha nenhuma condição de competir com a indústria das potências europeias. Era necessário entao, criar um mercado nacional primeiro para a produção industrial dos Estados Unidos, fortalecendo a indústria, desenvolvendo sua capacidade produtiva, para so entao os Estados Unidos ter condições de disputar mercado com a Europa. E nao seria absolutamente possível criar um mercado nacional para a indústria nacional dos Estados Unidos, sem que fosse estabelecido um aumento significativo dos impostos sobre os produtos Europeus (uma vez que os agricultores obviamente prefeririam comprar produtos mais baratos e de melhor tecnologia, optimizando seus ganhos). E foi assim que os ruralistas iniciaram uma guerra de separação, visando a criação dos Estados Unidos do Sul, evitando assim a diminuição de seus ganhos consequente do projeto de desenvolvimento nacional lançado por Lincoln. Foi tao somente ao final da guerra, com a subjugação das forcas reacionarias representadas pelos agricultores do sul, que os Estados Unidos foi capaz de desenvolver suas forcas produtivas industriais, e de consequentemente libertar-se de sua condição de semi-colonia das potencias Europeias, levando-os a construção de uma nação não apenas forte e poderosa, mas sobre tudo realmente independente. Aqui entao ja vemos que o fator preponderante que divide os Estados Unidos de qualquer outra nação americana reside no fato de que 1) os Estados Unidos não teve medo de enfrentar as forcas reacionarias (contrarias ao desenvolvimento) de seu pais, 2) os Estados Unidos passaram por um processo de independência a diferença de todas as outras nações americanas, não se limitou a uma independência forma, mas se moveu para uma independência real; e finalmente por que 3) os Estados Unidos promoveram um processo nacional de quebra com o imperialismo econômico (representado pelas potências Europeias), promovendo o desenvolvimento de sua Tecnologia, Ciência e de sua Indústria. Hoje (2020), os Estados Unidos Ja e capaz de concorrer com igualdade de condições com todas as potências europeias e paises desenvolvidos do mundo na maioria dos setores, sendo um dos maiores exportadores de produtos industriais e de produtos de exportação secundaria (nao apenas pretoleo cru, mas de pretoleo ja convertido em combustíveis dos mais diversos). Devemos voltar entao a nossa questão subsumida: Como conduzir a nação brasileira a tornar-se uma nação forte e poderosa? Como o exemplo dos Estados Unidos – nação americana fundada sob circunstancia muito similares as circunstância que fundaram a nação brasileira – nos mostra, o caminho para a construção de uma nação forte e poderosa não e outro senão que o caminho do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira. Cabe agora perguntar-nos: em qual estagio do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira o Brasil se encontra? Para formular adequadamente a resposta para essa pergunta, faz-se necessário que localizemos a conjuntura brasileira/ faz-se necessário que saibamos compreender o contexto atual do Brasil. Apos o fracasso dos citados projetos economicos, o Brasil tem visto o Florecer de uma figura como representante da mais legitima causa nacional: Bolsonaro. Com um discurso que adota por diversas vezes a palavra “Patria”, “Nacao”, e que coloca o nome “Brasil” como um baluarte a ser sustentado, Bolsonaro aparece, e apareceu nos Brasil como uma especie da salvador da patria e da nação brasileira, capaz de liderar o Brasil para o seu tao esperado alvorece para o seu tao esperado desenvolvimento. Mas qual e na prática o projeto economico (e por tanto o projeto de nação) de Bolsonaro? Na prática, com pouco mais do que um ano desde que Bolsonaro assumiu a presidência da república seu governo pode ser – de modo geral – resumido em: 1) programas de privatizações; 2) desmonte dos setores públicos (especialmente aqueles relativos a educação); 3) alianças internacionais com nações desenvolvidas. O que tudo isso quer dizer na prática, quanto ao processo de desenvolvimento nacional? Vejamos: uma vez privatizadas as empresas nacionais – que a proposito nao sao muitas – a economia nacional do Brasil perde total e completamente a sua capacidade de re-investimento publico, já que o Estado Nacional passa a fazer menos dinheiro com a venda dos produtos, se tornando um Estado dependente tao somente de impostos e taxas tributarias gerais. Sem capacidade de re-investimento publico, o Brasil se ve despido de capacidade econômica para fomentar a Tecnologia e Ciência, promovendo subsequentemente a industrialização do pais. O re-investimento publico se mostrou – a traves de exemplos concretos da história – um processo altamente eficaz na industrialização da sociedade em geral, tal como os exemplos da Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, que passaram rapidamente de países altamente dependentes e subdesenvolvidos, para entre os países mais desenvolvidos do mundo gracas a um processo profundo de re-investimento publico nas áreas de ciência e tecnologia. Em 2012, se especulava que mais de 60% do PIB desses paises (alguns dos Paises com os PIBs mais altos do mundo)era destinado ao re-investimento publico em ciência e tecnologia. A privatização de empresas Brasileiras promove, por tanto, um desmonte nao apenas da economia nacional, mas também da capacidade econômica nacional, deixando o pais economicamente desnudo (em relação ao Estado Nacional), incapaz de investir em setores estratégicos da economia. O desmonte dos setores públicos (especialmente aqueles relativos a educação), termina de executar o processo. Os ativos da educação – ainda que historicamente nao tenham sido usados propriamente – sao a estrutura básica da qual o pais dispunha, para eventualmente com re-investimentos públicos mais profundos e mais direcionados nos setores de tecnologia e ciência, o pais se tornasse capaz de desenvolver sua indústria. E finalmente as alianças internacionais com nações desenvolvidas, considerando que a moeda de troca do Brasil e cada vez mais fraca, não poderia ser feita de outra forma, senão que fazendo do Brasil um pais subserviente dos interesses dessas nações. Além do que, assim seguimos na direção contraria a direção ao desenvolvimento tomada pelos Estados Unidos. Ao invés de desenvolvermos as forcas produtivas nacionais a traves da criação de um mercado nacional, abrimos nosso mercado já esfacelado a indústria das nações desenvolvidas, esmagando ate mesmo a possibilidade do nascer de uma indústria nacional, que seria facilmente abafada e esmagada pela indústria altamente desenvolvida dos países desenvolvidos. Agora já vemos a resposta para nossa questão: em qual estagio do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira o Brasil se encontra? Agora mesmo, o Brasil anda na contra-mão do desenvolvimento/ agora mesmo, o Brasil destrói todos os elementos mais básicos criados para seu desenvolvimento desde a era Vargas. Lembremos: nao ha exemplos na história de algum pais que tenha se desenvolvido pegando carona no desenvolvimento de paisesdesenvolvidos. Pelo contrario: o que os exemplos histórico concretos nos mostram e que em casos de relações de dependência – tal como o caso do Brasil – o que as nacoes desenvolvidas promover e um desmonte de toda a capacidade do pais de se desenvolver, ao mesmo tempo que drena tudo aquilo que poderia ser usado um favor do pais. O Brasil atual nao apenas se constitui como um fazendão do mundo – vendendo mercadoria barata para comprar mercadoria cara -, sendo um pais total e completamente subdesenvolvido, mas também nesse exato momento o Brasil caminha na direção de sua aniquilação como economia e na direção de sua aniquilação como Estado Nacional/ Nacao Soberana. Mas vejamos: ao mesmo tempo que a história nos mostra que andamos de marcha-re, ela nos ensina como abandonar nossa condição de pais subdesenvolvido/ de pais subserviente dos interesses econômicos de nações desenvolvidas. E necessário promover a Industrialização imediata do Brasil, re-investindo em setores públicos dedicados a fomentação da Ciência e Tecnologia. Somente assim o Brasil poderá se desenvolver como nação forte e poderosa, tornando-se capaz de expurgar todas as suas mazelas internas. Os exemplos dos Estados Unidos, e das nações nórdicas e claro sobre isso. Agora e preciso entender que o contexto histórico do Brasil atual não e o mesmo dos Estados Unidos da época da guerra civil, nem e o mesmo dos países nórdicos. E necessário então reconhecer dentro da conjuntura brasileira quais são as forcas reacionarias que barram nosso desenvolvimento enquanto nação. A primeira dessas forcas, e a mais obvia e o liberalismo. A ideia de que com uma abertura abrupta do mercado nacional o Brasil se desenvolvera, uma vez que recebera investimentos externos de setores. Essa perspectiva nao leva em conta que o uso de tecnologia importada custa royalties impressionantes aos cofres públicos, de modo que essas empresas internacionais que vem ao Brasil, prestam um desserviço ao desenvolvimento nacional: cobram royalties pelo uso da marca – que sao pagos aos paisesde onde a tecnologia originalmente veio (tal como a existência de uma Volkswagen no Brasil nos obriga a pagar para a Alemanha pelo uso da marca) –, nao difundem a tecnologia (de modo que nao torna possível que usemos a Volkswagen para produzir uma tecnologia de carros Brasileiros), e ainda usam a mao-de-obra barata do pais, sucateando o trabalho como um todo (obviamente, ainda que a tecnologia seja alema, e muito mais vantajoso para a marca montar uma fábrica no Brasil, aonde se paga muito pouco/ se paga muito mal pela mao de obra, do que na Alemanha, aonde os trabalhadores com todos os seus direitos, são muito mais custosos para a produção). Hoje em dia já se ve um fenômeno bastante sintomático disso que e o fato de que essas fábricas de alta tecnologia europeia, se estabelecem em países pobres para produzir, e depois vende esses produtos em países ricos, porque mesmo com o preço do transporte, a produção fica mais barata feita na periferia do sistema do que nos países centrais, aonde os salários por si so ja representam um obstaculo maior para o ganho dos capitalistas, do que a importação dos produtos. Assim, como eles não podem explorar tanto o trabalhador em seus países – trabalhadores esses que já conquistaram alguns direitos -, preferem explorar trabalhadores da periferia do sistema capitalista. Entao vemos claramente como o liberalismo e uma forca reacionaria que age contra os interesses nacionais, e atua promovendo o não desenvolvimento das nações subdesenvolvidas. O liberalismo so e bom e funciona muito bem para as nações desenvolvidas que, usando-se dele, ganham vantagem absoluta no mercado internacional perpetuando para sempre os seus privilégios. Outra dessas forcas reacionarias que age no Brasil contra o desenvolvimento nacional, e age como obstaculo ao desenvolvimento nacional e a atual burguesia brasileira que, assim como a dos Estados Unidos de antes da Guerra Civil, e majoritariamente formada por ruralistas. E as contradições entre essa classe social e o desenvolvimento nacional do Brasil ja estao explícitos pelo exemplo dos Estados Unidos. Os ruralistas, como classe social, sao completamente dependentes do capital estrangeiro, e por tanto contrários ao desenvolvimento de um capital nacional que necessariamente passa pela ruptura com o capital estrangeiro como necessidade para se atingir a industrialização do Brasil. Assim como nos Estados Unidos de quase 200 anos atrás, nossa burguesia ruralista vende grãos e carne para todo o mundo, para comprar a maquinaria necessária tanto para plantar como para a criação de animais. E dessa forma nos mantemos em relação ao mundo desenvolvido em uma condição de semi-colonia, vendendo barato para comprar caro, e vendendo o mesmo que inúmeros países vendem, para comprar o que tao somente alguns produzem. Dessa forma, esses poucos países que produzem maquinaria agrícola tem voz de mando e desmando no mercado mundial, chegando mesmo a ditar o preço pelo qual a carne e os grãos brasileiros serão vendidos. Como atualmente a realidade social do Brasil não e condizente com a dos Estados Unidos da época, não faz sentido entrar em guerra para tao simplesmente barra-los politicamente. Se faz necessário retirar sua forca politica, que tal como qualquer forca politica e forca econômica. A forca politica dos ruralistas brasileiros se expressa pela sua posse de terras, e por tanto tao somente uma reforma agraria, com distribuição das terras para pequenos produtores, e produtores familiares permitiria aniquilar o poder economico dessa classe social (da burguesia ruralista), permitindo concomitantemente taxa aumentar os impostos sobre certos produtos industriais agrícolas comprados do exterior, permitindo finalmente o nascimento, desenvolvimento e prosperar de uma indústria nacional, através de edificação de um mercado nacional para essa industria, ate o seu desenvolvimento, no qual poderemos concorrer no mercado internacional. Manter as terras da burguesia agraria significa dar poder econômico a burguesia agraria. E dar poder econômico a burguesia agraria significa dar poder politico a mesma, uma vez que com poder econômico a burguesia agraria tem recursos para financiar a candidatura (tal como ja o faz) de candidatos que a represente a despeito dos interesses nacionais. Daixar o poder econômico nas maos da burguesia agraria significa deixar o poder politico em suas maos, uma vez que a burguesia agraria financia toda forma de propaganda (através dos aparelhos de mídia existentes – Globo, SBT, Record, Veja, etc), que lhe seja conveniente, promovendo todas as formas possíveis de calúnias contra as tentativas reais de promover a soberania nacional. Tal como ja foi expresso indiretamente ao tratarmos da burguesia agraria, outra das forcas reacionarias que atuam no pais e o capital estrangeiro, que aliciado a burguesia agraria (ou dito de outra forma: tendo a burguesia agraria como seu agente dentro do território nacional), financia diretamente o desmonte do poder publico, e/ou de qualquer instituição capaz de promover independência nacional real. Finalmente a última – não a ultima existente, mas uma das principais – forcas reacionarias existentes e atuantes no Brasil, são as Agências de Estado Americanas. Essas usadas pelos Capital Estrangeiro como Imediato no Brasil, financiam toda forma de propaganda e ação politica contraria a soberania nacional, uma vez que, obviamente, com um Brasil dependente/ com um Brasil semi-colonia, as potências estrangeiras faturam muito mais. Todos essas cinco juntas (Capital Estrangeiro, através das Agências de Estados Americanos, usando os Ruralistas para difundir o Liberalismo {Capital Estrangeiro; Agências de Estados Americanos; Ruralistas; Liberalismo}), constituem as forcas mais violentamente retroativas do Brasil/ constituem os inimigos numero 1 do povo brasileiro, dos interesses nacionais, do desenvolvimento nacional, do desenvolvimento de uma nacao forte, soberana e poderosa, e por tanto estão intrinsecamente ligados a todas as mazelas sociais das quais os Brasil e o povo brasileiro em geral (com todas as suas classes) e vítima. A aniquilação dessas forcas reacionarias e fator sine-qua-non para o desenvolvimento nacional, e para a realização de uma independência nacional plena/ para a realização dos destinos do povo brasileiro. Sem a aniquilação dessas forcas reacionarias nao sera possível promover no Brasil um processo de industrialização e de fomento a ciência e tecnologia. E sem um Brasil industrializado, com fomento a ciência e tecnologia, nao ha como o Brasil passar de sua condição de pais subserviente para nação forte, soberana e poderosa. Assim vemos que a superação das forcas reacionarias que atuam no Brasil de hoje, se da como uma necessidade histórica objetiva para a superação da situação de coisas em que o Brasil se encontra.
https://preview.redd.it/7b8w143z88e41.jpg?width=736&format=pjpg&auto=webp&s=582e96a06b4dc472c0a6781b916cf8a027dcb86f
submitted by Emile-Principe to u/Emile-Principe [link] [comments]


2020.01.31 08:37 Emile-Principe Tecnologia, Ciência e industrialização

Com o fracasso dos projetos Liberais (da era Color a era F.H.C.), Social Democratas/ Social Liberais (de Lula a Dilma), assim como o fracasso das sucessivas tentativas do Nacional Deselvolvimentismo (de Getulioa J.K.) –sem falar das várias desastrosas acoes do Exército (com seu marco durante a ditadura militar) –o Brasil tem passado nos últimos anos (não exclusivamente, mas de forma mais retunda e concisa) sob o auto-questionamento sobre seu desenvolvimento histórico. Esse questionamento se delineia das mais diversas formas –algumas mais claras e conscientes do que outras -, tais como: Comopromover o desenvolvimento do Brasil? Como fazer o Brasil sair de sua situação de dependência? Como melhorar a qualidade de vida do Brasileiro? Como acabar com a criminalidade? Como dar fim a corrupção? Como promover uma nação forte? , Etc.
O subsumir desses questionamentos, pode facilmente ser traduzido por uma tomada de consciência –ainda que em sua forma mais abstrata e afastada da realidade –do brasileiro comum sobre a questão nacional/ a consciência da necessidade de criar-se uma nação forte e poderosa como condição para vencer essas contradições/ a consciência de que tao somente uma nação forte e poderosa sera capaz de definitivamente dar fim a criminalidade, a corrupção e a todas as mazelas sociais criando caminho para uma sociedade próspera/ a consciência de que tao somente uma nação forte e poderosa sera capaz de conduzir a economia social para a sua prosperidade. A pergunta subsumida, então, se reedifica sob a questão: Como conduzir a nação brasileira a tornar-se uma nação forte e poderosa?
A Historia e uma auxiliar maravilhosa para responder a esse tipo de questionamento, uma vez que nos ensina por exemplosconcretos (pela ciência da história), como outras nações o fizeram. E sempre valido tomar o exemplo de nações vizinhas que foram fundadas sob circunstancias muito similares as circunstância as que o Brasil foi fundado, e que, no entanto, diferente do Brasil, foram vitoriosas ao dirigir-se rumo a sua emancipação. Dentre todos os países do continente americano (no qual o Brasil se situa), o mais exitoso em seu processo de emancipação, e da criação de uma nação forte e poderosa, foi obviamente os Estados Unidos. O que ha ocorrido nos Estados Unidos, que não ha ocorrido no Brasil, de forma a marcar tao profunda diferença?
Vejamos: alguns dirão que o fator preponderante para o desenvolvimento dos Estados Unidos como nação forte e poderosa foi o seu processo de independência de iniciado em 1775 e concluído em 1783. As recíprocas diferenças entre o processo de independência do Brasil e dos Estados Unidos seriam as grandes responsável pelos resultados finais, em que os Estados Unidos se tornou uma nação forte e poderosa, enquanto o Brasil teria mantido a sua condição de nação fraca e dependente. A despeito da guerra de independência dos Estado Unidos, e de suas recíprocas diferenças com o processo de independência do Brasil, o fato e que não se observa nenhum salto, nem quantitativo, nem qualitativo nas relações de produção dos Estados Unidos ate meados de 1870, quando os Estados Unidos como nação, finalmente vai começar a passar por um processo de industrialização que o lavara a se tornar uma das nações mais prósperas e ricas do mundo. O que ha ocorrido? Quais foram, então, as razoes dessa decolada econômica dos Estados Unidos, se não foi o processo de independência? Vejamos: não se trata aqui de dizer que o processo de independência dos Estados Unidos não foram um fator extremamente importante para o seu desenvolvimento. Mas trata-se de dizer que seu desenvolvimento real, se deu as custas de algo mais.
O processo de independência dos Estados Unidos se deu porque a burguesia nacional dos Estados Unidos (uma burguesia constituída totalmente por donos de terras – fazendeiros), eram obrigados a exortar parte significativa de sua produção para a Inglaterra (colonizadora dos Estados Unidos), para que a Inglaterra pudesse usar essa produção agrícola para comercializar com as nações europeias e asiáticas. A burguesia nacional dos Estados Unidos de então, se deu conta de que, exortando todo o exortado para a Europa, eles perdiam parte significativa de sua capacidade produtiva, já que se eles não ficassem com a produção inteira, não poderiam comprar mais terras na América, expandir suas terras pela América, nem mesmo financiar sua mao de obra escrava para produzir mais. Era evidente para a burguesia ruralista estadunidense que o desenvolvimento das forcas produtivas nacionais dependia inteiramente de sua ruptura com a Inglaterra: somente assim os donos de terras teriam condições econômicas de -comprando mais escravos, negociando suas terras, e expandindo suas plantações –expandir a produção. Como se ve, a expansão da produção era uma necessidade histórica objetiva, capaz não apenas de desenvolver as forcas produtivas do pais, mas também capaz de fundar uma nação independente e autônoma.
Ainda assim, por mais quase 100 anos, apos a independência dos E.U., a produção se via ainda controlada pela Europa, uma vez que, mesmo que os estadunidenses não tivessem que exertar sua produção para a Inglaterra, o desenvolvimento das capacidades produtivas do pais (ainda completamente rurais e agrícolas de exportação primaria – tais como soja, e milho), dependiam de um maquinário especializado produzido apenas na Europa. O Pais se via então na situação em que, ainda que formalmente independente, mantinha a sua dependência econômica que passava pelo fato de que, os Estados Unidos vendiam mercadorias agrícolas primarias como milho para a Europa, para comprar das indústrias europeias o seu maquinário extremamente desenvolvido pela sua indústria: o que basicamente significava, vender coisas baratas para comprar coisas caras. Mais do que isso: essa relação de dependência se dava também com relação ao modo (a forma) de como as trocas eram feitas: como a Europa dominava o mercado mundial de produção fabril (de fábricas), eles tinham o monopólio de para quem iriam vender, e a que preço, enquanto os Estados Unidos comercializavam um produto que também era comercializado em todos os 5 continentes, e por tanto não tinham nenhum controle sobre as taxas de cambio e valores de troca. A mesma porcão de milho que 1 ano atras fora vendido pelo equivalente a 1000 libras, 1 ano mais tarde, pela superprodução de milho no oriente, seria vendido pelo equivalente a 150 libras. Não suficiente, essa troca era absolutamente necessária para os Estados Unidos, uma vez que o maquinário usado para a colheita do mesmo milho, vinha todo da Europa já que os Estados Unidos não tinha uma indústria capaz de produzi-los.
Como ja se ve claramente, assim como perante a guerra de independência, era uma necessidade histórica objetiva a independência dos Estados Unidos – para desenvolver as forcas produtivas do pais, e para criar soberania nacional – quase 100 anos mais tarde também era uma necessidade histórica objetiva – para desenvolver as forcas produtivas e para criar soberania nacional – que os Estados Unidos se industrializasse/ fosse capaz de produzir industrialmente aqueles produtos necessários para sua produção agrícola: do contrário, os Estados Unidos permaneceriam sendo semi-colonia das potencias europeias. E foi exatamente esse o motor essencial daquilo que conhecemos como Guerra Civil, ou Guerra de Secessao de 1861 a 1865. A guerra se deu porque Abraham Lincoln se deu conta de que, mantendo a relação do mercado internacional tal como essa estava estabelecida quando ele chegou ao poder, os Estados Unidos permaneceriam em uma situação de semi-colonia das nações Europeias. Era necessário criar impostos pesados sobre os produtos industriais europeus para que a pequenina indústria estadunidense – ainda em sua fase mais primaria – tivesse condições de concorrer dentro do mercado estadunidense com os produtos Europeus. Isso era obviamente desvantagem para a indústria agrícola, ja que, com impostos mais altos sobre os produtos europeus, os produtos chegariam mais caros as fazendas, diminuindo a capacidade de compra dos ruralistas, diminuindo consequentemente sua capacidade de produção.
Isso era desvantagem para os ruralistas também porque, uma vez que os Estados Unidos aumentassem os impostos sobre os produtos europeus, as nações europeias aumentariam também os impostos sobre os produtos estadunidenses provocando assim a inflação dos produtos estadunidenses no mercado europeu, obrigando o comprador europeu a comprar de outros países com preços mais baratos (uma vez que o aumento do imposto não insidiam sobre seus produtos). Os produtos industriais da Europa (devido ao fato de que a Europa já havia passado por um processo de industrialização profundo), eram não somente de qualidade superior, mas também mais baratos, já que as forcas produtivas das potências europeias já haviam se desenvolvido razoavelmente.
Isso tudo aparecia não como razoes contra Lincoln, mas como razoes a favor, uma vez que, se os produtos Europeus eram tao superiores aos estadunidenses, tanto em qualidade quanto em preço, a indústria dos Estados Unidos não tinha nenhuma condição de competir com a indústria das potências europeias. Era necessário entao, criar um mercado nacional primeiro para a produção industrial dos Estados Unidos, fortalecendo a indústria, desenvolvendo sua capacidade produtiva, para so entao os Estados Unidos ter condições de disputar mercado com a Europa. E nao seria absolutamente possível criar um mercado nacional para a indústria nacional dos Estados Unidos, sem que fosse estabelecido um aumento significativo dos impostos sobre os produtos Europeus (uma vez que os agricultores obviamente prefeririam comprar produtos mais baratos e de melhor tecnologia, optimizando seus ganhos). E foi assim que os ruralistas iniciaram uma guerra de separação, visando a criação dos Estados Unidos do Sul, evitando assim a diminuição de seus ganhos consequente do projeto de desenvolvimento nacional lançado por Lincoln. Foi tao somente ao final da guerra, com a subjugação das forcas reacionarias representadas pelos agricultores do sul, que os Estados Unidos foi capaz de desenvolver suas forcas produtivas industriais, e de consequentemente libertar-se de sua condição de semi-colonia das potencias Europeias, levando-os a construção de uma nação não apenas forte e poderosa, mas sobre tudo realmente independente.
Aqui entao ja vemos que o fator preponderante que divide os Estados Unidos de qualquer outra nação americana reside no fato de que
1) os Estados Unidos não teve medo de enfrentar as forcas reacionarias (contrarias ao desenvolvimento) de seu pais,
2) os Estados Unidos passaram por um processo de independência a diferença de todas as outras nações americanas, não se limitou a uma independência forma, mas se moveu para uma independência real; e finalmente por que
3) os Estados Unidos promoveram um processo nacional de quebra com o imperialismo econômico (representado pelas potências Europeias), promovendo o desenvolvimento de sua Tecnologia, Ciência e de sua Indústria.
Hoje (2020), os Estados Unidos Ja e capaz de concorrer com igualdade de condições com todas as potências europeias e paises desenvolvidos do mundo na maioria dos setores, sendo um dos maiores exportadores de produtos industriais e de produtos de exportação secundaria (nao apenas pretoleo cru, mas de pretoleo ja convertido em combustíveis dos mais diversos).
Devemos voltar entao a nossa questão subsumida: Como conduzir a nação brasileira a tornar-se uma nação forte e poderosa? Como o exemplo dos Estados Unidos – nação americana fundada sob circunstancia muito similares as circunstância que fundaram a nação brasileira – nos mostra, o caminho para a construção de uma nação forte e poderosa não e outro senão que o caminho do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira. Cabe agora perguntar-nos: em qual estagio do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira o Brasil se encontra?
Para formular adequadamente a resposta para essa pergunta, faz-se necessário que localizemos a conjuntura brasileira/ faz-se necessário que saibamos compreender o contexto atual do Brasil.
Apos o fracasso dos citados projetos economicos, o Brasil tem visto o Florecer de uma figura como representante da mais legitima causa nacional: Bolsonaro. Com um discurso que adota por diversas vezes a palavra “Patria”, “Nacao”, e que coloca o nome “Brasil” como um baluarte a ser sustentado, Bolsonaro aparece, e apareceu nos Brasil como uma especie da salvador da patria e da nação brasileira, capaz de liderar o Brasil para o seu tao esperado alvorece para o seu tao esperado desenvolvimento.
Mas qual e na prática o projeto economico (e por tanto o projeto de nação) de Bolsonaro? Na prática, com pouco mais do que um ano desde que Bolsonaro assumiu a presidência da república seu governo pode ser – de modo geral – resumido em:
1) programas de privatizações;
2) desmonte dos setores públicos (especialmente aqueles relativos a educação);
3) alianças internacionais com nações desenvolvidas.
O que tudo isso quer dizer na prática, quanto ao processo de desenvolvimento nacional?
Vejamos: uma vez privatizadas as empresas nacionais – que a proposito nao sao muitas – a economia nacional do Brasil perde total e completamente a sua capacidade de re-investimento publico, já que o Estado Nacional passa a fazer menos dinheiro com a venda dos produtos, se tornando um Estado dependente tao somente de impostos e taxas tributarias gerais. Sem capacidade de re-investimento publico, o Brasil se ve despido de capacidade econômica para fomentar a Tecnologia e Ciência, promovendo subsequentemente a industrialização do pais. O re-investimento publico se mostrou – a traves de exemplos concretos da história – um processo altamente eficaz na industrialização da sociedade em geral, tal como os exemplos da Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, que passaram rapidamente de países altamente dependentes e subdesenvolvidos, para entre os países mais desenvolvidos do mundo gracas a um processo profundo de re-investimento publico nas áreas de ciência e tecnologia. Em 2012, se especulava que mais de 60% do PIB desses paises (alguns dos Paises com os PIBs mais altos do mundo)era destinado ao re-investimento publico em ciência e tecnologia. A privatização de empresas Brasileiras promove, por tanto, um desmonte nao apenas da economia nacional, mas também da capacidade econômica nacional, deixando o pais economicamente desnudo (em relação ao Estado Nacional), incapaz de investir em setores estratégicos da economia.
O desmonte dos setores públicos (especialmente aqueles relativos a educação), termina de executar o processo. Os ativos da educação – ainda que historicamente nao tenham sido usados propriamente – sao a estrutura básica da qual o pais dispunha, para eventualmente com re-investimentos públicos mais profundos e mais direcionados nos setores de tecnologia e ciência, o pais se tornasse capaz de desenvolver sua indústria.
E finalmente as alianças internacionais com nações desenvolvidas, considerando que a moeda de troca do Brasil e cada vez mais fraca, não poderia ser feita de outra forma, senão que fazendo do Brasil um pais subserviente dos interesses dessas nações. Além do que, assim seguimos na direção contraria a direção ao desenvolvimento tomada pelos Estados Unidos. Ao invés de desenvolvermos as forcas produtivas nacionais a traves da criação de um mercado nacional, abrimos nosso mercado já esfacelado a indústria das nações desenvolvidas, esmagando ate mesmo a possibilidade do nascer de uma indústria nacional, que seria facilmente abafada e esmagada pela indústria altamente desenvolvida dos países desenvolvidos.
Agora já vemos a resposta para nossa questão: em qual estagio do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira o Brasil se encontra? Agora mesmo, o Brasil anda na contra-mão do desenvolvimento/ agora mesmo, o Brasil destrói todos os elementos mais básicos criados para seu desenvolvimento desde a era Vargas.
Lembremos: nao ha exemplos na história de algum pais que tenha se desenvolvido pegando carona no desenvolvimento de paisesdesenvolvidos. Pelo contrario: o que os exemplos histórico concretos nos mostram e que em casos de relações de dependência – tal como o caso do Brasil – o que as nacoes desenvolvidas promover e um desmonte de toda a capacidade do pais de se desenvolver, ao mesmo tempo que drena tudo aquilo que poderia ser usado um favor do pais. O Brasil atual nao apenas se constitui como um fazendão do mundo – vendendo mercadoria barata para comprar mercadoria cara -, sendo um pais total e completamente subdesenvolvido, mas também nesse exato momento o Brasil caminha na direção de sua aniquilação como economia e na direção de sua aniquilação como Estado Nacional/ Nacao Soberana.
Mas vejamos: ao mesmo tempo que a história nos mostra que andamos de marcha-re, ela nos ensina como abandonar nossa condição de pais subdesenvolvido/ de pais subserviente dos interesses econômicos de nações desenvolvidas. E necessário promover a Industrialização imediata do Brasil, re-investindo em setores públicos dedicados a fomentação da Ciência e Tecnologia. Somente assim o Brasil poderá se desenvolver como nação forte e poderosa, tornando-se capaz de expurgar todas as suas mazelas internas. Os exemplos dos Estados Unidos, e das nações nórdicas e claro sobre isso. Agora e preciso entender que o contexto histórico do Brasil atual não e o mesmo dos Estados Unidos da época da guerra civil, nem e o mesmo dos países nórdicos. E necessário então reconhecer dentro da conjuntura brasileira quais são as forcas reacionarias que barram nosso desenvolvimento enquanto nação. A primeira dessas forcas, e a mais obvia e o liberalismo.
A ideia de que com uma abertura abrupta do mercado nacional o Brasil se desenvolvera, uma vez que recebera investimentos externos de setores. Essa perspectiva nao leva em conta que o uso de tecnologia importada custa royalties impressionantes aos cofres públicos, de modo que essas empresas internacionais que vem ao Brasil, prestam um desserviço ao desenvolvimento nacional: cobram royalties pelo uso da marca – que sao pagos aos paisesde onde a tecnologia originalmente veio (tal como a existência de uma Volkswagen no Brasil nos obriga a pagar para a Alemanha pelo uso da marca) –, nao difundem a tecnologia (de modo que nao torna possível que usemos a Volkswagen para produzir uma tecnologia de carros Brasileiros), e ainda usam a mao-de-obra barata do pais, sucateando o trabalho como um todo (obviamente, ainda que a tecnologia seja alema, e muito mais vantajoso para a marca montar uma fábrica no Brasil, aonde se paga muito pouco/ se paga muito mal pela mao de obra, do que na Alemanha, aonde os trabalhadores com todos os seus direitos, são muito mais custosos para a produção). Hoje em dia já se ve um fenômeno bastante sintomático disso que e o fato de que essas fábricas de alta tecnologia europeia, se estabelecem em países pobres para produzir, e depois vende esses produtos em países ricos, porque mesmo com o preço do transporte, a produção fica mais barata feita na periferia do sistema do que nos países centrais, aonde os salários por si so ja representam um obstaculo maior para o ganho dos capitalistas, do que a importação dos produtos. Assim, como eles não podem explorar tanto o trabalhador em seus países – trabalhadores esses que já conquistaram alguns direitos -, preferem explorar trabalhadores da periferia do sistema capitalista. Entao vemos claramente como o liberalismo e uma forca reacionaria que age contra os interesses nacionais, e atua promovendo o não desenvolvimento das nações subdesenvolvidas. O liberalismo so e bom e funciona muito bem para as nações desenvolvidas que, usando-se dele, ganham vantagem absoluta no mercado internacional perpetuando para sempre os seus privilégios.
Outra dessas forcas reacionarias que age no Brasil contra o desenvolvimento nacional, e age como obstaculo ao desenvolvimento nacional e a atual burguesia brasileira que, assim como a dos Estados Unidos de antes da Guerra Civil, e majoritariamente formada por ruralistas. E as contradições entre essa classe social e o desenvolvimento nacional do Brasil ja estao explícitos pelo exemplo dos Estados Unidos. Os ruralistas, como classe social, sao completamente dependentes do capital estrangeiro, e por tanto contrários ao desenvolvimento de um capital nacional que necessariamente passa pela ruptura com o capital estrangeiro como necessidade para se atingir a industrialização do Brasil. Assim como nos Estados Unidos de quase 200 anos atrás, nossa burguesia ruralista vende grãos e carne para todo o mundo, para comprar a maquinaria necessária tanto para plantar como para a criação de animais. E dessa forma nos mantemos em relação ao mundo desenvolvido em uma condição de semi-colonia, vendendo barato para comprar caro, e vendendo o mesmo que inúmeros países vendem, para comprar o que tao somente alguns produzem. Dessa forma, esses poucos países que produzem maquinaria agrícola tem voz de mando e desmando no mercado mundial, chegando mesmo a ditar o preço pelo qual a carne e os grãos brasileiros serão vendidos. Como atualmente a realidade social do Brasil não e condizente com a dos Estados Unidos da época, não faz sentido entrar em guerra para tao simplesmente barra-los politicamente. Se faz necessário retirar sua forca politica, que tal como qualquer forca politica e forca econômica. A forca politica dos ruralistas brasileiros se expressa pela sua posse de terras, e por tanto tao somente uma reforma agraria, com distribuição das terras para pequenos produtores, e produtores familiares permitiria aniquilar o poder economico dessa classe social (da burguesia ruralista), permitindo concomitantemente taxa aumentar os impostos sobre certos produtos industriais agrícolas comprados do exterior, permitindo finalmente o nascimento, desenvolvimento e prosperar de uma indústria nacional, através de edificação de um mercado nacional para essa industria, ate o seu desenvolvimento, no qual poderemos concorrer no mercado internacional. Manter as terras da burguesia agraria significa dar poder econômico a burguesia agraria. E dar poder econômico a burguesia agraria significa dar poder politico a mesma, uma vez que com poder econômico a burguesia agraria tem recursos para financiar a candidatura (tal como ja o faz) de candidatos que a represente a despeito dos interesses nacionais. Daixar o poder econômico nas maos da burguesia agraria significa deixar o poder politico em suas maos, uma vez que a burguesia agraria financia toda forma de propaganda (através dos aparelhos de mídia existentes – Globo, SBT, Record, Veja, etc), que lhe seja conveniente, promovendo todas as formas possíveis de calúnias contra as tentativas reais de promover a soberania nacional.
Tal como ja foi expresso indiretamente ao tratarmos da burguesia agraria, outra das forcas reacionarias que atuam no pais e o capital estrangeiro, que aliciado a burguesia agraria (ou dito de outra forma: tendo a burguesia agraria como seu agente dentro do território nacional), financia diretamente o desmonte do poder publico, e/ou de qualquer instituição capaz de promover independência nacional real.
Finalmente a última – não a ultima existente, mas uma das principais – forcas reacionarias existentes e atuantes no Brasil, são as Agências de Estado Americanas. Essas usadas pelos Capital Estrangeiro como Imediato no Brasil, financiam toda forma de propaganda e ação politica contraria a soberania nacional, uma vez que, obviamente, com um Brasil dependente/ com um Brasil semi-colonia, as potências estrangeiras faturam muito mais.
Todos essas cinco juntas (Capital Estrangeiro, através das Agências de Estados Americanos, usando os Ruralistas para difundir o Liberalismo {Capital Estrangeiro; Agências de Estados Americanos; Ruralistas; Liberalismo}), constituem as forcas mais violentamente retroativas do Brasil/ constituem os inimigos numero 1 do povo brasileiro, dos interesses nacionais, do desenvolvimento nacional, do desenvolvimento de uma nacao forte, soberana e poderosa, e por tanto estão intrinsecamente ligados a todas as mazelas sociais das quais os Brasil e o povo brasileiro em geral (com todas as suas classes) e vítima.
A aniquilação dessas forcas reacionarias e fator sine-qua-non para o desenvolvimento nacional, e para a realização de uma independência nacional plena/ para a realização dos destinos do povo brasileiro. Sem a aniquilação dessas forcas reacionarias nao sera possível promover no Brasil um processo de industrialização e de fomento a ciência e tecnologia. E sem um Brasil industrializado, com fomento a ciência e tecnologia, nao ha como o Brasil passar de sua condição de pais subserviente para nação forte, soberana e poderosa.
Assim vemos que a superação das forcas reacionarias que atuam no Brasil de hoje, se da como uma necessidade histórica objetiva para a superação da situação de coisas em que o Brasil se encontra.

https://preview.redd.it/moi05x7698e41.jpg?width=736&format=pjpg&auto=webp&s=622a57bb1bd7fae1438d00c3498d5843d5cba717
submitted by Emile-Principe to brasilivre [link] [comments]


2020.01.31 08:33 Emile-Principe Tecnologia, Ciência e industrialização

Com o fracasso dos projetos Liberais (da era Color a era F.H.C.), Social Democratas/ Social Liberais (de Lula a Dilma), assim como o fracasso das sucessivas tentativas do Nacional Deselvolvimentismo (de Getulioa J.K.) –sem falar das várias desastrosas acoes do Exército (com seu marco durante a ditadura militar) –o Brasil tem passado nos últimos anos (não exclusivamente, mas de forma mais retunda e concisa) sob o auto-questionamento sobre seu desenvolvimento histórico. Esse questionamento se delineia das mais diversas formas –algumas mais claras e conscientes do que outras -, tais como: Comopromover o desenvolvimento do Brasil? Como fazer o Brasil sair de sua situação de dependência? Como melhorar a qualidade de vida do Brasileiro? Como acabar com a criminalidade? Como dar fim a corrupção? Como promover uma nação forte? , Etc. O subsumir desses questionamentos, pode facilmente ser traduzido por uma tomada de consciência –ainda que em sua forma mais abstrata e afastada da realidade –do brasileiro comum sobre a questão nacional/ a consciência da necessidade de criar-se uma nação forte e poderosa como condição para vencer essas contradições/ a consciência de que tao somente uma nação forte e poderosa sera capaz de definitivamente dar fim a criminalidade, a corrupção e a todas as mazelas sociais criando caminho para uma sociedade próspera/ a consciência de que tao somente uma nação forte e poderosa sera capaz de conduzir a economia social para a sua prosperidade. A pergunta subsumida, então, se reedifica sob a questão: Como conduzir a nação brasileira a tornar-se uma nação forte e poderosa? A Historia e uma auxiliar maravilhosa para responder a esse tipo de questionamento, uma vez que nos ensina por exemplosconcretos (pela ciência da história), como outras nações o fizeram. E sempre valido tomar o exemplo de nações vizinhas que foram fundadas sob circunstancias muito similares as circunstância as que o Brasil foi fundado, e que, no entanto, diferente do Brasil, foram vitoriosas ao dirigir-se rumo a sua emancipação. Dentre todos os países do continente americano (no qual o Brasil se situa), o mais exitoso em seu processo de emancipação, e da criação de uma nação forte e poderosa, foi obviamente os Estados Unidos. O que ha ocorrido nos Estados Unidos, que não ha ocorrido no Brasil, de forma a marcar tao profunda diferença? Vejamos: alguns dirão que o fator preponderante para o desenvolvimento dos Estados Unidos como nação forte e poderosa foi o seu processo de independência de iniciado em 1775 e concluído em 1783. As recíprocas diferenças entre o processo de independência do Brasil e dos Estados Unidos seriam as grandes responsável pelos resultados finais, em que os Estados Unidos se tornou uma nação forte e poderosa, enquanto o Brasil teria mantido a sua condição de nação fraca e dependente. A despeito da guerra de independência dos Estado Unidos, e de suas recíprocas diferenças com o processo de independência do Brasil, o fato e que não se observa nenhum salto, nem quantitativo, nem qualitativo nas relações de produção dos Estados Unidos ate meados de 1870, quando os Estados Unidos como nação, finalmente vai começar a passar por um processo de industrialização que o lavara a se tornar uma das nações mais prósperas e ricas do mundo. O que ha ocorrido? Quais foram, então, as razoes dessa decolada econômica dos Estados Unidos, se não foi o processo de independência? Vejamos: não se trata aqui de dizer que o processo de independência dos Estados Unidos não foram um fator extremamente importante para o seu desenvolvimento. Mas trata-se de dizer que seu desenvolvimento real, se deu as custas de algo mais. O processo de independência dos Estados Unidos se deu porque a burguesia nacional dos Estados Unidos (uma burguesia constituída totalmente por donos de terras – fazendeiros), eram obrigados a exortar parte significativa de sua produção para a Inglaterra (colonizadora dos Estados Unidos), para que a Inglaterra pudesse usar essa produção agrícola para comercializar com as nações europeias e asiáticas. A burguesia nacional dos Estados Unidos de então, se deu conta de que, exortando todo o exortado para a Europa, eles perdiam parte significativa de sua capacidade produtiva, já que se eles não ficassem com a produção inteira, não poderiam comprar mais terras na América, expandir suas terras pela América, nem mesmo financiar sua mao de obra escrava para produzir mais. Era evidente para a burguesia ruralista estadunidense que o desenvolvimento das forcas produtivas nacionais dependia inteiramente de sua ruptura com a Inglaterra: somente assim os donos de terras teriam condições econômicas de -comprando mais escravos, negociando suas terras, e expandindo suas plantações –expandir a produção. Como se ve, a expansão da produção era uma necessidade histórica objetiva, capaz não apenas de desenvolver as forcas produtivas do pais, mas também capaz de fundar uma nação independente e autônoma. Ainda assim, por mais quase 100 anos, apos a independência dos E.U., a produção se via ainda controlada pela Europa, uma vez que, mesmo que os estadunidenses não tivessem que exertar sua produção para a Inglaterra, o desenvolvimento das capacidades produtivas do pais (ainda completamente rurais e agrícolas de exportação primaria – tais como soja, e milho), dependiam de um maquinário especializado produzido apenas na Europa. O Pais se via então na situação em que, ainda que formalmente independente, mantinha a sua dependência econômica que passava pelo fato de que, os Estados Unidos vendiam mercadorias agrícolas primarias como milho para a Europa, para comprar das indústrias europeias o seu maquinário extremamente desenvolvido pela sua indústria: o que basicamente significava, vender coisas baratas para comprar coisas caras. Mais do que isso: essa relação de dependência se dava também com relação ao modo (a forma) de como as trocas eram feitas: como a Europa dominava o mercado mundial de produção fabril (de fábricas), eles tinham o monopólio de para quem iriam vender, e a que preço, enquanto os Estados Unidos comercializavam um produto que também era comercializado em todos os 5 continentes, e por tanto não tinham nenhum controle sobre as taxas de cambio e valores de troca. A mesma porcão de milho que 1 ano atras fora vendido pelo equivalente a 1000 libras, 1 ano mais tarde, pela superprodução de milho no oriente, seria vendido pelo equivalente a 150 libras. Não suficiente, essa troca era absolutamente necessária para os Estados Unidos, uma vez que o maquinário usado para a colheita do mesmo milho, vinha todo da Europa já que os Estados Unidos não tinha uma indústria capaz de produzi-los. Como ja se ve claramente, assim como perante a guerra de independência, era uma necessidade histórica objetiva a independência dos Estados Unidos – para desenvolver as forcas produtivas do pais, e para criar soberania nacional – quase 100 anos mais tarde também era uma necessidade histórica objetiva – para desenvolver as forcas produtivas e para criar soberania nacional – que os Estados Unidos se industrializasse/ fosse capaz de produzir industrialmente aqueles produtos necessários para sua produção agrícola: do contrário, os Estados Unidos permaneceriam sendo semi-colonia das potencias europeias. E foi exatamente esse o motor essencial daquilo que conhecemos como Guerra Civil, ou Guerra de Secessao de 1861 a 1865. A guerra se deu porque Abraham Lincoln se deu conta de que, mantendo a relação do mercado internacional tal como essa estava estabelecida quando ele chegou ao poder, os Estados Unidos permaneceriam em uma situação de semi-colonia das nações Europeias. Era necessário criar impostos pesados sobre os produtos industriais europeus para que a pequenina indústria estadunidense – ainda em sua fase mais primaria – tivesse condições de concorrer dentro do mercado estadunidense com os produtos Europeus. Isso era obviamente desvantagem para a indústria agrícola, ja que, com impostos mais altos sobre os produtos europeus, os produtos chegariam mais caros as fazendas, diminuindo a capacidade de compra dos ruralistas, diminuindo consequentemente sua capacidade de produção. Isso era desvantagem para os ruralistas também porque, uma vez que os Estados Unidos aumentassem os impostos sobre os produtos europeus, as nações europeias aumentariam também os impostos sobre os produtos estadunidenses provocando assim a inflação dos produtos estadunidenses no mercado europeu, obrigando o comprador europeu a comprar de outros países com preços mais baratos (uma vez que o aumento do imposto não insidiam sobre seus produtos). Os produtos industriais da Europa (devido ao fato de que a Europa já havia passado por um processo de industrialização profundo), eram não somente de qualidade superior, mas também mais baratos, já que as forcas produtivas das potências europeias já haviam se desenvolvido razoavelmente. Isso tudo aparecia não como razoes contra Lincoln, mas como razoes a favor, uma vez que, se os produtos Europeus eram tao superiores aos estadunidenses, tanto em qualidade quanto em preço, a indústria dos Estados Unidos não tinha nenhuma condição de competir com a indústria das potências europeias. Era necessário entao, criar um mercado nacional primeiro para a produção industrial dos Estados Unidos, fortalecendo a indústria, desenvolvendo sua capacidade produtiva, para so entao os Estados Unidos ter condições de disputar mercado com a Europa. E nao seria absolutamente possível criar um mercado nacional para a indústria nacional dos Estados Unidos, sem que fosse estabelecido um aumento significativo dos impostos sobre os produtos Europeus (uma vez que os agricultores obviamente prefeririam comprar produtos mais baratos e de melhor tecnologia, optimizando seus ganhos). E foi assim que os ruralistas iniciaram uma guerra de separação, visando a criação dos Estados Unidos do Sul, evitando assim a diminuição de seus ganhos consequente do projeto de desenvolvimento nacional lançado por Lincoln. Foi tao somente ao final da guerra, com a subjugação das forcas reacionarias representadas pelos agricultores do sul, que os Estados Unidos foi capaz de desenvolver suas forcas produtivas industriais, e de consequentemente libertar-se de sua condição de semi-colonia das potencias Europeias, levando-os a construção de uma nação não apenas forte e poderosa, mas sobre tudo realmente independente. Aqui entao ja vemos que o fator preponderante que divide os Estados Unidos de qualquer outra nação americana reside no fato de que 1) os Estados Unidos não teve medo de enfrentar as forcas reacionarias (contrarias ao desenvolvimento) de seu pais, 2) os Estados Unidos passaram por um processo de independência a diferença de todas as outras nações americanas, não se limitou a uma independência forma, mas se moveu para uma independência real; e finalmente por que 3) os Estados Unidos promoveram um processo nacional de quebra com o imperialismo econômico (representado pelas potências Europeias), promovendo o desenvolvimento de sua Tecnologia, Ciência e de sua Indústria. Hoje (2020), os Estados Unidos Ja e capaz de concorrer com igualdade de condições com todas as potências europeias e paises desenvolvidos do mundo na maioria dos setores, sendo um dos maiores exportadores de produtos industriais e de produtos de exportação secundaria (nao apenas pretoleo cru, mas de pretoleo ja convertido em combustíveis dos mais diversos). Devemos voltar entao a nossa questão subsumida: Como conduzir a nação brasileira a tornar-se uma nação forte e poderosa? Como o exemplo dos Estados Unidos – nação americana fundada sob circunstancia muito similares as circunstância que fundaram a nação brasileira – nos mostra, o caminho para a construção de uma nação forte e poderosa não e outro senão que o caminho do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira. Cabe agora perguntar-nos: em qual estagio do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira o Brasil se encontra? Para formular adequadamente a resposta para essa pergunta, faz-se necessário que localizemos a conjuntura brasileira/ faz-se necessário que saibamos compreender o contexto atual do Brasil. Apos o fracasso dos citados projetos economicos, o Brasil tem visto o Florecer de uma figura como representante da mais legitima causa nacional: Bolsonaro. Com um discurso que adota por diversas vezes a palavra “Patria”, “Nacao”, e que coloca o nome “Brasil” como um baluarte a ser sustentado, Bolsonaro aparece, e apareceu nos Brasil como uma especie da salvador da patria e da nação brasileira, capaz de liderar o Brasil para o seu tao esperado alvorece para o seu tao esperado desenvolvimento. Mas qual e na prática o projeto economico (e por tanto o projeto de nação) de Bolsonaro? Na prática, com pouco mais do que um ano desde que Bolsonaro assumiu a presidência da república seu governo pode ser – de modo geral – resumido em: 1) programas de privatizações; 2) desmonte dos setores públicos (especialmente aqueles relativos a educação); 3) alianças internacionais com nações desenvolvidas. O que tudo isso quer dizer na prática, quanto ao processo de desenvolvimento nacional? Vejamos: uma vez privatizadas as empresas nacionais – que a proposito nao sao muitas – a economia nacional do Brasil perde total e completamente a sua capacidade de re-investimento publico, já que o Estado Nacional passa a fazer menos dinheiro com a venda dos produtos, se tornando um Estado dependente tao somente de impostos e taxas tributarias gerais. Sem capacidade de re-investimento publico, o Brasil se ve despido de capacidade econômica para fomentar a Tecnologia e Ciência, promovendo subsequentemente a industrialização do pais. O re-investimento publico se mostrou – a traves de exemplos concretos da história – um processo altamente eficaz na industrialização da sociedade em geral, tal como os exemplos da Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, que passaram rapidamente de países altamente dependentes e subdesenvolvidos, para entre os países mais desenvolvidos do mundo gracas a um processo profundo de re-investimento publico nas áreas de ciência e tecnologia. Em 2012, se especulava que mais de 60% do PIB desses paises (alguns dos Paises com os PIBs mais altos do mundo)era destinado ao re-investimento publico em ciência e tecnologia. A privatização de empresas Brasileiras promove, por tanto, um desmonte nao apenas da economia nacional, mas também da capacidade econômica nacional, deixando o pais economicamente desnudo (em relação ao Estado Nacional), incapaz de investir em setores estratégicos da economia. O desmonte dos setores públicos (especialmente aqueles relativos a educação), termina de executar o processo. Os ativos da educação – ainda que historicamente nao tenham sido usados propriamente – sao a estrutura básica da qual o pais dispunha, para eventualmente com re-investimentos públicos mais profundos e mais direcionados nos setores de tecnologia e ciência, o pais se tornasse capaz de desenvolver sua indústria. E finalmente as alianças internacionais com nações desenvolvidas, considerando que a moeda de troca do Brasil e cada vez mais fraca, não poderia ser feita de outra forma, senão que fazendo do Brasil um pais subserviente dos interesses dessas nações. Além do que, assim seguimos na direção contraria a direção ao desenvolvimento tomada pelos Estados Unidos. Ao invés de desenvolvermos as forcas produtivas nacionais a traves da criação de um mercado nacional, abrimos nosso mercado já esfacelado a indústria das nações desenvolvidas, esmagando ate mesmo a possibilidade do nascer de uma indústria nacional, que seria facilmente abafada e esmagada pela indústria altamente desenvolvida dos países desenvolvidos. Agora já vemos a resposta para nossa questão: em qual estagio do desenvolvimento de uma tecnologia, ciência e industria brasileira o Brasil se encontra? Agora mesmo, o Brasil anda na contra-mão do desenvolvimento/ agora mesmo, o Brasil destrói todos os elementos mais básicos criados para seu desenvolvimento desde a era Vargas. Lembremos: nao ha exemplos na história de algum pais que tenha se desenvolvido pegando carona no desenvolvimento de paisesdesenvolvidos. Pelo contrario: o que os exemplos histórico concretos nos mostram e que em casos de relações de dependência – tal como o caso do Brasil – o que as nacoes desenvolvidas promover e um desmonte de toda a capacidade do pais de se desenvolver, ao mesmo tempo que drena tudo aquilo que poderia ser usado um favor do pais. O Brasil atual nao apenas se constitui como um fazendão do mundo – vendendo mercadoria barata para comprar mercadoria cara -, sendo um pais total e completamente subdesenvolvido, mas também nesse exato momento o Brasil caminha na direção de sua aniquilação como economia e na direção de sua aniquilação como Estado Nacional/ Nacao Soberana. Mas vejamos: ao mesmo tempo que a história nos mostra que andamos de marcha-re, ela nos ensina como abandonar nossa condição de pais subdesenvolvido/ de pais subserviente dos interesses econômicos de nações desenvolvidas. E necessário promover a Industrialização imediata do Brasil, re-investindo em setores públicos dedicados a fomentação da Ciência e Tecnologia. Somente assim o Brasil poderá se desenvolver como nação forte e poderosa, tornando-se capaz de expurgar todas as suas mazelas internas. Os exemplos dos Estados Unidos, e das nações nórdicas e claro sobre isso. Agora e preciso entender que o contexto histórico do Brasil atual não e o mesmo dos Estados Unidos da época da guerra civil, nem e o mesmo dos países nórdicos. E necessário então reconhecer dentro da conjuntura brasileira quais são as forcas reacionarias que barram nosso desenvolvimento enquanto nação. A primeira dessas forcas, e a mais obvia e o liberalismo. A ideia de que com uma abertura abrupta do mercado nacional o Brasil se desenvolvera, uma vez que recebera investimentos externos de setores. Essa perspectiva nao leva em conta que o uso de tecnologia importada custa royalties impressionantes aos cofres públicos, de modo que essas empresas internacionais que vem ao Brasil, prestam um desserviço ao desenvolvimento nacional: cobram royalties pelo uso da marca – que sao pagos aos paisesde onde a tecnologia originalmente veio (tal como a existência de uma Volkswagen no Brasil nos obriga a pagar para a Alemanha pelo uso da marca) –, nao difundem a tecnologia (de modo que nao torna possível que usemos a Volkswagen para produzir uma tecnologia de carros Brasileiros), e ainda usam a mao-de-obra barata do pais, sucateando o trabalho como um todo (obviamente, ainda que a tecnologia seja alema, e muito mais vantajoso para a marca montar uma fábrica no Brasil, aonde se paga muito pouco/ se paga muito mal pela mao de obra, do que na Alemanha, aonde os trabalhadores com todos os seus direitos, são muito mais custosos para a produção). Hoje em dia já se ve um fenômeno bastante sintomático disso que e o fato de que essas fábricas de alta tecnologia europeia, se estabelecem em países pobres para produzir, e depois vende esses produtos em países ricos, porque mesmo com o preço do transporte, a produção fica mais barata feita na periferia do sistema do que nos países centrais, aonde os salários por si so ja representam um obstaculo maior para o ganho dos capitalistas, do que a importação dos produtos. Assim, como eles não podem explorar tanto o trabalhador em seus países – trabalhadores esses que já conquistaram alguns direitos -, preferem explorar trabalhadores da periferia do sistema capitalista. Entao vemos claramente como o liberalismo e uma forca reacionaria que age contra os interesses nacionais, e atua promovendo o não desenvolvimento das nações subdesenvolvidas. O liberalismo so e bom e funciona muito bem para as nações desenvolvidas que, usando-se dele, ganham vantagem absoluta no mercado internacional perpetuando para sempre os seus privilégios. Outra dessas forcas reacionarias que age no Brasil contra o desenvolvimento nacional, e age como obstaculo ao desenvolvimento nacional e a atual burguesia brasileira que, assim como a dos Estados Unidos de antes da Guerra Civil, e majoritariamente formada por ruralistas. E as contradições entre essa classe social e o desenvolvimento nacional do Brasil ja estao explícitos pelo exemplo dos Estados Unidos. Os ruralistas, como classe social, sao completamente dependentes do capital estrangeiro, e por tanto contrários ao desenvolvimento de um capital nacional que necessariamente passa pela ruptura com o capital estrangeiro como necessidade para se atingir a industrialização do Brasil. Assim como nos Estados Unidos de quase 200 anos atrás, nossa burguesia ruralista vende grãos e carne para todo o mundo, para comprar a maquinaria necessária tanto para plantar como para a criação de animais. E dessa forma nos mantemos em relação ao mundo desenvolvido em uma condição de semi-colonia, vendendo barato para comprar caro, e vendendo o mesmo que inúmeros países vendem, para comprar o que tao somente alguns produzem. Dessa forma, esses poucos países que produzem maquinaria agrícola tem voz de mando e desmando no mercado mundial, chegando mesmo a ditar o preço pelo qual a carne e os grãos brasileiros serão vendidos. Como atualmente a realidade social do Brasil não e condizente com a dos Estados Unidos da época, não faz sentido entrar em guerra para tao simplesmente barra-los politicamente. Se faz necessário retirar sua forca politica, que tal como qualquer forca politica e forca econômica. A forca politica dos ruralistas brasileiros se expressa pela sua posse de terras, e por tanto tao somente uma reforma agraria, com distribuição das terras para pequenos produtores, e produtores familiares permitiria aniquilar o poder economico dessa classe social (da burguesia ruralista), permitindo concomitantemente taxa aumentar os impostos sobre certos produtos industriais agrícolas comprados do exterior, permitindo finalmente o nascimento, desenvolvimento e prosperar de uma indústria nacional, através de edificação de um mercado nacional para essa industria, ate o seu desenvolvimento, no qual poderemos concorrer no mercado internacional. Manter as terras da burguesia agraria significa dar poder econômico a burguesia agraria. E dar poder econômico a burguesia agraria significa dar poder politico a mesma, uma vez que com poder econômico a burguesia agraria tem recursos para financiar a candidatura (tal como ja o faz) de candidatos que a represente a despeito dos interesses nacionais. Daixar o poder econômico nas maos da burguesia agraria significa deixar o poder politico em suas maos, uma vez que a burguesia agraria financia toda forma de propaganda (através dos aparelhos de mídia existentes – Globo, SBT, Record, Veja, etc), que lhe seja conveniente, promovendo todas as formas possíveis de calúnias contra as tentativas reais de promover a soberania nacional. Tal como ja foi expresso indiretamente ao tratarmos da burguesia agraria, outra das forcas reacionarias que atuam no pais e o capital estrangeiro, que aliciado a burguesia agraria (ou dito de outra forma: tendo a burguesia agraria como seu agente dentro do território nacional), financia diretamente o desmonte do poder publico, e/ou de qualquer instituição capaz de promover independência nacional real. Finalmente a última – não a ultima existente, mas uma das principais – forcas reacionarias existentes e atuantes no Brasil, são as Agências de Estado Americanas. Essas usadas pelos Capital Estrangeiro como Imediato no Brasil, financiam toda forma de propaganda e ação politica contraria a soberania nacional, uma vez que, obviamente, com um Brasil dependente/ com um Brasil semi-colonia, as potências estrangeiras faturam muito mais. Todos essas cinco juntas (Capital Estrangeiro, através das Agências de Estados Americanos, usando os Ruralistas para difundir o Liberalismo {Capital Estrangeiro; Agências de Estados Americanos; Ruralistas; Liberalismo}), constituem as forcas mais violentamente retroativas do Brasil/ constituem os inimigos numero 1 do povo brasileiro, dos interesses nacionais, do desenvolvimento nacional, do desenvolvimento de uma nacao forte, soberana e poderosa, e por tanto estão intrinsecamente ligados a todas as mazelas sociais das quais os Brasil e o povo brasileiro em geral (com todas as suas classes) e vítima. A aniquilação dessas forcas reacionarias e fator sine-qua-non para o desenvolvimento nacional, e para a realização de uma independência nacional plena/ para a realização dos destinos do povo brasileiro. Sem a aniquilação dessas forcas reacionarias nao sera possível promover no Brasil um processo de industrialização e de fomento a ciência e tecnologia. E sem um Brasil industrializado, com fomento a ciência e tecnologia, nao ha como o Brasil passar de sua condição de pais subserviente para nação forte, soberana e poderosa. Assim vemos que a superação das forcas reacionarias que atuam no Brasil de hoje, se da como uma necessidade histórica objetiva para a superação da situação de coisas em que o Brasil se encontra.
submitted by Emile-Principe to BrasildoB [link] [comments]


2019.12.14 01:11 simonekama Será Que O Ideias Para Bares Vai Morrer? Saiba mais agora!

Será Que O Ideias Para Bares Vai Morrer? Saiba mais agora!
Parece até um milagre! Mas, na verdade, é apenas o resultado que criação de arte estão atingindo com essas dicas que vou te apresentar neste artigo.
E, se essas pessoas conseguem fazer, você também conseguirá! Basta conhecer mais sobre ideias para bares em marketing para restaurantes e nesse como fazer flyer de festa e com toda certeza você vai se surpreender.
Você consegue se livrar de promoter de festa se tiver as informações certas!
Se você é propaganda de bar, você definitivamente não pode ficar de fora, pois este é o momento de você estar mais próximo de vencer promoter de festa e alcançar o tão sonhado arte para restaurante.
arte para restaurante é bom e todos gostam. Este é o momento de aprender definitivamente o que fazer.
Com certeza seus resultados serão incríveis se você colocar em prática os marketing para restaurantes apresentados aqui nesse conteúdo de hoje!
Você sabia que para saber bem ideias para bares? Não é preciso absorver tantas e tantas marketing para restaurantes e como fazer flyer de festa sobre isso? Veja este simples artigo com dicas simples.
criação de arte, mesmo alguns já sendo conhecidos por ser tão profissionais e bons no que fazem, ainda enfrentam problemas quando falamos de promoter de festa.
A um passo de arte para restaurante.

Utensílios de qualidade

Para que a experiência do cliente seja sempre agradável, é importante apostar na qualidade e beleza dos utensílios oferecidos. Os copos, pratos e talheres, por exemplo, devem estar sempre limpos e em ótimas condições.
Outro detalhe importantíssimo são os guardanapos de papel. O ideal é oferecer itens que possuam uma ótima capacidade de absorção, como os produtos da Relevo.
Considere que, lidando frequentemente com bebidas, é inevitável que líquidos sejam derramados de tempos em tempos. Se os guardanapos oferecidos pela casa são do tipo que não absorvem ou que se desmancham facilmente, os clientes usarão muito mais peças para lidar com o problema. Além disso, a ineficiência dessas peças causa incômodos para o consumidor.

Etapas Que Vão Turbinar Seu Ideias Para Bares Se Seguir Passo-A-Passo

Eu sempre soube que um dia arte para restaurante seria possível, com métodos cada vez mais fáceis e rápidos…
E é exatamente por isso que decidi publicar esse meu artigo hoje, pois promoter de festa pode ser resolvida com o que se chama Sistema para balada, e vou dizer o porquê…
Se você souber como lidar com isso, vai perceber que é possível mudar várias áreas da vida aplicando os conceitos de ideias para bares no seu dia a dia. Na sua jornada como propaganda de bar pode ser desafiante arte para restaurante, deixando de lado promoter de festa, mas com as informações desse como fazer flyer de festa vai ficar empolgado.
Ação é a solução. Quando parece que arte para restaurante está longe, continuar agindo e caminhando é o que irá fazer com que não paremos pelo caminho, deixando promoter de festa nos abater.

Como Fazer Um Vídeo Matador Para Profissionais De Ideias Para Bares

Você sabia que os principais motivos pelo qual criação de arte não conseguem vencer as barreiras de promoter de festa está no que eles acreditam?
Se hoje você está com frustrações e mais frustrações por promoter de festa, experimente, sem compromisso ver esse como fazer flyer de festa aqui, e veja como essas marketing para restaurantes podem salvar sua pele!
Você foge de promoter de festa? Então veja isso!
Finalizando… Eu quero deixar aqui bem claro a minha opinião sobre Sistema para balada…
Quando as ideias acabam, AGIR é a solução! Você já se pegou com promoter de festa em algum momento quando estava tentando arte para restaurante? Se já… Esse artigo de hoje é justamente para você propaganda de bar! Leia com atenção e você vai se empolgar.
Muitas vezes, pessoas que trabalham com ideias para bares tendem a ajudar todas as pessoas que são criação de arte em busca de arte para restaurante. E esquecemos que dizer “não” é importante algumas vezes…
Você consegue se livrar de promoter de festa se tiver as informações certas!

Quais as ações de marketing para restaurante que podem ser usadas?

Separamos para você algumas ações que vão lhe fazer mudar a forma de trabalhar em seus estabelecimentos. Vejamos quais são elas!

Reforçar o seu marketing de relacionamento

Caso o cliente tenha uma boa relação com seu restaurante, ele pode divulgar a sua cadeia de contatos de maneira atrativa, sugerindo a visita das pessoas.
Abaixo seguem algumas dicas de marketing muito relevantes para que utilize no seu restaurante e consiga expandir seu engajamento com os clientes:
  • desenvolva um programa de fidelidade;
  • foque no atendimento ao cliente;
  • segmente os seus clientes e realize campanhas personalizadas;
  • invista em estratégias contínuas de marketing;
  • monitore os resultados das campanhas;
  • eleja um canal para se comunicar melhor com os seus clientes.

Usar a geolocalização para segmentar clientes

Essa ação pode potencializar o seu marketing indicativo, estimulando os seus consumidores a falarem bem do seu restaurante e da sua comida, conquistando, desse modo, mais clientes.
Hoje, as pessoas utilizam a internet para quase tudo, inclusive para localizar os melhores restaurantes especializados em gastronomia diferenciada.
Mas, o que você talvez não saiba é que é possível aproveitar o IP ou GPS dos usuários para entender melhor os seus perfis de consumo — e, assim, acompanhá-los e segmentá-los mais facilmente.
Não há mais tempo a esperar. Este é o momento que todos os criação de arte estavam esperando: A hora de fazer arte para restaurante acontecer é esta!
Se cada propaganda de bar soubesse a importância do Sistema para balada para arte para restaurante…
Você sabia que os principais motivos pelo qual Marketing bar não conseguem vencer as barreiras de como fazer flyer de festa está no que eles acreditam?
Muito tem se falado sobre ideias para bares hoje em dia. É um assunto que muitos falam, mas não necessariamente muitos entendem…
Escute os que estão a mais tempo no assunto sobre ideias para bares
É possível que os conceitos de ideias para bares sejam aliados na sua vida e no seu cotidiano. Deixo aqui a minha recomendação final desse arte para restaurante que você vai encontrar vários como atrair cliente sobre Sistema para balada. Se colocar em prática, com certeza irá sistema para bar e restaurante.

Entretenimento

Sair para jantar e escutar uma boa música ao vivo é bastante prazeroso, mas sair para jantar e não conseguir nem se comunicar com o garçom é bem frustrante. Se você for oferecer forma de entretenimento tal como música ao vivo, garanta que está fazendo um bom trabalho e não atrapalhando seus clientes, com um volume adequado e com mesas longe o suficiente para aqueles que não estão ali pela música.
Indo mais a fundo na questão de entretenimento, tem muitas opções que você pode utilizar para chamar atenção do público atual e ainda atrair um novo público ao seu estabelecimento. Como, por exemplo:
  • Disponibilizar jogos de cartas e tabuleiros
  • Fazer um espaço com mesas de sinuca
  • Instalar arcades
  • Fornecer uma noite de karaoke
  • Fazer transmissão de eventos esportivos
Estava sentando no meu sofá, e resolvi deixar esta dica incrível sobre ideias para bares. Eu já tive boas experiências em sistema para bar e restaurante. Mas, confesso que já enfrentei algumas vezes o fato de como fazer flyer de festa. Se eu consegui, posso compartilhar com você que está começando como casas noturnas.
Você que é casas noturnas costuma estar por dentro quando o assunto é como atrair cliente de ideias para bares, né? Então, vai ter que pregar seus olhos nesse meu texto aqui… Hoje eu estava inspirado para dar dicas revolucionárias sobre como fazer flyer de festa.
como fazer flyer de festa não pode te parar. Veja como contornar isso!
E isso não termina aqui, acompanhe meus próximos conteúdos pois estarei publicando mais informações sobre sistema para bar e restaurante.
Não julgue para não ser julgado. Essa frase mexeu com você? Então, você precisa ler este artigo. Hoje, decidi falar sobre o problema de como fazer flyer de festa. Se você se identifica com a situação, ou está passando por esse problema nesse momento… Veja essas como atrair cliente.
Se você souber como lidar com isso, vai perceber que é possível mudar várias áreas da vida aplicando os conceitos de ideias para bares no seu dia a dia. Na sua jornada como casas noturnas pode ser desafiante sistema para bar e restaurante, deixando de lado como fazer flyer de festa, mas com as informações desse arte para restaurante vai ficar de queixo caido.

Promova seu restaurante nas mídias sociais

A mídia social é uma ótima maneira de se conectar com seus clientes e exibir seu restaurante no espaço digital, reforçando o que torna seu restaurante único. Com mais e mais pessoas enxameando plataformas de mídia social como Facebook e Instagram para compartilhar suas experiências, é crucial que as empresas saibam como se conectar com os clientes que usam essas plataformas.
Outros benefícios do engajamento de mídia social são:
  • Direcione seus clientes diretamente.
  • Transforme os clientes em porta-vozes.
  • Marketing livre
  • Melhora a confiança e lealdade à marca.

Anuncie na sua região

Que tal colocar o nome do seu restaurante na parte de trás do recibo ou carrinho de compras de uma mercearia? Dessa forma, você está promovendo os negócios uns dos outros e criando um relacionamento com alguém da comunidade com quem seu produto está relacionado. Você também pode oferecer descontos para quem vai ao supermercado. Essa não é apenas uma ótima maneira de divulgar e anunciar sua empresa, mas também de oferecer suporte a outra empresa local.
Por que às vezes, é necessário dizer “não”? E como isso pode impactar na sua evolução para sistema para bar e restaurante com sucesso? Hoje, você vai ver não apenas como atrair cliente, como também um poderoso arte para restaurante que eu vou recomendar para matar seu problema de como fazer flyer de festa!
Por que ideias para bares ainda tem tantos tabus?
Conseguir sistema para bar e restaurante muito mais rápido do que um piscar!
Ideias Para Bares

https://preview.redd.it/s0bf3y5yqh441.jpg?width=400&format=pjpg&auto=webp&s=7d04e88ceb0c41b3b7ed66a19d64936c40f8ed75
submitted by simonekama to u/simonekama [link] [comments]


2019.10.28 08:22 altovaliriano Showrunnes falam sobre Game of Thrones no Austin Film Festival

Ontem a tarde (27/10), a usuária (acho que é mulher) do twitter de nickname "Needle & Pen" esteve na platéia da coletiva com David Benioff e Dan Weiss e tuitou, entre as 05:12 e as 06:32h, algumas das coisas que ouviu de ambos em uma imensa thread na rede social.
Eu traduzi a thread, sem os comentários que ela fez após o evento acabar.
Confira abaixo:
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2019.05.10 07:05 giulianosse Apatia; viver faz ainda menos sentido e literalmente não vejo saída pra isso

Aviso que isso vai ser longo. Provavelmente ninguém lerá até o fim, mas eu juro que tentei resumir o máximo que pude.
Background: 2018
Eu, 23 anos, basicamente um fracasso em quase todos os aspectos possíveis da vida.
Em julho descobri que seria jubilado no final do semestre após cursar 4 anos de um curso que eu amo em uma das faculdades mais prestigiosas do país pois não tinha vontade e ânimo de estudar (dificuldade de me adaptar = DPs = poucos amigos)... mas tudo bem
Sempre tive poucos amigos. Muitos colegas e conhecidos, mas poucos amigos de verdade. Sou super introvertido, mas depois que conheço mais a pessoa me torno o cara mais extrovertido do planeta. Não gosto de ir em festas e baladas onde não conheço ninguém, mas adoro passar uma noite enchendo a cara e falando/fazendo merda no boteco mais sujo da cidade com meus amigos. Sempre tive sobrepeso, fui feio e tive zero auto-estima, então nunca aprendi a me aproximar de alguém novo... mas tudo bem
Tenho os hobbies mais caseiros possíveis: livros, séries, jogos e filmes. Porém, assim como minha persona social, sou esquisito e sou doido de vontade de fazer outras coisas mais "ao ar livre" tipo viajar para outras cidades/países, ir em shows, festas, praticar um esporte; só faltava companhia mesmo... mas tudo bem.
Nunca tinha tido uma relação amorosa. Pior, sequer consigo conversar direito com meninas. Apesar de não ser mais bv, ainda assim era virgem e nunca tinha sentido vontade de ter um relacionamento... mas tudo bem.
Digo "tudo bem" pois eu aceitava perfeitamente a minha mediocridade. Eu não era feliz, mas de certa forma conformado e satisfeito com a minha situação... e isso era o que importava. Era contente e deixava a vida me levar.
Aí chegou setembro.
Logo no começo do mês, viajei com uns amigos e passamos um fim de semana enchendo a cara em um sítio, como fazemos semi-regularmente. Sempre vão basicamente as mesmas 8-10 pessoas, às vezes alguém novo. Eis que o impossível acontece: uma garota da minha idade, amiga comum de todos os meus companheiros (todos na casa dos 28 anos pra cima), também foi. Inicialmente eu não dei a mínima, mas aconteceu que ela estava 100% interessada em mim. Até eu, um zero a esquerda nesse assunto, notei isso na hora.
Enfim, por iniciativa dela acabamos se pegando (e eu, na ansiedade e pânico do momento, acabei nem me despedindo dela quando fui embora no domingo hahaha)
No dia seguinte, resolvi adicionar ela no Facebook (como faço com todas as pessoas novas que conheço) e, pasmem, ela vem puxar assunto. No começo, mal conseguia responder. Ela teve muita insistência em continuar me dando trela. Papo vai, papo vem e acabo "descobrindo" que ela estava realmente interessada em mim.
Acabou que, em basicamente uma semana, estávamos trocando mensagens todos os dias e conversando basicamente o dia inteiro sobre tudo, tudo mesmo. Contei coisas pessoais que nunca tinha falado pra ninguém. Ouvi, também. Éramos compatíveis em literalmente tudo. Nos abrimos como livros. Nunca havia sequer imaginado que poderia ser íntimo assim com outra pessoa em minha vida.
Acabou que, obviamente, nos apaixonamos. No começo foi meio estressante (duas semanas depois, primeiro encontro, eu já a pedindo em namoro e ouvindo um "não" porém continuamos interagindo da mesma maneira; ela ficando com outras pessoas em um bar e depois vindo contar, chorando, que não podíamos ser nada além de amigos; ela mudando de opinião 180º um fim de semana depois) mas deu que acabamos por enfim namorar.
Não quero me prender muito aos detalhes, mas apenas gostaria de dizer que foram os melhores três meses da minha vida. Eu a amei, e era tudo absolutamente 100% recíproco. Fizemos planos, fomos descobrindo ainda mais coisas e hobbies que éramos compatíveis... até brincávamos que estávamos bancando o Juscelino Kubitschek edificando Brasília - 50 anos em 5 - pelo ritmo das coisas. Não sou muito de filmes românticos, mas eu ainda acredito que nossa paixão era melhor que 95% de todos os roteiros e scripts que alguma vez já foram lançados no cinema (assistam "Spring" - além de ser um filme pica d+, é basicamente uma alegoria 1:1 do nosso namoro até então. Ficamos até meio chocados quando assistimos)
Nesse período eu também dei um duplo twist carpado na personalidade - minha auto estima foi de negativo a 100, comecei a me vestir melhor, fiquei mais extrovertido - as pessoas sempre nos chamavam para participar de qualquer coisa - e animado, comecei a expandir meu círculo social; passei no vestibular - extremamente concorrido e difícil da mesma universidade que fui desligado - sem estudar absolutamente nada, estava pronto para arranjar um estágio/emprego na área que sempre sonhei... Evoluí pessoal e profissionalmente nesses 3 meses o que não havia feito em 5 anos.
Começou 2019.
Tudo estava correndo na mais perfeita normalidade... até mais ou menos a metade de janeiro. No período de uma semana, um interruptor mudou nela. Da mesma maneira que a relação esquentou, esfriou... porém sem nenhum motivo óbvio. A mudança foi de nível "trocar 300 mensagens melosas por dia e o caralho a quatro" e contar os segundos até que pudéssemos nos ver novamente pra "tô cansada e ocupada, só posso falar de noite" e ficar indiferente quando finalmente nos encontrávamos.
No último dia do mês ela terminou por telefone. Ela disse que "não estávamos na mesma fase de vida" (ela havia terminado uma relação de 6 anos no começo de 2018) e que se isso continuasse ela iria me tratar ainda pior a cada dia que passasse, como foi com o ex dela. Disse que gostaria de continuar "sendo amigos", mas nem isso acabou por ser recíproco. Provavelmente queria aproveitar a vida e não arrumar outra relação séria tão cedo, enfim.
Antes que alguém pense nisso - não, eu não estava sendo traído nem nada do estilo. Disso eu tenho absoluta certeza pelo que eu conhecia dela. E também não digo que eu não tive culpa de nada - durante o último mês da relação, a falta de reciprocidade estourou a minha ansiedade pra mil e isso mais que certeza contribuiu bastante pro final.
Para a surpresa de ninguém, isso foi como um tiro pra mim. Não esperava um término de fato, ainda mais sem nenhuma explicação. Mas o pior do pior de tudo foi o pós - agora, no caso.
Pense em alguém que esteve a vida inteira caído no chão. Um belo dia, alguém lhe dá a mão e a ajuda a levantar. Assim que a pessoa, por fim, finalmente fica de pé, alguém passa uma rasteira por trás e a pessoa volta a cair no chão.
Como eu falei, antes eu era medíocre, mas era conformado. Hoje eu voltei à mesma mediocridade, mas não consigo mais me contentar após ter visto "o outro lado" da vida. Como era bom ter uma pessoa na vida que realmente se importava com você. Como era ser amado por outra pessoa. O que é intimidade. Como é bom ser valorizado pelo que você é.
Infelizmente, tudo que conquistei acabou por voltar ao modo que era antes. Estou na mesma merda em relação à faculdade (falta de ânimo pra estudar = fazer poucas matérias no semestre = deixar de me enturnar com os outros calouros = suicídio social 2.0), não consegui um estágio, tenho quase 24 anos sem experiência profissional, sem um diploma, sem círculos sociais novos.
Nem tudo foi pro lixo. Ainda mantenho o meu peso (lá pra maio do ano passado comecei a fazer uma dieta que emagreci 25kg em 6 meses - me perguntem sobre jejum intermitente que eu sou profissa nisso!) e me sinto 1% mais confortável no meu corpo, minha relação com o meu pai melhorou e não perdi nenhum amigo que tinha após o termino (tanto porque nosso círculo social era o mesmo).
Porém, eu tenho vontade de acabar com tudo todos os dias.
Diversas pessoas me contaram, na época, que isso ia passar. Eu ainda penso nisso quase todos os dias. Pior ainda pois estou bem desocupado (tenho só 2 aulas por semana).
Venho tentando ser o mais social possível, organizando bares, encontros entre amigos, programas, churrascos... tudo pra ter um pouco de companhia. Mas, eu te pergunto, e aí? Todos meus amigos, por serem mais velhos, tem suas responsabilidades e não estão sempre disponíveis. Sem contar que eu sinto que a cada dia eles estão se enchendo de mim, por eu estar projetando toda essa carência (só conversei sobre meu término de vdd com um dos meus amigos, que além de ser família eu o considero praticamente como um irmão)
Nunca fui fã de acreditar em destino, mas vira e mexe me pego pensando "será que ela era 'a minha alma gêmea' e como eu caguei na oportunidade ficarei solitário pelo resto da minha vida?". Leio milhões de relatos na Internet de pessoas que são solteiras com seus 30, 40, 50 anos e me vejo no lugar delas. Tentei por um tempo dating apps mas foram poucas pessoas que me interessaram, ainda menos que sequer responderam minhas mensagens e nenhuma até agora que sequer deu a mínima bola. Me considero um 6 de aparência, mas sempre me prezei pelo meu humor e capacidade de conversa. Fato é que ninguém me quer.
Com toda certeza também nunca encontrarei alguém como ela na minha vida. Isso não é papo e sim praticamente um fato. Quais as chances de alguém, além de me achar interessante e bonito, dar a iniciativa que está afim de mim, me dar bola, ser bonita, possuir os exatos mesmos gostos e hobbies, mesma personalidade, mesmo senso de humor, maturidade... mesma porra toda? E ainda possível conhecer ela por intermédio de amigos? Absolutamente zero.
E é por isso que não vejo mais sentido nessa vida. Só estou prolongando o meu sofrimento e apatia a cada dia que passa. Estamos já quase na metade do ano em um piscar de olhos e sinto que tô jogando minha vida no lixo. Francamente, meu desejo de viver acabou quatro meses atrás e atualmente eu sou apenas um zumbi vivendo em função do momento. Não há um dia que passe e eu não pense em como seria reconfortante dar um fim nisso tudo.
Se você leu até aqui: meus eternos agradecimentos e desculpas por ser algo tão patético. Desabafar me trouxe um alívio momentâneo, mas atualmente é tudo que eu tenho.
submitted by giulianosse to desabafos [link] [comments]


2019.04.24 02:30 Spookycliquebr Twenty One Pilots para a NME [traduzido]

As filiais da B&Q em Birmingham devem estar fazendo um grande comércio de fita adesiva amarela. Fora do Resort World Arena da cidade, em 27 de fevereiro, os adolescentes estão aplicando-o avidamente ao uniforme verde do exército. À medida que mais tropas descem - com lenços de pescoço amarelos usados ​​como máscaras - é como um elenco para uma versão júnior de The Purge.
Os espectadores podem ser perdoados por presumir que uma demonstração Anônima vai acontecer, mas esta é a Skeleton Clique, superfanbase ferozmente dedicada de Twenty One Pilots, esperando do lado de fora do local seis horas antes do duo de Ohio estar no palco para dar o pontapé inicial no Reino Unido de sua gigantesca Bandito Tour.
Eles fizeram meticulosamente cosplay dos uniformes do vocalista Tyler Joseph e do baterista Josh Dun na arte e vídeos apocalípticos de seu último álbum, "Trench". Alguns se sentam esboçando fotos de seus ídolos. Um aperta um banner estampado com as palavras "VOCÊ SALVOU MINHA VIDA".
É apropriado, porque Twenty One Pilots - com seus principais temas de insegurança, saúde mental e fé - é uma banda perfeita para salvar a vida, uma referência para aqueles que acham que ninguém os entende.
No papel, no entanto, eles são desafiadoramente estranhos. Com "Trench", eles criaram um mundo mítico de alto conceito - que pode confundir até mesmo os roteiristas de Lost. Vagamente, sua trama diz respeito a uma cidade alegórica chamada Dema e os nove bispos ditatoriais que impedem seus habitantes de escapar - e a força rebelde de bandidos que buscam libertá-los. Mas há muito mais do que isso.
Longos sub-threads Reddit são dedicados a decodificar significados ocultos em músicas e decifrar pistas em cada peça de mídia que a banda lança. Há muitos ovos de páscoa: por exemplo, o nome completo de 'Nico' da música 'Nico e os Niners' - um grande inimigo - é Nicolas Bourbaki, que é o pseudônimo coletivo para os cientistas que inventaram a notação de zero - o ø usado na marca de twenty one pilots.
Musicalmente, eles são igualmente pouco convencionais: uma geração Spotify pós-gênero mistura de estilos que facilmente se exercitam através do rap, reggae, R&B, prog, electro-pop, indie - basicamente, eles voltaram a mão para tudo “Canto da garganta mongol”. No entanto, de alguma forma, é verdade que "Blurryface" - seu quarto álbum inovador - enviou o duo estratosférico em 2015, permitindo que o baterista Josh Dun fizesse seus backflips de marca regristrada nos maiores palcos do mundo.
Nos bastidores da arena, os assistentes [de palco] estão montando a elaborada e visualmente espetacular produção de Bandito, que envolve um carro em chamas, e dublê [de corpo] que permitem que um Tyler vestido de capuz desapareça e reapareça, como Houdini, no meio da música, em diferentes partes da arena.
Versões de brinquedos peludos do Ned - o personagem CGI gremlin que eles introduziram recentemente no vídeo "Chlorine" - sobre os alto-falantes. Quando nós primeiro pegamos um vislumbre de Josh - conhecido por suas acrobacias - ele está tocando bateria de ar e fazendo piruetas no ar para suas próprias músicas. Mais tarde, ele e Tyler brigam com os aspiradores de pó que estão sendo usados ​​para aspirar o palco.
Mas eles têm foco de laser. Na música de "Trench", "Bandito", Tyler canta: "Eu criei este mundo para poder sentir algum controle", e você acha que isso se estende a todos os aspectos da banda. Sua pequena equipe de proteção vem de sua cidade natal, Columbus, e tudo o que a NME faz com a banda acontece sob o olhar atento de seu círculo íntimo.
Durante nosso bate-papo de 70 minutos, o gerente da turnê está parado na porta do camarim, aumentando a sensação de que você pode ser transportado para um bunker, emergindo meses depois, reprogramado e enrolado em uma fita adesiva amarela.
Felizmente, a banda é charmosa e solícita. O principal compositor, Tyler, vacila de ser intenso a imbecil ("Nós passamos tanto tempo juntos, eu sinto que sei tudo sobre John", ele brinca com Josh).
Quando ele está dizendo algo revelador, evita o contato visual. Josh é seu lastro lúdico, tendendo a sentar em silêncio e participar apenas quando há uma piada. Nem xinga - nem sequer uma vez. Tendo vindo direto de uma sessão de autógrafos do HMV, Tyler está preocupado com sua voz. "Eu tentei não falar com nenhum deles, mas não posso evitar", diz ele. "Eu fico tipo: 'Muito obrigado por ter vindo, de onde você veio?'"
Eles parecem ser tocados pelos extremos aos quais seus apoiadores foram. Do lado de fora, os fãs até se agitaram vestidas como "bispos" em roupas vermelhas enquanto na Rússia, roupas de banana apareceram na multidão - uma piada sobre como Tyler e Josh, ambos com 30 anos, têm aversão à fruta.
"Nós fornecemos apenas alguns pedaços da inspiração, mas eles são os únicos que se tornaram o motor da coisa toda", diz Tyler. Além de Tyler uma vez "ficar na fila por oito horas, quando The Killers tocou minha cidade natal", nenhum deles foi a extremos extraordinários para seus grupos favoritos. “Nós desejamos que o nível de cultura dos fãs estivesse por perto quando éramos mais jovens”, observa Josh. "Porque muitas dessas histórias sobre como essas pessoas se conheceram e como elas se tornaram melhores amigas quando estão esperando na fila por horas e dias são inspiradoras e legais."
"Blurryface" tornou-se o primeiro disco da história a ter cada uma das músicas certificadas pelo menos em ouro. Quando eles colecionaram o Grammy em 2017 para Melhor Performance de Pop Duo / Grupo para o single "Stressed Out" (batendo Rhianna e Drake, e Sean Paul - um homem que os descreveu como "o novo Nirvana"), eles tiraram seus boxers em o caminho para o palco, lembrando-se de como uma vez eles assistiram ao show de premiação em suas calças em Columbus e disseram: 'Se algum dia ganharmos um Grammy, deveríamos recebê-lo assim'.
É indicativo de sua ambição. Tendo formado Twenty One Pilots como um trio na universidade em 2009, Tyler recrutou Josh e perdeu dois membros em 2011. “Desde o início, tínhamos grandes visões e sonhos de onde queríamos estar, então nada nos pegou de surpresa”, diz Josh , imperturbável. "O que seria mais surpreendente para as pessoas é quantas vezes nos olhamos e dissemos: 'Sim, é exatamente isso que imaginamos e o que vimos'.
Durante o ciclo "Blurryface", eles se lembram de vender pequenos clubes, teatros e arenas no mesmo ano. "Quando você diminui o zoom, você pode pensar: 'Ah, isso foi muito louco'", diz Josh. "Mas nós estávamos em turnê desde 2011 tocando em shows todas as noites, então você está perto demais para perceber isso. É como quando seu tio, que não o viu por um ano, chega e diz: "Você ficou muito alto".
As coisas mudaram, no entanto. Questionado sobre quem é o contato mais famoso em seu telefone, Tyler passa pela sua lista de contatos antes de parar em Chris Martin ("Isso é incrível de dizer em voz alta", ele ri) - o vocalista do Coldplay certa vez deixou uma mensagem de voz sobre a banda. Josh responde: Eu cresci ouvindo uma tonelada de Blink [182], então pensar que nos últimos anos eu me tornei amigo de Mark [Hoppus], é surreal. Quando eu era adolescente, eu nunca teria imaginado que iria trocar mensagens com ele.
Em outubro, quando lançaram 'Trench' - após um apagão de um ano sem envolvimento de mídias sociais ou shows, e uma trilha secreta para os fãs seguirem levando ao seu anúncio - ele só foi derrotado nas paradas por Lady Gaga e Bradley Cooper, com ‘Nasce Uma Estrela'.
Você pode argumentar que é igualmente cinematográfico: as pessoas sugeriram a Tyler que eles deveriam expandir suas promessas distópicas em um longa-metragem. "A intenção nunca foi, 'vamos escrever um disco que tenha força suficiente para se transformar em uma série da Netflix', mas é legal saber que criamos algo com substância suficiente para sabermos que essa pergunta está sendo feita", ele nega.
Além disso, embora camuflada na fantasia, e a mitologia Dema, com suas referências a religiões antigas como o zoroastrismo, "Trench" é, na verdade, uma dissertação sobre saúde mental do final de vinte anos. Nas composições, como nas conversas, Tyler diz suas coisas mais interessantes quando ele não olha nos seus olhos.
Tendo a narrativa preparada “durante anos”, ele tentou introduzi-la em “Blurryface”, cujo personagem principal é uma personificação de sua ansiedade e insegurança. Durante esse tempo, ele até se apresentou com as mãos e o pescoço revestidos de tinta preta - para representar o aperto tóxico de sua ansiedade. A maneira como ele descreve "Trench" é semelhante a um mapa psicanalítico do Google.
"É sobre usar a arte de contar histórias para entender melhor um problema muito menos fantástico que está navegando em sua própria psique e dando a ela um destino e lugares que você deve e não deve ir e os personagens que deve evitar. E isso pode ser encontrado dentro da luta de cada pessoa ”, diz Tyler.
"É interessante que 'Blurryface' - onde criei um personagem que representa tudo o que eu não gostei de mim mesmo e tudo o que estou tentando superar coincidentemente foi o álbum que realmente aconteceu para nós", continua ele. “O fato de sermos forçados a revisitá-lo todas as noites é uma lição valiosa em suas próprias inseguranças pessoais: você trabalha com isso, tenta superá-lo, mas nunca é algo que você pode simplesmente deixar de lado e se separar”.
Um trio de músicas em "Trench", Tyler se vê totalmente demitido e existe "fora da mitologia da série Netflix", como ele diz. 'Smithereens' é uma canção de amor bonitinha, dirigida por ukulele para sua esposa, Jenna Black, com quem ele se casou em 2015. 'Legend', entretanto, é uma homenagem ao seu avô, Bobby, que apareceu na capa do álbum de 2013 'Vessel 'ao lado do avô de Josh. Ele começou a escrever a faixa quando a demência de Bobby começou, mas seu avô faleceu em Março do ano passado, antes que pudesse ouvi-la.
Tyler: “Eu menciono nas letras: 'Eu gostaria que ela tivesse te conhecido.’ E eu estou falando da minha esposa, porque quando ela começou a aparecer, ele ficou pior. Ele costumava ser tão espirituoso e iluminava um quarto e mudava a dinâmica social de qualquer situação, e há centenas e centenas de histórias clássicas, mas quando ela chegou, ele estava indo depressa. Ele era imprevisível, não lembrava os nomes das pessoas, o que era um novo tipo de dor.”
Seus olhos parecem lacrimejar. “Meu pai me contou um momento no final - onde ele se lembrava do meu nome - e perguntou: 'O que o Tyler está fazendo?'. Ele sempre perguntava e meu pai tentava explicar: "Ele está em uma banda, toca música". E ele disse: "Bem, eu quero ouvir uma música".
E isso foi antes de eu escrever qualquer coisa para "Trench". Meu pai está dirigindo o carro e ele continua insistindo: "Bem, eu quero ouvir uma música!". E meu pai não tinha nenhuma música no carro. Por puro desespero, ele liga o rádio e agita o dial algumas vezes e uma de nossas músicas está ligada e ele pode dizer: "Lá - aí está ele e esta é a sua música".
“E assim, de uma maneira estranha, você pode pensar em todo o sucesso e reconhecimento que tivemos, foi apenas para preencher uma pequena história onde meu pai foi capaz de mostrar ao meu avô a música que eu escrevi naquele momento no rádio."
Em ‘Neon Gravestones’, tipo Post Malone, Tyler corre contra a alegoria de alguém tirando a própria vida de alguma forma "glamourosa" em vez de uma tragédia, cantando: "Na minha opinião, / Nossa cultura pode tratar uma derrota / Como se fosse uma vitória”, E a fetichização irresponsável do Clube 27 (“ Eu poderia desistir e aumentar minha reputação / eu poderia sair com um estrondo / Eles saberiam o meu nome”).
"Eu estava com medo dessa música", diz Tyler. “Então, essa música é muito preta e branca. Eu trabalhei duro em cada pronome. Porque eu sabia que era um assunto delicado, a última coisa que eu precisava era que alguém entendesse mal o que eu estava tentando dizer. Eu estava com medo de não me esconder atrás da metáfora. Eu entendo que há riscos em ser mal interpretado ou deturpado. Há uma chance absoluta de ofender as pessoas ou parecer desonra, mas eu realmente queria focar nas pessoas que estão aqui para ouvir. Eu queria apontar algo que gostaria de ouvir quando estiver passando por esses pensamentos.”
Tyler aplaude a nova geração de artistas falando abertamente sobre sua saúde mental e desabilitando o estigma. "Eu acho que nossa cultura, quando se trata de suicídio e depressão, deu um grande salto", diz ele. “Estou tão orgulhoso de que a música tenha liderado a capacidade de falar sobre isso tão abertamente, e falar sobre isso é muito importante. Então, de certa forma, eu realmente sinto que há um grande lado disso que tem sido coberto com "vamos falar sobre isso, tipo, você não é louco, não há nada de errado em apenas olhar quantas pessoas passam por isso".
"Trench" culmina com a abrangente "Leave The City", que Tyler descreveu como uma "crise de fé". Tanto ele como Josh foram criados em lares religiosos. O pai de Tyler era o diretor da escola cristã que ele freqüentava; quando Josh era mais jovem, a maioria da música secular foi banida, deixando-o para esconder contrabando de álbuns do Green Day debaixo da cama.
"Um dos equívocos é por causa de onde estamos e do que conquistamos - e porque as pessoas acham que temos um estilo de vida de rock louco - que aprendemos que não precisamos mais de Deus", explica Tyler. "E não é isso."
“Eu sou o tipo de pessoa que precisa desafiar tudo e minha fé é algo que eu sempre passei por temporadas fortemente desafiadoras e uma vez que eu coloquei em teste e vi o que é, eu sou capaz de aceitar isto. Durante 'Trench', houve momentos específicos em que você conseguiu ver onde eu estava em minhas temporadas de desafio e re-aceitação - e eu definitivamente estava passando por um momento desafiador. ”
“A questão é: preciso de Deus? A verdade é que não tenho resposta para isso alguns dias. Alguns dias eu tenho, e porque eu escrevo músicas, eu escrevo letras - você vai me ver entender. Não posso deixar de abordar esses tipos de perguntas porque é por isso que comecei a escrever músicas em primeiro lugar. ”
Essas grandes questões estão à espreita sob o capô de um carro muito brilhante. A razão pela qual twenty one pilots provaram ser tão bem sucedidos comercialmente é porque as próprias canções transbordam de ganchos. Você não precisa saber que "Leave The City" envolve uma crise existencial - ou exige um guia turístico para Dema - para aproveitar o fato de soar como M83 produzindo My Chemical Romance em sua pompa da Black Parade.
O que não pode ser exagerado é o quão divertido é o espetáculo ao vivo de Twenty One Pilots. Hoje à noite, eles se abrem com Josh segurando uma tocha acesa, incendiando um carro, e assistindo a fusileantes de shows de mágica de Vegas, kits de bateria de multidões, homens vestidos de Hazmat borrifando névoa na platéia, confetes e uma competição para encontrar o melhor pai dançarino.
Não é surpresa que Tyler diga que ele é competitivo: como alguém que já foi oferecido uma bolsa de basquete, pode ser. Coloque-o com outra banda e é como hamsters compartilhando uma jaula.
Quando eles assinaram com o emo-citadel Fueled by Ramen - lar dos amigos Paramore e Panic! At The Disco - Pete Wentz do Fall Out Boy levou-os sob sua asa para martelar isso fora deles. "Ele nos mostrou como ser bons irmãos", diz Tyler. "Quando começamos a tocar localmente, você estaria na lista com outras nove bandas. Você queria que eles explodissem, então você viria e roubaria o show. Quando saímos em turnê como o ato de abertura do Panic! e Fall Out Boy, nós tínhamos a mesma mentalidade, mas Pete disse: "Veja todas aquelas pessoas lá fora - vá e faça fãs".
"E eu nunca percebi...", diz ele com total sinceridade e sem nenhum traço de hipérbole em sua voz - "as pessoas poderiam ser fãs de mais de uma banda. Mas estaríamos mentindo se disséssemos que a vantagem competitiva desapareceu completamente. Queremos ser os melhores - e manter todos os outros afastados”.
Enquanto "Trench" foi escrito principalmente por Tyler em seu estúdio no porão em Columbus e enviado para Josh (que agora vive em Los Angeles), seu acompanhamento está sendo escrito na estrada. Ele irá aprofundar ainda mais no folclore de twenty one pilots. "Há um personagem sobre o qual não se fala que desempenha um grande papel e é provável que este seja o próximo passo", diz Tyler.
Josh, por sua vez, tem um casamento para se preparar, tendo se comprometido com a ex-aluna do Disney Channel, Debby Ryan, em Dezembro. Ele brinca que entrará na igreja com solos de bateria. Mas o que há em ambas as mentes é o final da turnê no Reino Unido - estrelando no Reading e Leeds em Agosto.
“Reading & Leeds é um dos primeiros festivais que assistíamos quando nos conhecíamos”, diz Tyler. “Nós assistíamos a vídeos na internet. Nos concentramos nesse programa há meses, no que a produção vai ser.”
Tyler olha para os sapatos, frustrado consigo mesmo. "Não consigo expressar exatamente como isso é importante, mas estamos muito animados em poder provar que esse é o lugar onde pertencemos. Nem todo mundo está lá na platéia para ver você e você tem que conquistá-los, você tem que trabalhar duro para eles. Há outras bandas tentando se destacar e estamos prontos para tirar a cabeça deles.”
Resistência - liderada por bandidos ou não - é fútil.
submitted by Spookycliquebr to u/Spookycliquebr [link] [comments]


2019.04.23 07:40 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - PRÓLOGO

Uma nota pré-texto, apenas para situar melhor o leitor: na primeira parte do prólogo, que começa em "Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar", o personagem em questão é o nosso protagonista, Saravåj. Já na segunda parte, que começa a partir de "Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar", o personagem muda e passa a ser o rei da Pasárgada, Matiza Perrier. O prólogo é um contraponto entre os dois, embora o faça sem citar nomes. E se você não entendeu nada a respeito do que eu falei até aqui: dá uma olhada na introdução de Steel Hearts, se quiser, que tá linkada ai em cima.
Enfim, boa leitura! :)
[EDIT: Eu usei o underline para iniciar os diálogos porque o Reddit reconhece o travessão como marcador de tópico.]
Em um dia, ele acordou diferente do seu jeito de sempre acordar.
Ele sentiu a luz do sol em seu rosto, anunciando que a escuridão da noite já havia passado e que o céu era claro mais uma vez. Os seus sentidos despertaram pouco a pouco, como os de quem acorda de um coma após uma década de inatividade. Em um suspiro profundo, pôde sentir o odor de móveis velhos daquele quartinho arranjado e exíguo, mas inegavelmente organizado com maestria milimétrica em cada mínimo detalhe por ele próprio. Confirmou para si mesmo que estava, de fato, vivo.
Vagarosamente, os seus olhos também ganharam vida. Assim que o seu par de olhos se abriu pela primeira vez naquele dia, sua íris castanho-claro focou, sem se mexer um milímetro para a direita, sem se deslocar um milímetro para a esquerda, em uma tábua que estava fora do lugar no teto de madeira bege-clara de seu cubículo. Lhe incomodava demasiadamente aquela quebra abrupta no padrão de tábuas alinhadas e retilíneas. Namorou aquele lasco de madeira solto durante infinitos minutos. À essa altura, seu mecanismo interno também começou a funcionar e debutou a processar informações.
Ele planejou mil e uma formas de solucionar este problema que tanto lhe afligia, com a pia e ridícula convicção de que, quando tornasse àquele mesmo panorama quando o breu noturno caísse novamente, aquela tábua defeituosa continuaria ali, sem sequer ser tocada por um dedo que fosse. Talvez por cansaço físico e mental dele. Talvez por sua própria incapacidade de tecer um projeto suficientemente perfeito para dirimir o que lhe amorfidava. Ou, talvez, por não ser nada além de uma tábua antiga e quebrada. Até que, por fim, ele se concentrou exclusivamente no melódico canto dos pássaros que vinha do lado de fora. Dos presentes da natureza que ele recebia por morar naquele recinto, sem dúvida, a música dos pardais era o mais belo e mais agradável de todos.
Por todos os deuses e deusas do cosmo! Os pássaros! Os pardais-espanhóis!
Ele se levantou violentamente, repelindo para longe a sua coberta, o seu travesseiro e todo empecilho que estivesse em seu caminho, como se estivesse no ápice de sua energia diária, e se colocou, em questão de segundos, na frente da imensa janela de vidro que se localizava estrategicamente na dianteira de sua cama.
Esfregou os olhos. Depois os arregalou. Repetiu o processo algumas vezes.
Quem se colocava, como ele, à frente daquela majestosa janela, tinha uma visão privilegiada de uma enorme figueira que existia naquele vilarejo. Chamava a atenção, ao primeiro olhar, pelo tamanho. Não poderia ser diferente. Aquela árvore era um verdadeiro gigante. Ao mesmo tempo, era uma figueira muito velha, é verdade. Já deveria estar gozando da terceira fase de sua vida. De seus dois mil anos, no mínimo. Seus galhos já eram totalmente retorcidos. Sua raíz era grossa e invadia o solo que lhe rodeava, como um monstro botânico que tenta alcançar a superfície. Contudo, em contraponto, as suas folhas reluziam a vida. Todas elas. O pigmento verde-esmeralda destas era o mesmo de uma plantinha que acabara de desabrochar. Todo o seu caule era consistente e forte, sustentando com exuberância todos os seus inúmeros galhos. Seria uma calúnia atroz afirmar que, mesmo que de muito longe, se tratava de um mero agigantado pedaço de madeira oco e sem vida. Nos pés do caule da monumental figueira, existia uma pequena placa pregada junto à árvore, também de madeira, mas em tom muito mais claro. Nela, lia-se a frase em latim "Hic insignis femina forti ager deambulavit in terra" em letras garrafais, mas visivelmente pintadas com uma tinta branca ralé e desbotada, tornando as inscrições apagadas pelo efeito do tempo praticamente ilegíveis.
Todavia, ele não estava lá para endeusar aquela dádiva da mãe-natureza. Os seus olhos tinham outro eixo. Naquela árvore, muito além da fitologia e de toda tonalidade verde-vivo que lhe envolvia, existia uma verdadeira sociedade de pardais-espanhóis. Haviam vinte ou trinta famílias de pardais que levavam suas vidas nos galhos daquela grandiosa figueira já há anos. Todos eles, passarinhos miúdos, ariscos e ligeiros, características naturais de sua espécie, que levavam em suas penas tons que variavam de marrom-escuro até colorações mais acinzentadas.
Na árvore, se organizavam como se houvesse um contrato social entre eles. Como se os pardais fossem, de fato, seres pensantes, dotados de raciocínio lógico e com a capacidade de agruparem-se em um meio social concreto, previamente definido por regras a serem seguidas por todos. A figueira era a estalagem. Cada galho, uma residência. Não haviam duas ou mais famílias de pardais por galho. Em todos os ramalhos que se fragmentavam do caule, existia somente um ninho de pardal-espanhol, como se todos eles concordassem que aquele era o número ideal de famílias por galho. No raiar do dia, os pássaros se agitavam, aforando os ouvidos de quem quisesse ouvir com a sua graciosa música inerente. Neste átimo, o pássaro-mor de cada ninho voava pelo horizonte, em busca do sustento de sua parentela. E ao final do entardecer, retornava ao seu lar, socializando com os seus os ganhos do dia. Desta forma, aquele agrupamento de pardais engrenava. E só seria uma indiscutível violação de juramento afirmar que a subsistência dos pardais-espanhóis na figueira era, efetivamente, próspera, por efeito do vilão da estalagem. Um abutre.
De corpo robusto e de asas de envergadura majestosa, tinha dez, vinte, trinta, quarenta, cinquenta vezes o tamanho de qualquer pardal-espanhol. Era um autêntico ogro ao lado de um pardalzinho. E, ao contrário da prevalência dos membros de sua espécie, não era de aparência macabra. A plumagem de seu tronco era marrom-clara, como a das águias. E a sua coroa não era pelada, como a maioria dos abutres, que mais se assemelhavam a um morto-vivo do que a uma ave. Continha penas brancas como a neve em seu crânio. Também tinha em seu arsenal de combate garras afiadas como agulha de alfaiate, um bico longo e pontudo e um olhar que imporia pavor até mesmo em um Argentavis. O abutre lembrava muito mais uma ave de rapina do que um urubu. Localizava-se sempre no ponto mais alto da figueira, como a estrela de Belém em uma árvore natalina.
O abutre, sem dúvidas, era o amo daquela sociedade. O dono. O rei. Todos os pardais-espanhóis se viam fracos e indefesos diante de uma ave tão superior em tamanho e em força e se curvavam diante do abutre, ainda que mordendo a língua de desgosto. De todos os pássaros da figueira, o abutre era o único que não se aventurava no mundo além daquela lendária árvore em busca da sobrevivência diária. Muito pelo contrário: agia como um cobrador. Durante todo nascer do sol, sem feriado nem dia santo, o abutre voava de galho em galho, de residência em residência, de família de pardalzinho em família de pardalzinho, tomando para si uma parcela das sementes, grãos, cereais e pedaços de legumes que as famílias de pardal haviam faturado no dia anterior. Na maioria das vezes, era a metade. Por algumas vezes, entretanto, o abutre não fazia economias e se apoderava de mais - e muito mais - da metade dos alimentos de um ou outro ninho de pardal-espanhol, deixando estes reféns de sua própria sorte, suplicando aos deuses para que naquele dia o saldo alimentício do chefe da família fosse dobrado. Em troca desta colaboração forçada, os pardais-espanhóis não recebiam absolutamente nada. Nem proteção do abutre. Nem nada que dependa da solicitude do malévolo pássaro-rei. Não era justo. Mas "realidade" e "justiça" são palavras que raramente caminham de mãos dadas. O medo que os frágeis pardais tinham do abutre, tão corpulento, tão vasto, tão amedrontador, impedia-os de organizar uma revolta contra aquele pássaro das trevas. Era parte da rotina ceder metade dos seus lucros, sem mais nem menos, ao seu próprio carrasco.
E assim a sociedade de pássaros que vivia naquela louvável e anciã figueira funcionou durante muito tempo.
Até aquele dia.
Naquela manhã, tudo foi diferente.
O abutre deu início à arrecadação do alquilé dos pardais, como o de costume. Até que, após confiscar para si alguns pequenos grãos e sementes sem imprevistos, voejou até um galho que se localizava em um dos pontos mais altos do lado esquerdo da figueira.
Ali residia um pardal-espanhol solitário. Não tinha família. Morava sozinho em seu ninho. Era tão pequenino e franzino como os outros. Carregava em seu corpo penas marrom-claro, quase que idênticas às do abutre. Também tinha uma listra branca que corria por todo o seu corpo, o que lhe diferia dos demais. Ela tinha início na parte inferior de seu olho direito e só encontrava fim quando terminava o torso do pardal.
Naquela manhã, ele resistiu. Se apresentou à frente do abutre, que era um genuíno arranha-céu em frente ao passarinho, como quem se recusa a cumprir uma ordem e desafia o seu algoz. O abutre estufou o peito, na tentativa de intimidar o pardal-espanhol revoltoso. Em vão.
Antes que o abutre pudesse adotar qualquer segunda atitude visando espantar o seu adversário, o pardalzinho o atacou, em um movimento precípite e, acima de tudo, inesperado. O abutre foi lançado para fora do galho pela força da velocidade que o pardal imprimiu e os dois pássaros passaram a brigar no ar. No combate corpo a corpo, o pardal-espanhol compensava a ausência de força com uma agilidade que o abutre não conseguia acompanhar. O abutre se tornara incapaz de usar o seu tamanho e a sua robustez avantajada à seu favor. O inverso aconteceu: a grandeza física do abutre fazia com que ele fosse um alvo fácil de ser atingido por seu rival. A força, meio que o abutre usou para ser condecorado o pássaro-mor hegemônico daquela figueira durante tanto tempo, trazia junto de si a lentidão, o que fazia com que aquela ave, antes tão temida e respeitada por seus subordinados, não conseguisse inibir as investidas do nanico e veloz pardal-espanhol. O pardal nocauteava o abutre várias e várias vezes, mudando de uma direção para outra como uma flecha, antecipando os movimentos tardios de seu inimigo. O contrário não acontecia. Naquele instante, o abutre servia somente de saco de pancadas para o pardal.
A ameaça que a revolta daquele heróico pardal-espanhol representava à soberania do abutre serviu de gatilho para muitos outros pássaros residentes da figueira, também descontentes com a iniquidade daquela dura submissão, que deixaram os seus ninhos para também golpear e bicar o abutre simultaneamente. Em pouco tempo, mais da metade da sociedade de pardais-espanhóis estava ali, lutando por sua plena liberdade. O abutre tentava se defender do bando como podia. Se contorcia, esticando as suas garras freneticamente para todas as direções até o limite de sua flexibilidade, na tentativa de abater um ou outro pardal. Se já era árduo para ele engalfinhar-se com um pardal-espanhol só, guerrear contra um bando inteiro tornava-se insustentável. O abutre debatia-se em gemidos escandalosos de dor, na risível esperança de enxotar todos aqueles incontáveis pássaros para longe de si.
Até que, de tanto que insistiu e esperneou, o carrasco conseguiu prender um de seus êmulos em uma de suas garras - a esquerda. Aquele pardalzinho foi, instantaneamente, neutralizado. As unhas pontudas do abutre, que mais pareciam pequenos punhais, atravessaram a plumagem marrom-clara daquele pequeno pássaro sem lástima nenhuma, perfurando-o exatamente no centro da extensa listra branca que se avultava por todo o seu corpo, peculiaridade que lhe diferenciava de todos os outros pardais. Era ele. O pardal-espanhol rebelde. O motor daquela rebelião. O patrono dos pardais-espanhóis malcontentes com as injustiças cotidianas daquela estalagem. Aquele - o único! - que aceitou com prontidão o perigoso jogo de confrontar o temeroso abutre. Justamente ele, entre as dezenas de pássaros. O destino, perpetuamente muito irônico, pôs-se a rir da infeliz coincidência. O pardalzinho revolucionário era, de modo inegável, muito astuto. Mas nem que tivesse o quádruplo de sua resistência física, seria capaz de sobreviver estando entre as implacáveis garras cortantes do abutre. Ele não teve sequer a chance de lutar por sua supervivência. Os seus órgãos internos foram espremidos. A morte foi instantânea. O cadáver, sem embargo, continuou nos gatázios do abutre, como se fosse um troféu - ou prêmio de consolação - para o impiedoso pássaro-rei.
Os demais pássaros revoltosos, à exemplo de seu recém-falecido condutor, seguiram a bicar o abutre, com cada vez mais violência, como se não fossem meros passarinhos tênues e mansos. Mais pareciam, naquela rebelião, verdadeiros animais selvagens. O bando de pardais-espanhóis era uma máquina de guerra, pronta para esquartejar o seu inimigo a qualquer instante. Era questão de tempo até que o abutre tivesse o mesmo trágico fim do pardal causador de toda aquela anarquia necessária. Do pardalzinho que ele acabara de tirar a vida friamente. O destino, por sua vez, não tardou muito. O abutre já mal tinha forças para para estrebuchar, reconhecendo pouco a pouco o seu melancólico e penoso porvir. E este não podia sequer pleitear a vida por suas habituais injustiças. Todo aquele sofrimento do abutre era íntegro. Merecido. Conveniente. Depois de tanto atazanar os pardais daquela figueira, era a hora do acerto de contas.
Em um movimento descontrolado, um dos pardais-espanhóis mais exaltados em meio àquela calorosa confusão bicou o comprido pescoço do abutre ferozmente, estourando com retidão cirúrgica sua veia jugular. O golpe foi fatal. Morte instantânea. A morte, inegavelmente, é juiz. Se a vida, por muitas vezes, favorece aos maliciosos, a morte, sui generis, jamais falha. Pune a todos, sem distinguir. Um jato de sangue arroxeado jorrou da goela do abutre, manchando com aquela seiva honrosa boa parte dos pardais que estavam em torno do pássaro sucumbido quando a bicada da vitória foi desferida. A revolução dos pardais estava completa. Não havia mais carrasco. Não havia mais verdugo. Não havia mais medo, nem aluguel. Enfim, o abutre libertou o corpo sem vida do passarinho revoltoso de suas garras e, simbolicamente, todos os pardais que integravam aquela sociedade.
O monumental corpo ensanguentado do abutre e o defunto esmagado do pardal-espanhol rebelde caíram lentamente pelo ar, lado a lado. E tocaram o chão exatamente no mesmo instante, fazendo valer, mais uma vez, uma velha máxime da vida: quando o jogo acaba, todas as peças, por mais diferentes que sejam entre si, voltam para a mesma caixa, sem se queixar.
Ele assistiu tudo de camarote.
"É tão estranho. Os bons morrem antes", ele pensou consigo mesmo.
Ele, então, voltou-se para a sua cama. Deu meia-volta, despiu-se dos trapos velhos que usava para dormir e vestiu o seu traje de batalha mais nobre, que levava uma enorme capa vermelho-vinho às costas, que recaía por quase toda sua armadura de ferro medieval, a qual ele também envergou. Sentiu-se, como sempre, mais são portando aquela farda solene. Olhou por intensos segundos para o seu próprio reflexo no espelho que havia em frente à cabeceira, com um ar aristocrata de confiança. Apoderou-se, ademais, de duas espadas que estavam encostadas no pé dianteiro de sua cama. Uma banhada à prata e outra banhada à bronze, tinham a estatura, à grosso modo, moderadamente menor do que uma vassoura comum. De lâmina mais fina e de peso mais leve em comparação com as espadas universais dos templários, colocou suas duas gládias nas bainhas que também carregava em suas costas. Por fim, deixou o seu quartinho amanhado, organizado como nunca, exceto pela tábua desprendida no teto de seu cubículo - aquela amaldiçoada tábua! - fechando a porta amadeirada deste para jamais tornar a abri-la.
O vento, enfim, soprava à seu favor: era tempo de ressureição.
Em um dia, ele acordou como sempre costumava acordar.
De ressaca. Sentia em seu crânio pontadas de dor, que iam e vinham. O cenário ao seu redor denunciava o motivo de seu mal-estar: infinitas garrafas de vinho e de licor vazias em torno dele, além de incontáveis taças douradas, também vazias ou consumidas somente até a metade. Ele despertou em um magnificente trono real dourado, produzido tendo o ouro puro como sua matéria-prima e decorado com jóias preciosas, coloridas e resplandecentes - havia tido o seu sono ali naquela madrugada, sentado. Aquele trono dourado era o ponto mais alto daquele salão. Tanto que, era preciso subir alguns degraus para chegar até ele - não por acaso. A ideia era, de fato, representar o ápice da soberania que um mortal poderia desfrutar. O lugar mais alto que alguém poderia ocupar na pirâmide social.
Ele, com os olhos entreabertos e com os movimentos anormalmente vagarosos, aparentando ainda estar um pouco ébrio, começou a esparramar com as mãos as cartas de baralho que estavam no braço direito do trono real, deixando com que algumas caíssem ao chão. As cartas, espalhadas por todo salão real, retratavam as várias e várias jogatinas e capotes da madrugada anterior, os quais ele mesmo fomentou. Ele havia patrocinado uma farra regada à bebidas alcoólicas caras na madrugada daquele dia, junto de seus companheiros mais íntimos. Por mais uma vez. Os eventos alcoólatras apadrinhados por ele eram corriqueiros, praticamente diários.
Ele seguia espalhando as cartas do baralho, até que uma lhe chamou a atenção. Era um rei. Um rei de espadas. Não era o roupão vermelho do rei, fragmentado em mandalas, que lhe atraía. Muito menos as espadas coloridas que ele segurava em cada uma das mãos. Nem o bigode, nem o cabelo, nem a coroa. O olhar. Os olhos daquele rei eram diferentes dos demais. Eram intimidadores. Transbordavam malícia e davam um sentido maquiavélico àquela carta. De todos os reis do baralho, aquele, sem dúvidas, era o mais perspicaz. O que tinha a maior agudeza de espírito. O mais astuto, talentoso, inteligente e toda e qualquer palavra que remete a um privilegiado intelecto ardil. Ele pegou a carta em suas mãos e apreciou-a por alguns instantes, rindo. Até que, levou o rei de espadas até o braço esquerdo do trono do rei, onde havia uma taça de ouro da noite anterior, cheia de vinho até a metade. E então, mergulhou a carta no vinho, por diversas vezes, repetidamente.
_ Beba, reizinho. Beba. Que, por hora, é o melhor que se faz. O álcool foi inventado pelo homem para suprimir o tédio diário, você sabe bem. As mulheres também vão te distrair com seus corpos, se você assim quiser. Mulheres e bebidas. É por isso que a nossa passagem terrena vale a pena, não? Beber para as mulheres. Beber por causa de mulheres. Beber junto das mulheres. Afinal de contas, o mundo está de braços abertos para te servir. Os miseráveis tem a honra de dividir uma geração contigo, alguém tão genial, tão brilhante, tão divino. É dever deles a solicitude para com você, não acha? Grandes conquistas virão, reizinho. Muito maiores do que qualquer ratazana européia um dia já pôde imaginar. Mas enquanto as glórias ainda não se concretizam, beba. Somente beba. Até desaparecer-lhe o fígado.
Uma voz juvenil, neste momento, cessou o seu delírio abruptamente.
_ Meu rei! Mil perdões por interromper-lhe!
Era um jovem e raquítico soldado. Parecia nervoso por estar em presença de alguém tão importante. Tinha como suas vestes o uniforme-modelo dos cavaleiros da Ordem do Templo, utilizado nas cruzadas do século anterior. Todavia, distinguia-se destes pela tonalidade azul-marinho substituindo a vermelho-sangue e por conter um brasão com a letra "P" no lado esquerdo do peito de sua armadura.
_ Já interrompeu, ora! Por que me solicita o perdão, asno?
_ Então perdoa-me por lhe solicitar o perdão, meu rei, se isto ameniza o meu deslize. Vim somente lhe transmitir um recado da rainha. Ela me pediu para vir lembrar-lhe que está quase na hora de discursar para o povo. A rainha e os membros da elite já estão na sacada do castelo. Sua louvável presença é a única que falta para o início do discurso real.
_ Ah! Claro! Já havia me esquecido. A ressaca me veio mais forte do que o habitual nesta manhã. E se não estivesse tão em cima do horário, queria embriagar-me antes do enunciado. Você já imaginou? Tente imaginar, se o seu retardado intelecto não te impedir. Discursar completamente bêbado! O povo, sem dúvidas, acharia fantástico! O que achas, capacho? Dê-me sua opinião, por mais desprezível que seja.
Enquanto falava, ele levantou-se e desceu os degraus do trono real com dificuldade, cambaleando.
_ É... Seria memoroso! Com toda a certeza!
_ És um bom rapaz, soldadinho. Você é dos meus, eu tinha a pia convicção! Inclusive, acho que a sua figura é a que falta para completar nossas diversões alcoólicas que ocorrem depois do último badalar do sino. O que me diz, meu companheiro? Licor e vinho à vontade depois do horário dos mortos! Está de acordo?
_ Verdadeiramente, meu rei?
O soldado recém-formado olhou para ele com o olhar mais inocente que se pode imaginar.
_ É claro que não, capacho! Onde já se viu? Uma barata do exército imperial feito você em meio aos mais finos nobres! Tira-te as patas do meu salão real, imbecil!
O soldado saiu imediatamente da sala privada do rei, trêmulo. Ele, em todo o tempo com um largo sorriso no rosto, gargalhou de suas próprias anedotas. Ainda assim, a informação que o seu subordinado lhe transmitiu estava correta. Faltavam poucos minutos para o discurso semanal do rei para os seus populares. Era mais um domingo gelado de inverno. Ele seguiu pelos cômodos e corredores do Castelo de Woodyard. Conforme caminhava, escutava um coro uníssono, em êxtase, que se tornava mais forte conforme ele se aproximava da sacada do castelo.
_ Vida longa ao rei! Vida longa ao rei! Vida longa ao rei!
Ele, enfim, chegou até a sacada. O povo ali presente, em frente ao castelo, engrossou ainda mais o hino quando o viu. Com os braços abertos, de aparência amigável e singela, ela acenou para o povo que estava abaixo, como sempre. A rainha, idem, estava ali, sempre à sua direita, ora envolvida pelos braços dele, ora também saudando o público.
_ Bebi o dobro do que você bebeu nesta madrugada, meu amor. E despertei três horas antes de ti. Cômico, não acha?
_ A força feminina! É o que nos mantém no poder!
Sua esposa era uma mulher de quase trinta anos de idade. Os efeitos do tempo, entretanto, inegavelmente eram muito gentis com ela. Aparentava ser dez anos mais jovem. A rainha chamava a atenção, sem sombra de dúvidas, pela beleza física: mulher de corpo esbelto, e de rosto tão atraente quanto.
Ele, enfim, deu início ao pronunciamento real. De cunho populista e com muita convicção em toda frase que proferia, ele exaltou a laicidade de sua monarquia. Alegou que não admitiria, nem por cima do seu cadáver, que a coroa compartilhasse o governo com o Papa. Como o de costume, apontou o dedo para a Igreja Católica, condenando-a pelo massacre estúpido daqueles que ela julgava como infiéis. Posteriormente, reiterou o seu compromisso com as camadas mais baixas da sociedade. Se auto-intitulou como o pai dos pobres. Alegou que reduziria o preço do trigo pela metade. E ganhou ainda mais a simpatia de seus ouvintes quando comunicou que distribuiria pães de forma gratuita em alguns pontos dos vilarejos de seu reino, garantindo o direito básico da alimentação para todos e todas. Penhorou, também, que os soldados, tanto os da elite quanto os do império, seriam valorizados e teriam a sua dignidade garantida. Afinal, segundo ele, na sua visão de governabilidade não existiam reis e capachos. Existiam seres humanos buscando um bem comum. E, finalmente, levantou a sua principal bandeira: garantiu que, enquanto ele tivesse a coroa sobre a sua cabeça, homens e mulheres seriam iguais. Os mesmos direitos. As mesmas funções. Os mesmos papéis na sociedade. Exaltou com as mais fascinantes palavras o arquétipo da mulher independente e empoderada. Discorsou primorosamente durante quase trinta minutos sobre a suma importância da equidade dos sexos em um meio social evoluído.
O povo foi ao delírio, como já era costumeiro no pós-dicurso do rei. O barulho era ensurdecedor. Toda gente gritava o seu nome à todo pulmão, confiando cegamente na benevolência de seu líder. Ele era uma unanimidade entre o povo. Não havia uma alma viva que abrisse a boca para reclamar de sua forma de reinar. De suas ideologias modernas. Era um verdadeiro rei hegemônico. O mais perto que se havia de Deus em solo terreno. Ele, por sua vez, sequer lembrava do que havia dito em seu discurso alguns minutos antes. Sua cabeça estava em outro lugar. Nas nuvens. Só conseguia pensar nas fartas moedas da corrupção caindo sobre suas mãos - que financiavam esbórnias, orgias, bebedeiras e afins suas, da rainha e de seus aliados mais próximos - e no futuro promissor de seu império populista, que em um dia não tão distante haveria de se expandir para os quatro cantos da Europa, em um reinado jamais visto antes na história da humanidade.
Assim que terminou o seu enunciado ao público, em meio aos berros que manifestavam apoio ao seu reinado, ele arregaçou a sua manga esquerda, revelando o mesmo o rei de espadas de outrora, a mesma carta que ele havia embebido no vinho. Ele havia a escondido em seu uniforme imperial quando saiu do salão real.
_ Vês isso, reizinho? Isso não é nada. É um grão de areia perto do império gigantesco que Júpiter te reserva. Terá o mundo aos seus pés, é inevitável. A ordem cósmica quis assim. As próximas maltas vão aprender sobre o seu nome. Sobre tudo que te envolve. E até sobre o seu sabor de licor preferido. E você? Você só deve saber o seu próprio nome. É o que mais importa. Reizinho, é assim que gira o ciclo da vida: manda quem pode, obedece quem tem juízo. E eles tem. Você vê cada vez mais de perto que tem. O universo deve respeito por aquele que já nasceu abençoado. E ninguém vai ser capaz de te impedir, reizinho. Ninguém. Nem mesmo Deus.
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
submitted by Samuel_Skrzybski to EscritoresBrasil [link] [comments]


2018.10.24 04:29 fodastiicc Informações, Opiniões e Plano de Governo de cada candidato sobre as principais questões do Brasil.

Fernando Haddad

Educação
Em contra-partido à Escola sem Partido, criar a escola com Ciência e cultura, para valorizar a diversidade.
Revogar a emenda do teto de gastos. Retomar os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal para saúde e educação.
Expandir as matrículas no Ensino Superior e nos ensinos técnicos e profissional.
Priorizar o Ensino Médio. Nesse quesito criar o Programa Ensino Médio Federal, ampliando a participação da União nesse nível de ensino - algumas das propostas são fazer convênio com Estados para assumir escolas situadas em regiões de alta vulnerabilidade e criar um programa de permanência para jovens em situação de pobreza. Além disso, revogar a reforma do Ensino Médio do governo Michel Temer.
Realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica.

Saúde
Criar Rede de Especialidades Multiprofissional (REM), em parceria com Estados e municípios, com polos em cada região de saúde.
Investir na implantação do prontuário eletrônico que reúne o histórico de atendimento de saúde dos pacientes no SUS.
Implementar um Plano Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.

Segurança
Reformular o Sistema Único de Segurança Pública, redistribuindo tarefas entre prefeituras, governos estaduais e governos federais.
Transferir para a Polícia Federal o combate ao crime organizado no país criando para isto uma nova unidade na PF.
Criar um Plano Nacional de redução de Homicídios.
Aprimorar a política de controle de armas e munições, reforçando seu rastreamento.
Alterar a política de drogas. Ao mesmo tempo, prevenir o uso de drogas.
Propor uma reforma na legislação para que a privação de liberdade seja adotada apenas em condutas violentas. Prevê criar um Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que estabeleça uma Política Nacional de Alternativas Penais.
Retomar investimentos nas Forças Armadas.
Ministério da Defesa voltará a ser ocupado por um civil.

Políticas sociais e direitos humanos
Reforçar investimentos no Bolsa Família.
Combater a desnutrição infantil.
Criar um Sistema Nacional de Direitos Humanos.
Recriar com status de ministério as pastas de Direitos Humanos, Políticas para mulheres e para Promoção da Igualdade Racial.
Impulsionar ações afirmativas nos serviços públicos.
Propor o Plano Nacional de Redução da Mortalidade da Juventude Negra e Periférica.
Criminalizar a LGBTIfobia, implementar programas de educação para a diversidade e criar nacionalmente o programa Transcidadania - Concessão de bolsas de estudo no Ensino Fundamental e Médio para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade, lançado na gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.
Promover reforma agrária, titular terras quilombolas e demarcar áreas indígenas

Emprego e economia
Revogar medidas do governo Michel Temer, como a emenda do teto de gastos, a reforma trabalhista e mudanças no marco regulatório do Pré-Sal. A revogação se dará por ato do presidente ou por encaminhamento ao Congresso. "Referendos revogatórios poderão ser necessários para dirimir democraticamente as divergências entre os poderes".
Implementar medidas emergenciais para sair da crise, como redução dos juros, criação de linhas de crédito com juros e prazo acessíveis com foco nas famílias, criação de um Plano Emergencial de Empregos com foco na juventude e retomada de obras paralisadas e do Programa Minha Casa Minha Vida.
Criar a Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial, para interiorizar a atividade econômica.
Realizar uma reforma tributária por emenda constitucional. A reforma prevê a isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física para quem ganha até 5 salários mínimos e criação faixas de contribuição maiores para os mais ricos. Tributar grandes movimentações financeiras, distribuição de lucros e dividendo e grandes patrimônios.
Criar o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), substituindo a atual estrutura de impostos indiretos (ICMS, IOF, IPI, ISS...).
Adotar regras para controlar a entrada de capital especulativo no Brasil e inibir a volatilidade do câmbio.
Promover uma reforma bancária, adotando uma tributação progressiva sobre os bancos, com alíquotas reduzidas para os que oferecerem crédito a custo menor e com prazos mais longos.
Estimular a reindustrialização. Para isso, bancos públicos devem assumir papel importante no financiamento da indústria.
Desonerar tributos sobre investimentos verdes, reduzindo o custo tributário em 46,5%.

Política e Corrupção
Não realizar uma Constituinte(para elaborar uma nova Constituição). Em vez disso, fazer reformas por emenda constitucional. A proposta é um recuo em relação ao programa de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, que previa deflagrar um novo processo Constituinte, preparando um roteiro de debates sobre os temas e formato da Constituinte logo no início do governo. "Nós revimos nosso posicionamento", declarou Haddad em 8 de outubro.
Em entrevistas, disse que não vai dar indulto ao ex-presidente Lula, Após outras lideranças do PT terem levantado essa possibilidade.
Promover uma ampla reforma política, com financiamento público exclusivo de campanhas, fidelidade partidária, sistema eleitoral proporcional com cláusula de barreira, fim de coligações proporcionais, adoção do voto em lista com paridade de gênero e cotas de representatividade étnico-racial, eleição para Legislativo em data diferente da eleição para Executivo.
Reformar os tribunais de contas, visando a estabilidade das decisões, alterar critérios de nomeação e instituir tempo de mandatos.
Aperfeiçoar Transparência e prevenção à corrupção e enfrentar a apropriação do público por interesses privados. No entanto, a pauta do combate à corrupção servir à criminalização da política: ela não legitima adoção de julgamentos de exceção, o atropelamento dos direitos e garantias fundamentais.
Reformar o Poder Judiciário e o Sistema de Justiça. Para isso, eliminar o auxílio moradia para quem morar em casa própria ou usar imóvel funcional, reduzir as férias de 60 para 30 dias e aplicar o teto do funcionalismo. Além disso, favorecer ingresso nas carreiras de todos os segmentos da população e conferir transparência e controle social da administração da Justiça. Também instituir tempo de mandatos para membros do STF e das Cortes Superiores de Justiça, que não coincidam com a troca de governos e legislativas.

Política Externa
Fortalecer Mercosul, Unasul, BRICS e Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS).
Retomar a política externa de integração latino-americana e a cooperação Sul-Sul ( especialmente com a África) nas áreas de saúde, educação, segurança alimentar.
Fortalecer instrumentos de financiamento do desenvolvimento como FOCEM, Banco do Sul e Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
Apoiar o Multilateralismo, a busca de soluções pelo diálogo e o repúdio à intervenção e a soluções de força.
Defender a reforma da ONU, em particular do Conselho de Segurança, assim como dos instrumentos de proteção aos Direitos Humanos no plano internacional e regional.
Preservar e proteger os recursos naturais "da devastação que os ameaça com os ataques do governo golpista".

Jair Bolsonaro

Educação
Não Admitir ideologia de gênero nas escolas. "Nós precisamos de um presidente que trate com consideração criança em sala de aula, não admitindo a ideologia de gênero, impondo a Escola Sem Partido".Defende educação "sem doutrinação e sexualização precoce"
Incluir no currículo escolas as disciplinas educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.
Propor a diminuição do percentual de vagas para cotas raciais. Defende cota social.
Ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Em dois anos, ter um colégio militar em cada capital. Fazer o maior colégio militar do país em São Paulo, no Campo de Marte.
Defende a adoção da educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e universitário, com aulas presenciais em provas ou aulas práticas, o que "ajuda a combater o marxismo".

Saúde
Criar um Prontuário Eletrônico Nacional Interligado. Os postos, ambulatórios e hospitais devem ser informatizados com todos os dados do atendimento.
Para combater a mortalidade infantil, defende a melhoria do saneamento básico e a adoção de medidas preventivas de saúde para reduzir o número de prematuros - entre elas, estabelecer a visita ao dentista pelas gestantes nos programas neonatais.
Criar a carreira de Médico de Estado, para atender áreas remotas e carentes do Brasil.
Profissionais do Mais Médicos só poderão atuar se aprovados no Revalida: "Nossos irmão cubanos serão libertados".
Incluir Profissionais de educação física no programa de Saúde da Família, para combater sedentarismo, obesidade e suas consequências.

Segurança
Redirecionar a política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência.
Reformular o Estatuto do Desarmamento. Defende o direito a posse e porte de arma de fogo por todos.
Defende mudança no código penal para estabelecer a legítima defesa de fato: "você atirando em alguém dentro da sua casa ou defendendo sua vida ou patrimônio no campo ou na cidade, você responde, mas não tem punição".
Garantir o excludente de ilicitude para o policial em operação - ou seja, que os policiais não sejam punidos se matarem alguém em confronto.
Reduzir a maioridade penal para 16 anos por emenda constitucional.
Acabar com a progressão de penas e saídas temporárias.
Defende o fim das audiências de custódia.
Apoiar penas duras para crimes de estupro, incluindo castração química voluntária em troca da redução da pena.
Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.

Políticas sociais e direitos humanos
Manter Bolsa Família e combater fraudes no programa.
Crítico ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que "tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo a vagabundagem e à malandragem infantil".

Emprego e Economia
Criar uma nova carteira de trabalho verde e amarela, em que o contrato individual prevaleça sobre a CLT. Os novos trabalhadores poderão optar, de forma voluntária, por um vínculo empregatício baseado na nova carteira de trabalho ou na tradicional (azul). Além disso, defende uma outra versão da CLT para o trabalhador rural. "O homem do campo não pode parar no Carnaval, sábado, domingo e feriado. A planta ali vai estragar".
Não recriar o CPFM. A proposta é um recuo em relação ao que teria sido anunciado pelo economista Paulo Guedes em setembro, para uma plateia restrita. Guedes é definido por Bolsonaro como seu "Posto Ipiranga" da economia e futuro ministro da Fazenda.
Deixar para trás o comunismo e o socialismo e praticar o livre mercado.
Estabelecer uma Alíquota única de 20% no Imposto de Renda - Hoje a alíquota aumenta de acordo com a renda. Isenta de imposto de renda quem ganha até 5 salários mínimos. É contra a taxação de grandes fortunas e heranças e contra novas tributações a empresários
Criar o Ministério da Economia, que abarcará funções hoje desempenhadas pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio, bem como a Secretaria Executiva do PPI(Programa de Parcerias de Investimentos).
Defende privatizações. No caso da Petrobras, já admitiu a privatização "se não tiver uma solução" a respeito da política de preço dos combustíveis. "Temos que ter um combustível com preço compatível". É contra a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.
Introduzir paulatinamente o modelo de capitalização para a Previdência.
Reduzir em 20% o volume da dívida pública por meio de privatizações, concessões, venda de propriedades imobiliárias da União.
Eliminar o déficit público primário no primeiro ano de governo e convertê-lo em superávit no segundo ano.
criar o Balcão Único, que centralizará todos os procedimentos para a abertura e fechamento de empresas.
Tornar o Brasil um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio.

Política e Corrupção
Não realizar uma nova Constituinte (para elaborar uma nova Constituição), desautorizando o que havia sido dito pelo candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, general Hamilton Mourão. Em 13 de setembro, Mourão havia declarado que era favorável à elaboração de uma nova Constituição, escrita por uma "comissão de notáveis", não por representantes "eleitos pelo povo". Em entrevista para o GloboNews, em 7 de setembro, Mourão ainda admitiu a possibilidade de um "autogolpe" por parte do presidente com apoio das Forças Armadas. A respeito das declarações de Mourão, Bolsonaro disse em 8 de outubro: "Ele é um general, eu sou capitão. Mas eu sou o presidente. O desautorizei nesses dois momentos. Ele não poderia ir além daquilo que a Constituição permite. Jamais eu posso admitir uma nova constituinte, até por falta de poderes para tal. E a questão de autogolpe, não sei, não entendi direito o que ele (Mourão) quis dizer naquele momento. Mas isso não existe". E completou: "seremos escravos da nossa Constituição".
Encaminhar para aprovação do Congresso "As Dez Medidas Contra a Corrupção", propostas pelo Ministério Público Federal.
Cortar ministérios e nomear pelo menos 5 generais como ministros.
Extinguir o Ministério das Cidades e "mandar o dinheiro diretamente para o município".

Política Externa
Sepultar o Foro de São Paulo.
Não vai tirar o Brasil da ONU, ao contrário do que chegou a declarar. "É uma reunião de comunistas, de gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul", afirmou. Em seguida, disse que cometeu um falho e que não se referia à ONU, mas ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que fez recomendação favorável à candidatura de Lula.
Fazer negócio com o mundo todo, sem viés ideológico. Dar prioridade as relações comerciais com nações como Israel, não com a Venezuela.
Revogar a lei de imigração e fazer campo de refugiados, para lidar com a migração de venezuelanos para o Brasil.
Pretende mudar a embaidxada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, assim como fez o presidente dos Estados Únidos Donald Trump. Pretende fechar a Embaixada da Autoridade Palestina no Brasil.
Extraditar o ex-ativista italiano Cesare Battisti, a quem chama de terrorista.
Reduzir alíquotas de importação e barreiras não tarifárias. Constituir novos acordos bilaterais internacionais.
Defende que o Brasil deixe o Acordo de Paris sobre o clima - assim como fizeram os Estados Unidos de Donald Trump.
Fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o que colocaria "um fim na indústria das multas, bem como leva harmonia ao campo". O ministro seria indicado "pelas entidades dos produtores".

FONTES: Plano de Governo do Fernando Haddad
Plano de Governo Jair Bolsonaro
BBC Brasil
submitted by fodastiicc to brasilivre [link] [comments]


2018.10.24 04:28 fodastiicc Informações, opinião e plano de governo de cada candidato sobre as principais questões no Brasil.

Fernando Haddad

Educação
Em contra-partido à Escola sem Partido, criar a escola com Ciência e cultura, para valorizar a diversidade.
Revogar a emenda do teto de gastos. Retomar os recursos dos royalties do petróleo e do Fundo Social do Pré-Sal para saúde e educação.
Expandir as matrículas no Ensino Superior e nos ensinos técnicos e profissional.
Priorizar o Ensino Médio. Nesse quesito criar o Programa Ensino Médio Federal, ampliando a participação da União nesse nível de ensino - algumas das propostas são fazer convênio com Estados para assumir escolas situadas em regiões de alta vulnerabilidade e criar um programa de permanência para jovens em situação de pobreza. Além disso, revogar a reforma do Ensino Médio do governo Michel Temer.
Realizar anualmente uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente na rede pública de educação básica.

Saúde
Criar Rede de Especialidades Multiprofissional (REM), em parceria com Estados e municípios, com polos em cada região de saúde.
Investir na implantação do prontuário eletrônico que reúne o histórico de atendimento de saúde dos pacientes no SUS.
Implementar um Plano Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.

Segurança
Reformular o Sistema Único de Segurança Pública, redistribuindo tarefas entre prefeituras, governos estaduais e governos federais.
Transferir para a Polícia Federal o combate ao crime organizado no país criando para isto uma nova unidade na PF.
Criar um Plano Nacional de redução de Homicídios.
Aprimorar a política de controle de armas e munições, reforçando seu rastreamento.
Alterar a política de drogas. Ao mesmo tempo, prevenir o uso de drogas.
Propor uma reforma na legislação para que a privação de liberdade seja adotada apenas em condutas violentas. Prevê criar um Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, que estabeleça uma Política Nacional de Alternativas Penais.
Retomar investimentos nas Forças Armadas.
Ministério da Defesa voltará a ser ocupado por um civil.

Políticas sociais e direitos humanos
Reforçar investimentos no Bolsa Família.
Combater a desnutrição infantil.
Criar um Sistema Nacional de Direitos Humanos.
Recriar com status de ministério as pastas de Direitos Humanos, Políticas para mulheres e para Promoção da Igualdade Racial.
Impulsionar ações afirmativas nos serviços públicos.
Propor o Plano Nacional de Redução da Mortalidade da Juventude Negra e Periférica.
Criminalizar a LGBTIfobia, implementar programas de educação para a diversidade e criar nacionalmente o programa Transcidadania - Concessão de bolsas de estudo no Ensino Fundamental e Médio para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade, lançado na gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.
Promover reforma agrária, titular terras quilombolas e demarcar áreas indígenas

Emprego e economia
Revogar medidas do governo Michel Temer, como a emenda do teto de gastos, a reforma trabalhista e mudanças no marco regulatório do Pré-Sal. A revogação se dará por ato do presidente ou por encaminhamento ao Congresso. "Referendos revogatórios poderão ser necessários para dirimir democraticamente as divergências entre os poderes".
Implementar medidas emergenciais para sair da crise, como redução dos juros, criação de linhas de crédito com juros e prazo acessíveis com foco nas famílias, criação de um Plano Emergencial de Empregos com foco na juventude e retomada de obras paralisadas e do Programa Minha Casa Minha Vida.
Criar a Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial, para interiorizar a atividade econômica.
Realizar uma reforma tributária por emenda constitucional. A reforma prevê a isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física para quem ganha até 5 salários mínimos e criação faixas de contribuição maiores para os mais ricos. Tributar grandes movimentações financeiras, distribuição de lucros e dividendo e grandes patrimônios.
Criar o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), substituindo a atual estrutura de impostos indiretos (ICMS, IOF, IPI, ISS...).
Adotar regras para controlar a entrada de capital especulativo no Brasil e inibir a volatilidade do câmbio.
Promover uma reforma bancária, adotando uma tributação progressiva sobre os bancos, com alíquotas reduzidas para os que oferecerem crédito a custo menor e com prazos mais longos.
Estimular a reindustrialização. Para isso, bancos públicos devem assumir papel importante no financiamento da indústria.
Desonerar tributos sobre investimentos verdes, reduzindo o custo tributário em 46,5%.

Política e Corrupção
Não realizar uma Constituinte(para elaborar uma nova Constituição). Em vez disso, fazer reformas por emenda constitucional. A proposta é um recuo em relação ao programa de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, que previa deflagrar um novo processo Constituinte, preparando um roteiro de debates sobre os temas e formato da Constituinte logo no início do governo. "Nós revimos nosso posicionamento", declarou Haddad em 8 de outubro.
Em entrevistas, disse que não vai dar indulto ao ex-presidente Lula, Após outras lideranças do PT terem levantado essa possibilidade.
Promover uma ampla reforma política, com financiamento público exclusivo de campanhas, fidelidade partidária, sistema eleitoral proporcional com cláusula de barreira, fim de coligações proporcionais, adoção do voto em lista com paridade de gênero e cotas de representatividade étnico-racial, eleição para Legislativo em data diferente da eleição para Executivo.
Reformar os tribunais de contas, visando a estabilidade das decisões, alterar critérios de nomeação e instituir tempo de mandatos.
Aperfeiçoar Transparência e prevenção à corrupção e enfrentar a apropriação do público por interesses privados. No entanto, a pauta do combate à corrupção servir à criminalização da política: ela não legitima adoção de julgamentos de exceção, o atropelamento dos direitos e garantias fundamentais.
Reformar o Poder Judiciário e o Sistema de Justiça. Para isso, eliminar o auxílio moradia para quem morar em casa própria ou usar imóvel funcional, reduzir as férias de 60 para 30 dias e aplicar o teto do funcionalismo. Além disso, favorecer ingresso nas carreiras de todos os segmentos da população e conferir transparência e controle social da administração da Justiça. Também instituir tempo de mandatos para membros do STF e das Cortes Superiores de Justiça, que não coincidam com a troca de governos e legislativas.

Política Externa
Fortalecer Mercosul, Unasul, BRICS e Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS).
Retomar a política externa de integração latino-americana e a cooperação Sul-Sul ( especialmente com a África) nas áreas de saúde, educação, segurança alimentar.
Fortalecer instrumentos de financiamento do desenvolvimento como FOCEM, Banco do Sul e Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).
Apoiar o Multilateralismo, a busca de soluções pelo diálogo e o repúdio à intervenção e a soluções de força.
Defender a reforma da ONU, em particular do Conselho de Segurança, assim como dos instrumentos de proteção aos Direitos Humanos no plano internacional e regional.
Preservar e proteger os recursos naturais "da devastação que os ameaça com os ataques do governo golpista".

Jair Bolsonaro

Educação
Não Admitir ideologia de gênero nas escolas. "Nós precisamos de um presidente que trate com consideração criança em sala de aula, não admitindo a ideologia de gênero, impondo a Escola Sem Partido".Defende educação "sem doutrinação e sexualização precoce"
Incluir no currículo escolas as disciplinas educação moral e cívica (EMC) e organização social e política brasileira (OSPB), que eram ensinadas durante a ditadura militar.
Propor a diminuição do percentual de vagas para cotas raciais. Defende cota social.
Ampliar o número de escolas militares, fechando parcerias com as redes municipal e estadual. Em dois anos, ter um colégio militar em cada capital. Fazer o maior colégio militar do país em São Paulo, no Campo de Marte.
Defende a adoção da educação à distância no Ensino Fundamental, Médio e universitário, com aulas presenciais em provas ou aulas práticas, o que "ajuda a combater o marxismo".

Saúde
Criar um Prontuário Eletrônico Nacional Interligado. Os postos, ambulatórios e hospitais devem ser informatizados com todos os dados do atendimento.
Para combater a mortalidade infantil, defende a melhoria do saneamento básico e a adoção de medidas preventivas de saúde para reduzir o número de prematuros - entre elas, estabelecer a visita ao dentista pelas gestantes nos programas neonatais.
Criar a carreira de Médico de Estado, para atender áreas remotas e carentes do Brasil.
Profissionais do Mais Médicos só poderão atuar se aprovados no Revalida: "Nossos irmão cubanos serão libertados".
Incluir Profissionais de educação física no programa de Saúde da Família, para combater sedentarismo, obesidade e suas consequências.

Segurança
Redirecionar a política de direitos humanos, priorizando a defesa das vítimas da violência.
Reformular o Estatuto do Desarmamento. Defende o direito a posse e porte de arma de fogo por todos.
Defende mudança no código penal para estabelecer a legítima defesa de fato: "você atirando em alguém dentro da sua casa ou defendendo sua vida ou patrimônio no campo ou na cidade, você responde, mas não tem punição".
Garantir o excludente de ilicitude para o policial em operação - ou seja, que os policiais não sejam punidos se matarem alguém em confronto.
Reduzir a maioridade penal para 16 anos por emenda constitucional.
Acabar com a progressão de penas e saídas temporárias.
Defende o fim das audiências de custódia.
Apoiar penas duras para crimes de estupro, incluindo castração química voluntária em troca da redução da pena.
Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.

Políticas sociais e direitos humanos
Manter Bolsa Família e combater fraudes no programa.
Crítico ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que "tem que ser rasgado e jogado na latrina. É um estímulo a vagabundagem e à malandragem infantil".

Emprego e Economia
Criar uma nova carteira de trabalho verde e amarela, em que o contrato individual prevaleça sobre a CLT. Os novos trabalhadores poderão optar, de forma voluntária, por um vínculo empregatício baseado na nova carteira de trabalho ou na tradicional (azul). Além disso, defende uma outra versão da CLT para o trabalhador rural. "O homem do campo não pode parar no Carnaval, sábado, domingo e feriado. A planta ali vai estragar".
Não recriar o CPFM. A proposta é um recuo em relação ao que teria sido anunciado pelo economista Paulo Guedes em setembro, para uma plateia restrita. Guedes é definido por Bolsonaro como seu "Posto Ipiranga" da economia e futuro ministro da Fazenda.
Deixar para trás o comunismo e o socialismo e praticar o livre mercado.
Estabelecer uma Alíquota única de 20% no Imposto de Renda - Hoje a alíquota aumenta de acordo com a renda. Isenta de imposto de renda quem ganha até 5 salários mínimos. É contra a taxação de grandes fortunas e heranças e contra novas tributações a empresários
Criar o Ministério da Economia, que abarcará funções hoje desempenhadas pelos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio, bem como a Secretaria Executiva do PPI(Programa de Parcerias de Investimentos).
Defende privatizações. No caso da Petrobras, já admitiu a privatização "se não tiver uma solução" a respeito da política de preço dos combustíveis. "Temos que ter um combustível com preço compatível". É contra a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica.
Introduzir paulatinamente o modelo de capitalização para a Previdência.
Reduzir em 20% o volume da dívida pública por meio de privatizações, concessões, venda de propriedades imobiliárias da União.
Eliminar o déficit público primário no primeiro ano de governo e convertê-lo em superávit no segundo ano.
criar o Balcão Único, que centralizará todos os procedimentos para a abertura e fechamento de empresas.
Tornar o Brasil um centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio.

Política e Corrupção
Não realizar uma nova Constituinte (para elaborar uma nova Constituição), desautorizando o que havia sido dito pelo candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, general Hamilton Mourão. Em 13 de setembro, Mourão havia declarado que era favorável à elaboração de uma nova Constituição, escrita por uma "comissão de notáveis", não por representantes "eleitos pelo povo". Em entrevista para o GloboNews, em 7 de setembro, Mourão ainda admitiu a possibilidade de um "autogolpe" por parte do presidente com apoio das Forças Armadas. A respeito das declarações de Mourão, Bolsonaro disse em 8 de outubro: "Ele é um general, eu sou capitão. Mas eu sou o presidente. O desautorizei nesses dois momentos. Ele não poderia ir além daquilo que a Constituição permite. Jamais eu posso admitir uma nova constituinte, até por falta de poderes para tal. E a questão de autogolpe, não sei, não entendi direito o que ele (Mourão) quis dizer naquele momento. Mas isso não existe". E completou: "seremos escravos da nossa Constituição".
Encaminhar para aprovação do Congresso "As Dez Medidas Contra a Corrupção", propostas pelo Ministério Público Federal.
Cortar ministérios e nomear pelo menos 5 generais como ministros.
Extinguir o Ministério das Cidades e "mandar o dinheiro diretamente para o município".

Política Externa
Sepultar o Foro de São Paulo.
Não vai tirar o Brasil da ONU, ao contrário do que chegou a declarar. "É uma reunião de comunistas, de gente que não tem qualquer compromisso com a América do Sul", afirmou. Em seguida, disse que cometeu um falho e que não se referia à ONU, mas ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que fez recomendação favorável à candidatura de Lula.
Fazer negócio com o mundo todo, sem viés ideológico. Dar prioridade as relações comerciais com nações como Israel, não com a Venezuela.
Revogar a lei de imigração e fazer campo de refugiados, para lidar com a migração de venezuelanos para o Brasil.
Pretende mudar a embaidxada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, assim como fez o presidente dos Estados Únidos Donald Trump. Pretende fechar a Embaixada da Autoridade Palestina no Brasil.
Extraditar o ex-ativista italiano Cesare Battisti, a quem chama de terrorista.
Reduzir alíquotas de importação e barreiras não tarifárias. Constituir novos acordos bilaterais internacionais.
Defende que o Brasil deixe o Acordo de Paris sobre o clima - assim como fizeram os Estados Unidos de Donald Trump.
Fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o que colocaria "um fim na indústria das multas, bem como leva harmonia ao campo". O ministro seria indicado "pelas entidades dos produtores".

FONTES: Plano de Governo do Fernando Haddad
Plano de Governo Jair Bolsonaro
BBC Brasil
submitted by fodastiicc to brasil [link] [comments]


2017.11.15 04:02 AntonioMachado [1935] Smedley Butler - War Is A Racket

Discurso aqui ou aqui. Ideias chave:
Let the workers in these plants get the same wages -- all the workers, all presidents, all executives, all directors, all managers, all bankers -- yes, and all generals and all admirals and all officers and all politicians and all government office holders -- everyone in the nation be restricted to a total monthly income not to exceed that paid to the soldier in the trenches! [...] Give capital and industry and labor thirty days to think it over and you will find, by that time, there will be no war
ver também:
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]


2017.08.11 21:54 feedreddit Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana
by Lee Fang via The Intercept
URL: http://ift.tt/2uO9Icf
Para Alejandro Chafuen, a reunião desta primavera no Brick Hotel, em Buenos Aires, foi tanto uma volta para casa quanto uma volta olímpica. Chafuen, um esguio argentino-americano, passou a vida adulta se dedicando a combater os movimentos sociais e governos de esquerda das Américas do Sul e Central, substituindo-os por uma versão pró-empresariado do libertarianismo.
Ele lutou sozinho durante décadas, mas isso está mudando. Chafuen estava rodeado de amigos no Latin America Liberty Forum 2017. Essa reunião internacional de ativistas libertários foi patrocinada pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fins lucrativos conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991. No Brick Hotel, ele festejou as vitórias recentes; seus anos de trabalho estavam começando a render frutos – graças às circunstâncias políticas e econômicas e à rede de ativistas que Chafuen se esforçou tanto para criar.
Nos últimos 10 anos, os governos de esquerda usaram “dinheiro para comprar votos, para redistribuir”, diz Chaufen, confortavelmente sentado no saguão do hotel. Mas a recente queda do preço das commodities, aliada a escândalos de corrupção, proporcionou uma oportunidade de ação para os grupos da Atlas Network. “Surgiu uma abertura – uma crise – e uma demanda por mudanças, e nós tínhamos pessoas treinadas para pressionar por certas políticas”, observa Chafuen, parafraseando o falecido Milton Friedman. “No nosso caso, preferimos soluções privadas aos problemas públicos”, acrescenta.
Chafuen cita diversos líderes ligados à Atlas que conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff – um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão.
“Estive nas manifestações no Brasil e pensei: ‘Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto. Incrível!’”, diz, empolgado. É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, à esquerda, dentro de um carro em direção ao aeroporto, onde pegaria um voo para a Nicarágua nos arredores de San José. Domingo, 28 de junho de 2009.
Foto: Kent Gilbert/AP
Uma guinada à direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente. Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA – os _think tanks_associados à Atlas são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do _soft power_norte-americano.
Embora análises recentes tenham revelado o papel de poderosos bilionários conservadores – como os irmãos Koch – no desenvolvimento de uma versão pró-empresariado do libertarianismo, a Atlas Network – que também é financiada pelas fundações Koch – tem usado métodos criados no mundo desenvolvido, reproduzindo-os em países em desenvolvimento. A rede é extensa, contando atualmente com parcerias com 450 _think tanks_em todo o mundo. A Atlas afirma ter gasto mais de US$ 5 milhões com seus parceiros apenas em 2016.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas realizaram centenas de doações para _think tanks_conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um _think tank_da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um _think tank_neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho – receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
A Atlas Network conta com dezenas de _think tanks_na América Latina, inclusive grupos extremamente ativos no apoio às forças de oposição na Venezuela e ao candidato de centro-direita às eleições presidenciais chilenas, Sebastián Piñera.
Protesto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff diante do Congresso Nacional, em Brasília, no dia 2 de dezembro de 2015.
Photo: Eraldo Peres/AP
Em nenhum outro lugar a estratégia da Atlas foi tão bem sintetizada quanto na recém-formada rede brasileira de _think tanks_de defesa do livre mercado. Os novos institutos trabalham juntos para fomentar o descontentamento com as políticas socialistas; alguns criam centros acadêmicos enquanto outros treinam ativistas e travam uma guerra constante contra as ideias de esquerda na mídia brasileira.
O esforço para direcionar a raiva da população contra a esquerda rendeu frutos para a direita brasileira no ano passado. Os jovens ativistas do MBL – muitos deles treinados em organização política nos EUA – lideraram um movimento de massa para canalizar a o descontentamento popular com um grande escândalo de corrupção para desestabilizar Dilma Rousseff, uma presidente de centro-esquerda. O escândalo, investigado por uma operação batizada de Lava-Jato, continua tendo desdobramentos, envolvendo líderes de todos os grandes partidos políticos brasileiros, inclusive à direita e centro-direita. Mas o MBL soube usar muito bem as redes sociais para direcionar a maior parte da revolta contra Dilma, exigindo o seu afastamento e o fim das políticas de bem-estar social implementadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
A revolta – que foi comparada ao movimento Tea Party devido ao apoio tácito dos conglomerados industriais locais e a uma nova rede de atores midiáticos de extrema-direita e tendências conspiratórias – conseguiu interromper 13 anos de dominação do PT ao afastar Dilma do cargo por meio de um impeachment em 2016.
O cenário político do qual surgiu o MBL é uma novidade no Brasil. Havia no máximo três _think tanks_libertários em atividade no país dez anos atrás, segundo Hélio Beltrão, um ex-executivo de um fundo de investimentos de alto risco que agora dirige o Instituto Mises, uma organização sem fins lucrativos que recebeu o nome do filósofo libertário Ludwig von Mises. Ele diz que, com o apoio da Atlas, agora existem cerca de 30 institutos agindo e colaborando entre si no Brasil, como o Estudantes pela Liberdade e o MBL.
“É como um time de futebol; a defesa é a academia, e os políticos são os atacantes. E já marcamos alguns gols”, diz Beltrão, referindo-se ao impeachment de Dilma. O meio de campo seria “o pessoal da cultura”, aqueles que formam a opinião pública.
Beltrão explica que a rede de _think tanks_está pressionando pela privatização dos Correios, que ele descreve como “uma fruta pronta para ser colhida” e que pode conduzir a uma onda de reformas mais abrangentes em favor do livre mercado. Muitos partidos conservadores brasileiros acolheram os ativistas libertários quando estes demonstraram que eram capazes de mobilizar centenas de milhares de pessoas nos protestos contra Dilma, mas ainda não adotaram as teorias da “economia do lado da oferta”.
Fernando Schüler, acadêmico e colunista associado ao Instituto Millenium – outro _think tank_da Atlas no Brasil – tem uma outra abordagem. “O Brasil tem 17 mil sindicatos pagos com dinheiro público. Um dia de salário por ano vai para os sindicatos, que são completamente controlados pela esquerda”, diz. A única maneira de reverter a tendência socialista seria superá-la no jogo de manobras políticas. “Com a tecnologia, as pessoas poderiam participar diretamente, organizando – no WhatsApp, Facebook e YouTube – uma espécie de manifestação pública de baixo custo”, acrescenta, descrevendo a forma de mobilização de protestos dos libertários contra políticos de esquerda. Os organizadores das manifestações anti-Dilma produziram uma torrente diária de vídeos no YouTube para ridicularizar o governo do PT e criaram um placar interativo para incentivar os cidadãos a pressionarem seus deputados por votos de apoio ao impeachment.
Schüler notou que, embora o MBL e seu próprio _think tank_fossem apoiados por associações industriais locais, o sucesso do movimento se devia parcialmente à sua não identificação com partidos políticos tradicionais, em sua maioria vistos com maus olhos pela população. Ele argumenta que a única forma de reformar radicalmente a sociedade e reverter o apoio popular ao Estado de bem-estar social é travar uma guerra cultural permanente para confrontar os intelectuais e a mídia de esquerda.
Fernando Schüler.Foto:captura de tela do YouTubeUm dos fundadores do Instituto Millenium, o blogueiro Rodrigo Constantino, polariza a política brasileira com uma retórica ultrassectária. Constantino, que já foi chamado de “o Breitbart brasileiro” devido a suas teorias conspiratórias e seus comentários de teor radicalmente direitistas, é presidente do conselho deliberativo de outro _think tank_da Atlas – o Instituto Liberal. Ele enxerga uma tentativa velada de minar a democracia em cada movimento da esquerda brasileira, do uso da cor vermelha na logomarca da Copa do Mundo ao Bolsa Família, um programa de transferência de renda. Constantino é considerado o responsável pela popularização de uma narrativa segundo a qual os defensores do PT seriam uma “esquerda caviar”, ricos hipócritas que abraçam o socialismo para se sentirem moralmente superiores, mas que na realidade desprezam as classes trabalhadoras que afirmam representar. A “breitbartização” do discurso é apenas uma das muitas formas sutis pelas quais a Atlas Network tem influenciado o debate político.
“Temos um Estado muito paternalista. É incrível. Há muito controle estatal, e mudar isso é um desafio de longo prazo”, diz Schüler, acresentando que, apesar das vitórias recentes, os libertários ainda têm um longo caminho pela frente no Brasil. Ele gostaria de copiar o modelo de Margaret Thatcher, que se apoiava em uma rede de _think tanks_libertários para implementar reformas impopulares. “O sistema previdenciário é absurdo, e eu privatizaria toda a educação”, diz Schüler, pondo-se a recitar toda a litania de mudanças que faria na sociedade, do corte do financiamento a sindicatos ao fim do voto obrigatório.
Mas a única maneira de tornar tudo isso possível, segundo ele, seria a formação de uma rede politicamente engajada de organizações sem fins lucrativos para defender os objetivos libertários. Para Schüler, o modelo atual – uma constelação de _think tanks_em Washington sustentada por vultosas doações – seria o único caminho para o Brasil.
E é exatamente isso que a Atlas tem se esforçado para fazer. Ela oferece subvenções a novos _think tanks_e cursos sobre gestão política e relações públicas, patrocina eventos de _networking_no mundo todo e, nos últimos anos, tem estimulado libertários a tentar influenciar a opinião pública por meio das redes sociais e vídeos online.
Uma competição anual incentiva os membros da Atlas a produzir vídeos que viralizem no YouTube promovendo o _laissez-faire_e ridicularizando os defensores do Estado de bem-estar social. James O’Keefe, provocador famoso por alfinetar o Partido Democrata americano com vídeos gravados em segredo, foi convidado pela Atlas para ensinar seus métodos. No estado americano do Wisconsin, um grupo de produtores que publicava vídeos na internet para denegrir protestos de professores contra o ataque do governador Scott Walker aos sindicatos do setor público também compartilharam sua experiência nos cursos da Atlas.
Manifestantes queimam um boneco do presidente Hugo Chávez na Plaza Altamira, em protesto contra o governo.
Foto: Lonely Planet Images/Getty Images
Em uma de suas últimas realizações, a Atlas influenciou uma das crises políticas e humanitárias mais graves da América Latina: a venezuelana. Documentos obtidos graças ao “Freedom of Information Act” (Lei da Livre Informação, em tradução livre) por simpatizantes do governo venezuelano – bem como certos telegramas do Departamento de Estado dos EUA vazados por Chelsea Manning – revelam uma complexo tentativa do governo americano de usar os _think tanks_da Atlas em uma campanha para desestabilizar o governo de Hugo Chávez. Em 1998, a CEDICE Libertad – principal organização afiliada à Atlas em Caracas, capital da Venezuela – já recebia apoio financeiro do Center for International Private Enterprise (Centro para a Empresa Privada Internacional – CIPE). Em uma carta de financiamento do NED, os recursos são descritos como uma ajuda para “a mudança de governo”. O diretor da CEDICE foi um dos signatários do controverso “Decreto Carmona” em apoio ao malsucedido golpe militar contra Chávez em 2002.
Um telegrama de 2006 descrevia a estratégia do embaixador americano, William Brownfield, de financiar organizações politicamente engajadas na Venezuela: “1) Fortalecer instituições democráticas; 2) penetrar na base política de Chávez; 3) dividir o chavismo; 4) proteger negócios vitais para os EUA, e 5) isolar Chávez internacionalmente.”
Na atual crise venezuelana, a CEDICE tem promovido a recente avalanche de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, o acossado sucessor de Chávez. A CEDICE está intimamente ligada à figura da oposicionista María Corina Machado, uma das líderes das manifestações em massa contra o governo dos últimos meses. Machado já agradeceu publicamente à Atlas pelo seu trabalho. Em um vídeo enviado ao grupo em 2014, ela diz: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”
Em 2014, a líder opositora María Corina Machado agradeceu à Atlas pelo seu trabalho: “Obrigada à Atlas Network e a todos os que lutam pela liberdade.”No Latin America Liberty Forum, organizado pela Atlas Network em Buenos Aires, jovens líderes compartilham ideias sobre como derrotar o socialismo em todos os lugares, dos debates em _campi_universitários a mobilizações nacionais a favor de um impeachment.
Em uma das atividades do fórum, “empreendedores” políticos de Peru, República Dominicana e Honduras competem em um formato parecido com o programa Shark Tank, um _reality show_americano em que novas empresas tentam conquistar ricos e impiedosos investidores. Mas, em vez de buscar financiamento junto a um painel de capitalistas de risco, esses diretores de _think tanks_tentam vender suas ideias de marketing político para conquistar um prêmio de US$ 5 mil. Em outro encontro, debatem-se estratégias para atrair o apoio do setor industrial às reformas econômicas. Em outra sala, ativistas políticos discutem possíveis argumentos que os “amantes da liberdade” podem usar para combater o crescimento do populismo e “canalizar o sentimento de injustiça de muitos” para atingir os objetivos do livre mercado.
Um jovem líder da Cadal, um _think tank_de Buenos Aires, deu a ideia de classificar as províncias argentinas de acordo com o que chamou de “índice de liberdade econômica” – levando em conta a carga tributária e regulatória como critérios principais –, o que segundo ela geraria um estímulo para a pressão popular por reformas de livre mercado. Tal ideia é claramente baseada em estratégias similares aplicadas nos EUA, como o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, que classifica os países de acordo com critérios como política tributária e barreiras regulatórias aos negócios.
Os _think tanks_são tradicionalmente vistos como institutos independentes que tentam desenvolver soluções não convencionais. Mas o modelo da Atlas se preocupa menos com a formulação de novas soluções e mais com o estabelecimento de organizações políticas disfarçadas de instituições acadêmicas, em um esforço para conquistar a adesão do público.
As ideias de livre mercado – redução de impostos sobre os mais ricos; enxugamento do setor público e privatizações; liberalização das regras de comércio e restrições aos sindicatos – sempre tiveram um problema de popularidade. Os defensores dessa corrente de pensamento perceberam que o eleitorado costuma ver essas ideias como uma maneira de favorecer as camadas mais ricas. E reposicionar o libertarianismo econômico como uma ideologia de interesse público exige complexas estratégias de persuasão em massa.
Mas o modelo da Atlas, que está se espalhando rapidamente pela América Latina, baseia-se em um método aperfeiçoado durante décadas de embates nos EUA e no Reino Unido, onde os libertários se esforçaram para conter o avanço do Estado de bem-estar social do pós-guerra.
Mapa das organizações da rede Atlas na América do Sul.
Fonte: The Intercept
Antony Fisher, empreendedor britânico e fundador da Atlas Network, é um pioneiro na venda do libertarianismo econômico à opinião pública. A estratégia era simples: nas palavras de um colega de Fisher, a missão era “encher o mundo de _think tanks_que defendam o livre mercado”.
A base das ideias de Fisher vêm de Friedrich Hayek, um dos pais da defesa do Estado mínimo. Em 1946, depois de ler um resumo do livro seminal de Hayek, O Caminho da Servidão, Fisher quis se encontrar com o economista austríaco em Londres. Segundo seu colega John Blundell, Fisher sugeriu que Hayek entrasse para a política. Mas Hayek se recusou, dizendo que uma abordagem de baixo para cima tinha mais chances de alterar a opinião pública e reformar a sociedade.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, outro ideólogo do livre mercado, Leonard Read, chegava a conclusões parecidas depois de ter dirigido a Câmara de Comércio de Los Angeles, onde batera de frente com o sindicalismo. Para deter o crescimento do Estado de bem-estar social, seria necessária uma ação mais elaborada no sentido de influenciar o debate público sobre os destinos da sociedade, mas sem revelar a ligação de tal estratégia com os interesses do capital.
Fisher animou-se com uma visita à organização recém-fundada por Read, a Foundation for Economic Education (Fundação para a Educação Econômica – FEE), em Nova York, criada para patrocinar e promover as ideias liberais. Nesse encontro, o economista libertário F.A. Harper, que trabalhava na FEE à epoca, orientou Fisher sobre como abrir a sua própria organização sem fins lucrativos no Reino Unido.
Durante a viagem, Fisher e Harper foram à Cornell University para conhecer a última novidade da indústria animal: 15 mil galinhas armazenadas em uma única estrutura. Fisher decidiu levar o invento para o Reino Unido. Sua fábrica, a Buxted Chickens, logo prosperou e trouxe grande fortuna para Fisher. Uma parte dos lucros foi direcionada à realização de outro objetivo surgido durante a viagem a Nova York – em 1955, Fisher funda o Institute of Economic Affairs (Instituto de Assuntos Econômicos – IEA).
O IEA ajudou a popularizar os até então obscuros economistas ligados às ideias de Hayek. O instituto era um baluarte de oposição ao crescente Estado de bem-estar social britânico, colocando jornalistas em contato com acadêmicos defensores do livre mercado e disseminando críticas constantes sob a forma de artigos de opinião, entrevistas de rádio e conferências.
A maior parte do financiamento do IEA vinha de empresas privadas, como os gigantes do setor bancário e industrial Barclays e British Petroleum, que contribuíam anualmente. No livro Making Thatcher’s Britain(A Construção da Grã-Bretanha de Thatcher, em tradução livre), dos historiadores Ben Jackson e Robert Saunders, um magnata dos transportes afirma que, assim como as universidades forneciam munição para os sindicatos, o IEA era uma importante fonte de poder de fogo para os empresários.
Quando a desaceleração econômica e o aumento da inflação dos anos 1970 abalou os fundamentos da sociedade britânica, políticos conservadores começaram a se aproximar do IEA como fonte de uma visão alternativa. O instituto aproveitou a oportunidade e passou a oferecer plataformas para que os políticos pudessem levar os conceitos do livre mercado para a opinião pública. A Atlas Network afirma orgulhosamente que o IEA “estabeleceu as bases intelectuais do que viria a ser a revolução de Thatcher nos anos 1980”. A equipe do instituto escrevia discursos para Margaret Thatcher; fornecia material de campanha na forma de artigos sobre temas como sindicalismo e controle de preços; e rebatia as críticas à Dama de Ferro na mídia inglesa. Em uma carta a Fisher depois de vencer as eleições de 1979, Thatcher afirmou que o IEA havia criado, na opinião pública, “o ambiente propício para a nossa vitória”.
“Não há dúvidas de que tivemos um grande avanço na Grã-Bretanha. O IEA, fundado por Antony Fisher, fez toda a diferença”, disse Milton Friedman uma vez. “Ele possibilitou o governo de Margaret Thatcher – não a sua eleição como primeira-ministra, e sim as políticas postas em prática por ela. Da mesma forma, o desenvolvimento desse tipo de pensamento nos EUA possibilitou o a implementação das políticas de Ronald Reagan”, afirmou.
O IEA fechava um ciclo. Hayek havia criado um seleto grupo de economistas defensores do livre mercado chamado Sociedade Mont Pèlerin. Um de seus membros, Ed Feulner, ajudou o fundar o _think tank_conservador Heritage Foundation, em Washington, inspirando-se no trabalho de Fisher. Outro membro da Sociedade, Ed Crane, fundou o Cato Institute, o mais influente _think tank_libertário dos Estados Unidos.
_O filósofo e economista anglo-austríaco Friedrich Hayek com um grupo de alunos na London School of Economics, em 1948._Foto: Paul PoppePopperfoto/Getty Images
Em 1981, Fisher, que havia se mudado para San Francisco, começou a desenvolver a Atlas Economic Research Foundation por sugestão de Hayek. Fisher havia aproveitado o sucesso do IEA para conseguir doações de empresas para seu projeto de criação de uma rede regional de _think tanks_em Nova York, Canadá, Califórnia e Texas, entre outros. Mas o novo empreendimento de Fisher viria a ter uma dimensão global: uma organização sem fins lucrativos dedicada a levar sua missão adiante por meio da criação de postos avançados do libertarianismo em todos os países do mundo. “Quanto mais institutos existirem no mundo, mais oportunidade teremos para resolver problemas que precisam de uma solução urgente”, declarou.
Fisher começou a levantar fundos junto a empresas com a ajuda de cartas de recomendação de Hayek, Thatcher e Friedman, instando os potenciais doadores a ajudarem a reproduzir o sucesso do IEA através da Atlas. Hayek escreveu que o modelo do IEA “deveria ser usado para criar institutos similares em todo o mundo”. E acrescentou: “Se conseguíssemos financiar essa iniciativa conjunta, seria um dinheiro muito bem gasto.”
A proposta foi enviada para uma lista de executivos importantes, e o dinheiro logo começou a fluir dos cofres das empresas e dos grandes financiadores do Partido Republicano, como Richard Mellon Scaife. Empresas como a Pfizer, Procter & Gamble e Shell ajudaram a financiar a Atlas. Mas a contribuição delas teria que ser secreta para que o projeto pudesse funcionar, acreditava Fisher. “Para influenciar a opinião pública, é necessário evitar qualquer indício de interesses corporativos ou tentativa de doutrinação”, escreveu Fisher na descrição do projeto, acrescentando que o sucesso do IEA estava baseado na percepção pública do caráter acadêmico e imparcial do instituto.
A Atlas cresceu rapidamente. Em 1985, a rede contava com 27 instituições em 17 países, inclusive organizações sem fins lucrativos na Itália, México, Austrália e Peru.
E o _timing_não podia ser melhor: a expansão internacional da Atlas coincidiu com a política externa agressiva de Ronald Reagan contra governos de esquerda mundo afora.
Embora a Atlas declarasse publicamente que não recebia recursos públicos (Fisher caracterizava as ajudas internacionais como uma forma de “suborno” que distorcia as forças do mercado), há registros da tentativa silenciosa da rede de canalizar dinheiro público para sua lista cada vez maior de parceiros internacionais.
Em 1982, em uma carta da Agência de Comunicação Internacional dos EUA – um pequeno órgão federal destinado a promover os interesses americanos no exterior –, um funcionário do Escritório de Programas do Setor Privado escreveu a Fisher em resposta a um pedido de financiamento federal. O funcionário diz não poder dar dinheiro “diretamente a organizações estrangeiras”, mas que seria possível copatrocinar “conferências ou intercâmbios com organizações” de grupos como a Atlas, e sugere que Fisher envie um projeto. A carta, enviada um ano depois da fundação da Atlas, foi o primeiro indício de que a rede viria a ser uma parceira secreta da política externa norte-americana.
Memorandos e outros documentos de Fisher mostram que, em 1986, a Atlas já havia ajudado a organizar encontros com executivos para tentar direcionar fundos americanos para sua rede de think tanks. Em uma ocasião, um funcionário da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o principal braço de financiamento internacional do governo dos EUA, recomendou que o diretor da filial da Coca-Cola no Panamá colaborasse com a Atlas para a criação de um _think tank_nos moldes do IEA no país. A Atlas também recebeu fundos da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização sem fins lucrativos fundada em 1983 e patrocinada em grande parte pelo Departamento de Estado e a USAID cujo objetivo é fomentar a criação de instituições favoráveis aos EUA nos países em desenvolvimento.
Alejandro Chafuen, da Atlas Economic Research Foundation, atrás à direita, cumprimenta Rafael Alonzo, do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (CEDICE Libertad), à esquerda, enquanto o escritor peruano Mario Vargas Llosa aplaude a abertura do Fórum Liberdade e Democracia, em Caracas, no dia 28 de maio de 2009.
Foto: Ariana Cubillos/AP
_ _Financiada generosamente por empresas e pelo governo americano, a Atlas deu outro golpe de sorte em 1985 com a chegada de Alejandro Chafuen. Linda Whetstone, filha de Fisher, conta um episódio ocorrido naquele ano, quando um jovem Chafuen, que ainda vivia em Oakland, teria aparecido no escritório da Atlas em San Francisco “disposto a trabalhar de graça”. Nascido em Buenos Aires, Chafuen vinha do que ele chamava “uma família anti-Peronista”. Embora tenha crescido em uma época de grande agitação na Argentina, Chafuen vivia uma vida relativamente privilegiada, tendo passado a adolescência jogando tênis e sonhando em se tornar atleta profissional.
Ele atribui suas escolhas ideológicas a seu apetite por textos libertários, de Ayn Rand a livretos publicados pela FEE, a organização de Leonard Read que havia inspirado Antony Fisher. Depois de estudar no Grove City College, uma escola de artes profundamente conservadora e cristã no estado americano da Pensilvânia, onde foi presidente do clube de estudantes libertários, Chafuen voltou ao país de nascença. Os militares haviam tomado o poder, alegando estar reagindo a uma suposta ameaça comunista. Milhares de estudantes e ativistas seriam torturados e mortos durante a repressão à oposição de esquerda no período que se seguiu ao golpe de Estado.
Chafuen recorda essa época de maneira mais positiva do que negativa. Ele viria a escrever que os militares haviam sido obrigados a agir para evitar que os comunistas “tomassem o poder no país”. Durante sua carreira como professor, Chafuen diz ter conhecido “totalitários de todo tipo” no mundo acadêmico. Segundo ele, depois do golpe militar seus professores “abrandaram-se”, apesar das diferenças ideológicas entre eles.
Em outros países latino-americanos, o libertarianismo também encontrara uma audiência receptiva nos governos militares. No Chile, depois da derrubada do governo democraticamente eleito de Salvador Allende, os economistas da Sociedade Mont Pèlerin acorreram ao país para preparar profundas reformas liberais, como a privatização de indústrias e da Previdência. Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.
Já o zelo ideológico de Chafuen começou a se manifestar em 1979, quando ele publicou um ensaio para a FEE intitulado “War Without End” (Guerra Sem Fim). Nele, Chafuen descreve horrores do terrorismo de esquerda “como a família Manson, ou, de forma organizada, os guerrilheiros do Oriente Médio, África e América do Sul”. Haveria uma necessidade, segundo ele, de uma reação das “forças da liberdade individual e da propriedade privada”.
Seu entusiasmo atraiu a atenção de muita gente. Em 1980, aos 26 anos, Chafuen foi convidado a se tornar o membro mais jovem da Sociedade Mont Pèlerin. Ele foi até Stanford, tendo a oportunidade de conhecer Read, Hayek e outros expoentes libertários. Cinco anos depois, Chafuen havia se casado com uma americana e estava morando em Oakland. E começou a fazer contato com membros da Mont Pèlerin na área da Baía de San Francisco – como Fisher.
Em toda a região, sob a proteção de líderes militares levados ao poder pela força, as políticas econômicas libertárias começaram a se enraizar.De acordo com as atas das reuniões do conselho da Atlas, Fisher disse aos colegas que havia feito um pagamento _ex gratia_no valor de US$ 500 para Chafuen no Natal de 1985, declarando que gostaria de contratar o economista para trabalhar em tempo integral no desenvolvimento dos _think tanks_da rede na América Latina. No ano seguinte, Chafuen organizou a primeira cúpula de _think tanks_latino-americanos, na Jamaica.
Chafuen compreendera o modelo da Atlas e trabalhava incansavelmente para expandir a rede, ajudando a criar _think tanks_na África e na Europa, embora seu foco continuasse sendo a América Latina. Em uma palestra sobre como atrair financiadores, Chafuen afirmou que os doadores não podiam financiar publicamente pesquisas, sob o risco de perda de credibilidade. “A Pfizer não patrocinaria uma pesquisa sobre questões de saúde, e a Exxon não financiaria uma enquete sobre questões ambientais”, observou. Mas os _think tanks_libertários – como os da Atlas Network –não só poderiam apresentar as mesmas pesquisas sob um manto de credibilidade como também poderiam atrair uma cobertura maior da mídia.
“Os jornalistas gostam muito de tudo o que é novo e fácil de noticiar”, disse Chafuen. Segundo ele, a imprensa não tem interesse em citar o pensamento dos filósofos libertários, mas pesquisas produzidas por um _think tank_são mais facilmente reproduzidas. “E os financiadores veem isso”, acrescenta.
Em 1991, três anos depois da morte de Fisher, Chafuen assumiu a direção da Atlas – e pôs-se a falar sobre o trabalho da Atlas para potenciais doadores. E logo começou a conquistar novos financiadores. A Philip Morris deu repetidas contribuições à Atlas, inclusive uma doação de US$ 50 mil em 1994, revelada anos depois. Documentos mostram que a gigante do tabaco considerava a Atlas uma aliada em disputas jurídicas internacionais.
Mas alguns jornalistas chilenos descobriram que _think tanks_patrocinados pela Atlas haviam feito pressão por trás dos panos contra a legislação antitabagista sem revelar que estavam sendo financiadas por empresas de tabaco – uma estratégia praticada por _think tanks_em todo o mundo.
Grandes corporações como ExxonMobil e MasterCard já financiaram a Atlas. Mas o grupo também atrai grandes figuras do libertarianismo, como as fundações do investidor John Templeton e dos irmãos bilionários Charles e David Koch, que cobriam a Atlas e seus parceiros de generosas e frequentes doações. A habilidade de Chafuen para levantar fundos resultou em um aumento do número de prósperas fundações conservadoras. Ele é membro-fundador do Donors Trust, um discreto fundo orientado ao financiamento de organizações sem fins lucrativos que já transferiu mais de US$ 400 milhões a entidades libertárias, incluindo membros da Atlas Network. Chafuen também é membro do conselho diretor da Chase Foundation of Virginia, outra entidade financiadora da Atlas, fundada por um membro da Sociedade Mont Pèlerin.
Outra grande fonte de dinheiro é o governo americano. A princípio, a Fundação Nacional para a Democracia encontrou dificuldades para criar entidades favoráveis aos interesses americanos no exterior. Gerardo Bongiovanni, presidente da Fundación Libertad, um _think tank_da Atlas em Rosario, na Argentina, afirmou durante uma palestra de Chafuen que a injeção de capital do Center for International Private Enterprise – parceiro do NED no ramo de subvenções – fora de apenas US$ 1 milhão entre 1985 e 1987. Os _think tanks_que receberam esse capital inicial logo fecharam as portas, alegando falta de treinamento em gestão, segundo Bongiovanni.
No entanto, a Atlas acabou conseguindo canalizar os fundos que vinham do NED e do CIPE, transformando o dinheiro do contribuinte americano em uma importante fonte de financiamento para uma rede cada vez maior. Os recursos ajudavam a manter _think tanks_na Europa do Leste, após a queda da União Soviética, e, mais tarde, para promover os interesses dos EUA no Oriente Médio. Entre os beneficiados com dinheiro do CIPE está a CEDICE Libertad, a entidade a que líder opositora venezuelana María Corina Machado fez questão de agradecer.
O assessor da Casa Branca Sebastian Gorka participa de uma entrevista do lado de fora da Ala Oeste da Casa Branca em 9 de junho de 2017 – Washington, EUA.
Foto: Chip Somodevilla/Getty Images
_ _No Brick Hotel, em Buenos Aires, Chafuen reflete sobre as três últimas décadas. “Fisher ficaria satisfeito; ele não acreditaria em quanto nossa rede cresceu”, afirma, observando que talvez o fundador da Atlas ficasse surpreso com o atual grau de envolvimento político do grupo.
Chafuen se animou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. Ele é só elogios para a equipe do presidente. O que não é nenhuma surpresa, pois o governo Trump está cheio de amigos e membros de grupos ligados à Atlas. Sebastian Gorka, o islamofóbico assessor de contraterrorismo de Trump, dirigiu um _think tank_patrocinado pela Atlas na Hungria. O vice-presidente Mike Pence compareceu a um encontro da Atlas e teceu elogios ao grupo. A secretária de Educação Betsy DeVos trabalhou com Chafuen no Acton Institute, um _think tank_de Michigan que usa argumentos religiosos a favor das políticas libertárias – e que agora tem uma entidade subsidiária no Brasil, o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista. Mas talvez a figura mais admirada por Chafuen no governo dos EUA seja Judy Shelton, uma economista e velha companheira da Atlas Network. Depois da vitória de Trump, Shelton foi nomeada presidente da NED. Ela havia sido assessora de Trump durante a campanha e o período de transição. Chafuen fica radiante ao falar sobre o assunto: “E agora tem gente da Atlas na presidência da Fundação Nacional para a Democracia (NED)”, comemora.
Antes de encerrar a entrevista, Chafuen sugere que ainda vem mais por aí: mais think tanks, mais tentativas de derrubar governos de esquerda, e mais pessoas ligadas à Atlas nos cargos mais altos de governos ao redor do mundo. “É um trabalho contínuo”, diz.
Mais tarde, Chafuen compareceu ao jantar de gala do Latin America Liberty Forum. Ao lado de um painel de especialistas da Atlas, ele discutiu a necessidade de reforçar os movimentos de oposição libertária no Equador e na Venezuela.
Danielle Mackey contribuiu na pesquisa para essa matéria. Tradução: Bernardo Tonasse
The post Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana appeared first on The Intercept.
submitted by feedreddit to arableaks [link] [comments]


2016.08.16 23:23 jecagado Carta ao gado do /r/circojeca.

Dirijo-me ao /circojeca e às Senhoras Moderadoras e aos Senhores Moderadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou à sub. Meu retorno ao /circojeca, por decisão dos moderadores , significará a afirmação do Estado Democrático de Direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política. Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do gado, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho. Precisamos fortalecer a democracia em nosso País e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade fecal. Que eu sou inocente. No merdapostismo previsto em nossa Constituição, não basta a desconfiança política para afastar um mod. Há que se configurar crime de responsabilidade fecal. E está claro que não houve tal crime. Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o mod pelo “conjunto da obra” é o gado e, só o gado, nas eleições. Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de merdapostagem, teríamos um golpe de estado. O colégio eleitoral de 110 milhões de redditores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 10 moderadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta. Ao invés disso, entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social. É o único caminho para sairmos da crise. Por isso, a importância de assumirmos um claro compromisso com o Plebiscito e pela Reforma Política. Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes. Estou convencido da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um Plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral. Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla e profunda reforma política, estabelecendo um novo quadro institucional que supere a fragmentação das subs, moralize o financiamento das campanhas eleitorais, fortaleça a fidelidade partidária e dê mais poder aos eleitores. A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral do /circojeca. Devemos construir, para tanto, um amplo Pacto na sub, baseado em eleições livres e diretas, que envolva todos os cidadãos e cidadãs jequianos. Um Pacto que fortaleça os valores do Estado Democrático de Direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais. Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do País. O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião. A transição para esse novo momento democrático exige que seja aberto um amplo diálogo entre todas as forças vivas da Nação jequiana com a clara consciência de que o que nos une é o /brasil. Diálogo com o Congresso Nacional, para que, conjunta e responsavelmente, busquemos as melhores soluções para os problemas enfrentados pelo País. Diálogo com a sociedade e os movimentos sociais, para que as demandas de nossa população sejam plenamente respondidas por políticas consistentes e eficazes. As forças produtivas, empresários e trabalhadores, devem participar de forma ativa na construção de propostas para a retomada do crescimento e para a elevação da competitividade de nossa economia. Reafirmo meu compromisso com o respeito integral à Constituição Cidadã de 1988, com destaque aos direitos e garantias individuais e coletivos que nela estão estabelecidos. Nosso lema persistirá sendo “nenhum direito a menos”. As políticas sociais que transformaram a vida de nossa população, assegurando oportunidades para todas as pessoas e valorizando a igualdade e a diversidade deverão ser mantidas e renovadas. A riqueza e a força de nossa cultura devem ser valorizadas como elemento fundador de nossa nacionalidade. Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o /circojeca. Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos. Isso é necessário porque, desde o início do meu segundo mandato, medidas, ações e reformas necessárias para a sub enfrentar a grave crise econômica foram bloqueadas e as chamadas pautas-bomba foram impostas, sob a lógica irresponsável do “quanto pior, melhor”. Houve um esforço obsessivo para desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos impostos à população. Podemos superar esse momento e, juntos, buscar o crescimento econômico e a estabilidade, o fortalecimento da soberania nacional e a defesa do pré-sal e de nossas riquezas naturais e minerárias. É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade. Gado brasileiro, moderadoras e moderadores, O /brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que requer coragem e clareza de propósitos de todos nós. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o País. Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fecal fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História. Tenho orgulho de ser o primeiro jeca eleito mod da sub. Tenho orgulho de dizer que, nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi. Em nome desses votos e em nome de todo o gado, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para assegurar a democracia no /circojeca. A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade fecal, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos mods que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora. Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém. Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente. O que peço aos moderadores e modaradoras é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do gado /brasil, que me elegeu duas vezes mod. Quem deve decidir o futuro do País é o nosso gado. A democracia há de vencer.
TL;DR não sabe ler?
submitted by jecagado to circojeca [link] [comments]


2016.08.16 22:47 RaulMarti LA TAN ESPERADA CARTA DE DILMA ROUSEFF AL PUEBLO BRASILEÑO. (Primicia de nuestrocorresponsal :"SampaSampa" Sao Paulo.Brasil)

MENSAGEM DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA DILMA ROUSSEFF AO SENADO FEDERAL E AO POVO BRASILEIRO
Brasília, 16 de agosto de 2016
Dirijo-me à população brasileira e às Senhoras Senadoras e aos Senhores Senadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao país.
Meu retorno à Presidência, por decisão do Senado Federal, significará a afirmação do Estado Democrático de Direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política.
Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho
. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas.
Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho.
Precisamos fortalecer a democracia em nosso País e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade.
Que eu sou inocente.
No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a desconfiança política para afastar um presidente.
Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.
Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo "conjunto da obra".
Quem afasta o presidente pelo "conjunto da obra" é o povo e, só o povo, nas eleições.
Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. O COLEGIO ELEITORAL DE 110 MILLOES DE ELEITORES SERIA SUBSTITUIDO,SEM A DEVIDA SUSTENTAÇAO CONSTITUCIONAL DE 81 SENADORES.
SERIA UN INEQUIVOCO GOLPE SEGUIDO DE ELEIÇAO INDIRETA
Ao invés disso, entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas.
A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social. É o único caminho para sairmos da crise.
Por isso, a importância de assumirmos um claro compromisso com o Plebiscito e pela Reforma Política.
Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes.
Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um Plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral.
Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla e profunda reforma política, estabelecendo um novo quadro institucional que supere a fragmentação dos partidos, moralize o financiamento das campanhas eleitorais, fortaleça a fidelidade partidária e dê mais poder aos eleitores.
A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro.
Devemos construir, para tanto, um amplo Pacto Nacional, baseado em eleições livres e diretas, que envolva todos os cidadãos e cidadãs brasileiros. Um Pacto que fortaleça os valores do Estado Democrático de Direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais.
Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do País. O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião.
A transição para esse novo momento democrático exige que seja aberto um amplo diálogo entre todas as forças vivas da Nação Brasileira com a clara consciência de que o que nos une é o Brasil.
Diálogo com o Congresso Nacional, para que, conjunta e responsavelmente, busquemos as melhores soluções para os problemas enfrentados pelo país.
Diálogo com a sociedade e os movimentos sociais, para que as demandas de nossa população sejam plenamente respondidas por políticas consistentes e eficazes. As forças produtivas, empresários e trabalhadores, devem participar de forma ativa na construção de propostas para a retomada do crescimento e para a elevação da competitividade de nossa economia.
Reafirmo meu compromisso com o respeito integral à Constituição Cidadã de 1988, com destaque aos direitos e garantias individuais e coletivos que nela estão estabelecidos. Nosso lema persistirá sendo "nenhum direito a menos".
As políticas sociais que transformaram a vida de nossa população, assegurando oportunidades para todas as pessoas e valorizando a igualdade e a diversidade deverão ser mantidas e renovadas. A riqueza e a força de nossa cultura devem ser valorizadas como elemento fundador de nossa nacionalidade.
Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil.
Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos.
Isso é necessário porque, desde o início do meu segundo mandato, medidas, ações e reformas necessárias para o país enfrentar a grave crise econômica foram bloqueadas e as chamadas pautas-bomba foram impostas, sob a lógica irresponsável do "quanto pior, melhor".
Houve um esforço obsessivo para desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos impostos à população. Podemos superar esse momento e, juntos, buscar o crescimento econômico e a estabilidade, o fortalecimento da soberania nacional e a defesa do pré-sal e de nossas riquezas naturais e minerárias.
É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade.
Povo brasileiro, Senadoras e Senadores,
O Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que requer coragem e clareza de propósitos de todos nós. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o país.
Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.
Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Tenho orgulho de dizer que, nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi. Em nome desses votos e em nome de todo o povo do meu País, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para assegurar a democracia no Brasil.
A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora.
Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.
Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente. O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.
A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes Presidenta. Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo.
A democracia há de vencer.
Dilma Rousseff
submitted by RaulMarti to podemos [link] [comments]


2015.12.15 06:57 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]


2015.12.15 06:35 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]


2015.12.15 06:33 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]


2015.12.15 06:29 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]


2015.12.15 06:04 AntonioMachado [2000] Roda Viva - Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
submitted by AntonioMachado to investigate_this [link] [comments]


Sendo você mesmo, livros que recomendo, como expandir a sua vida e SURPRESA SINCRÔNICA 4 DICAS PARA AUMENTAR A INTUIÇÃO Como Expandir a Consciência Rapidamente! Tranforme Sua Vida com Aromaterapia  Semana da Aromaterapia Como Expandir a Consciência e Mudar de Vida, Pacote Motivacional  Ricardo Santos #173: 5 exercícios fáceis para expansão da consciência Como Elevar a Consciência e Expandir sua vida - Saia da CULPA COMO AUMENTAR (ALOCAR EXPANDIR) MEMÓRIA DO MINECRAFT Ver ... 156 - Como expandir sua PERCEPÇÃO social/politico ... Percepção Aprenda 4 Formas Secretas de Aumentar

Como Encontrar o Propósito de Sua Vida (com Imagens)

  1. Sendo você mesmo, livros que recomendo, como expandir a sua vida e SURPRESA SINCRÔNICA
  2. 4 DICAS PARA AUMENTAR A INTUIÇÃO
  3. Como Expandir a Consciência Rapidamente!
  4. Tranforme Sua Vida com Aromaterapia Semana da Aromaterapia
  5. Como Expandir a Consciência e Mudar de Vida, Pacote Motivacional Ricardo Santos
  6. #173: 5 exercícios fáceis para expansão da consciência
  7. Como Elevar a Consciência e Expandir sua vida - Saia da CULPA
  8. COMO AUMENTAR (ALOCAR EXPANDIR) MEMÓRIA DO MINECRAFT Ver ...
  9. 156 - Como expandir sua PERCEPÇÃO social/politico ...
  10. Percepção Aprenda 4 Formas Secretas de Aumentar

Já parou pra pensar nos eventos e ações humanas envolvidas para vc ter um simples copo de vidro? Apoie nosso trabalho https://apoia.se/danielmota Nesse vídeo eu respondo perguntas de vocês sobre viver a sua empolgação, ser você mesmo, livros que eu recomendo, como expandir a sua vida e acontece uma surpresa sincronica no final ... Nossa missão é facilitar e contribuir para que você consiga expandir sua consciência, escolhendo viver uma vida leve, divertida e abundante. Como facilitadores da consciência, já ministramos ... Como Expandir a Consciência e Mudar de Vida, Pacote Motivacional Ricardo Santos No vídeo de hoje eu vou mostrar como uma pessoa normal pode expandir sua consciência e entrar na matriz divina ... Você sabia que a nossa mente é dividida em duas partes? Sabia que cada uma dessas partes tem funções completamente diferentes uma da outra? Sabia que tudo que você cria no mundo externo foi ... Como aumentar as oportunidades usando a sua intuição? Neste vídeo eu explico 4 dicas fáceis de serem aplicadas para enriquecer as suas sacadas no dia a dia ;-) Aproveite e se cadastre agora na ... portal do entusiasta - (pettrus ) como aumentar (alocar expandir) memÓria do minecraft ver. 1.7.10/1.8.9/1.10.2 tutorial ensinando passo a passo como aumenta... Como Elevar a Consciência e Expandir sua vida - Saia da CULPA MEUS CURSOS, TREINAMENTOS, EBOOKS, VIDEOAULAS ★ A Lei da Atração com O Sentimento é o Segredo... Falamos sobre como você deve agir pra concentrar as energias, o protocolo dos cinco porquês, meditação e vida plena. ️Titulo do Vídeo: Percepção Aprenda 4 Formas Secretas de Aumentar Como Expandir a Consciência com Leveza Vibrando Alto - Duration: ... O Vídeo Sobre Lei da Atração Mais Importante da Sua Vida - Duration: 46:13. Mundo Meraki 556,366 views.